Ministra alemã critica o Facebook por coletar dados dos usuários para repassar a terceiros

Sebastian Fischer

  • Kimberly White/Getty Images/AFP

    Um dos fundadores do site de relacionamento Facebook, Dustin Moskovitz, fala em evento, em São Franciso (EUA)

    Um dos fundadores do site de relacionamento Facebook, Dustin Moskovitz, fala em evento, em São Franciso (EUA)

Os planos do Facebook de fornecer dados pessoais para terceiros sem pedir permissão aos usuários estão sendo criticados por um membro proeminente do governo alemão. Em uma carta aberta ao diretor da gigantesca rede social, a ministra de proteção ao consumidor Ilse Aigner ameaça deletar seu perfil se a empresa californiana não fizer mais para proteger a privacidade de seus membros. 

O Facebook, que começou como uma rede modesta de estudantes, hoje reúne uma parte significativa do mundo conectado pela Internet. O site tem 400 milhões de membros inscritos, inclusive 7,5 milhões de alemães e centenas de celebridades. Uma delas é Ilse Aigner. Mas agora, a ministra de agricultura e proteção do consumidor alemã, que faz parte do gabinete da chanceler Ângela Merkel, está ameaçando excluir seu perfil do Facebook. 

Em uma carta aberta ao diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, obtida pelo “Spiegel Online” e que foi divulgada no final da segunda-feira (05/4), Aigner critica fortemente a recente decisão da empresa de rede social de coletar “informações gerais” dos usuários e fornecê-las a terceiros no futuro. 

“Fiquei chocada ao descobrir que, apesar das preocupações dos usuários e de severas críticas de ativistas pelo direito do consumidor e privacidade, o Facebook quer relaxar ainda mais as leis de proteção de dados na rede”, escreveu a ministra, da União Social Cristã, em sua carta para o diretor do Facebook em Palo Alto, Califórnia. 

Em seu acordo de privacidade recentemente atualizado, o Facebook afirmou que ia começar a passar informações gerais sobre seus usuários a outros sites –“operadores previamente aprovados”. A empresa escreveu: “Para fornecer a você experiências sociais úteis a partir do Facebook, ocasionalmente precisamos fornecer Informações Gerais sobre você para outros sites pré-aprovados e aplicativos que usam a Plataforma na hora em que você os visita (se ainda estiver conectado ao Facebook).” 

Entre os dados que a empresa pretende compartilhar estão o nome, sexo, foto do perfil e atual localização do usuário. Os dados seriam compartilhados automaticamente e os usuários não precisariam dar permissão –apesar do Facebook oferecer uma opção de exclusão ao usuário. 

“Decisões como essa não vão fomentar a confiança” 

Funcionários do Facebook estão chamando a nova linguagem de proposta e, nos últimos dias, a empresa convidou pessoas com perfis na rede a oferecerem suas opiniões. No sábado, a empresa agradeceu esses usuários por suas opiniões e disse que ia levar seus comentários em consideração e informá-los dos próximos passos que pretende tomar. 

Contudo, a ministra de proteção ao consumidor alemã está pedindo que medidas concretas e rápidas sejam tomadas pela empresa.

“Informações privadas devem permanecer privadas –e acho que falo por muitos usuários da Internet nesse respeito”, escreveu Aigner a Zuckerberg, que tem 25 anos de idade. “Infelizmente, o Facebook não respeita esse desejo, um fato que foi confirmado em recente estudo da organização alemã de proteção ao consumidor Stiftung Warentest. O Facebook se saiu mal nesse estudo, recebeu notas ‘fracas’ em relação à privacidade dos dados do usuário e seus direitos. O Facebook também se recusou a oferecer informações sobre dados de segurança –e recebeu nota ‘5’ (fraco) também nesta categoria.” 

 

Aigner disse que era ainda mais surpreendente que o Facebook não estivesse “disposto a eliminar as falhas existentes fornecendo proteção de dados, mas pelo contrário, estivesse indo além.” Ela acrescentou: “Decisões como essa não vão fomentar confiança na empresa no longo prazo.” 

Ela disse que esperava que o Facebook revisasse sua política de privacidade “sem demora”. O Facebook deve garantir que detalhes pessoais de todos os membros sejam protegidos e que as mudanças planejadas sejam comunicadas aos usuários claramente, antes das emendas serem feitas. Os dados pessoais dos usuários não devem ser automaticamente transmitidos a terceiros e usados para fins comerciais sem o consentimento destes, escreveu. 

“Empresas como Facebook têm uma responsabilidade específica devido ao fato que os usuários, em particular jovens, não estão cientes que seus perfis serão usados para fins comerciais”, escreveu Aigner. 

Ela disse que ia extinguir sua conta no Facebook se a empresa não alterasse sua política empresarial e eliminasse as falhas evidentes. 

Governo alemão desafia gigantes da Internet 

Nos últimos meses, a ministra criticou as gigantes da Internet Google, Microsoft e Apple. Ela disse que essas firmas têm quantidades excessivas de dados pessoais de usuários da Web e devem revelar o que sabem sobre as pessoas. 

Ela também chamou a atenção do Street View da Google, quando disse à revista “Focus” em fevereiro que as extensas fotografias das ruas alemãs para o serviço da Internet não “passava de uma violação multiplicada por milhões da esfera privada”. 

“Rejeito essa forma de exposição. Nenhum serviço secreto coletaria fotos de forma tão desavergonhada”, disse à revista “Focus”. 

Ela disse em sua carta a Zuckerberg que usa a Internet todos os dias profissionalmente e privadamente e que as redes sociais eram “um enriquecimento” e que “é difícil imaginar nossas vidas sem elas”. Aigner tem um perfil no Facebook desde 2009 e conta com cerca de 1.900 amigos.

Tradutor: Deborah Weinberg

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