Na Alemanha, a emigração aumenta enquanto a taxa de natalidade cai

  • AFP

    Criança alemã examina um ursinho de pelúcia: a Alemanha enfrenta o envelhecimento da população e o aumento da emigração, que é a saída de alemães para outros países

    Criança alemã examina um ursinho de pelúcia: a Alemanha enfrenta o envelhecimento da população e o aumento da emigração, que é a saída de alemães para outros países

Em processo de envelhecimento, Alemanha se depara com uma bomba-relógio demográfica

A Alemanha já está enfrentando um pesadelo demográfico, já que o índice de natalidade cai, apesar da adoção de uma série de medidas de estímulo às famílias. Agora, novas estatísticas demonstram que mais pessoas estão deixando o país do que imigrando para ele – o que faz com que cresçam as preocupações relativa ao encolhimento da população do país.

Os alemães preocupados com os problemas demográficos que pairam sobre o país provavelmente não ficarão nada satisfeitos com as recente notícias a respeito das taxas de natalidade e de imigração. Com uma população em processo de envelhecimento, o sistema previdenciário do país, que cuida do cidadão desde o nascimento até a morte, poderá tornar-se inviável devido à falta de pessoas em idade de trabalho para manter o sistema funcionando. E o país parece não estar conseguindo atrair um número suficiente de imigrantes e tampouco produzir bebês com rapidez suficiente para afastar os temores relativos a um futuro desastre demográfico.

Há apenas duas semanas, as esperanças de que houvesse um “baby boom” (um crescimento substancial da taxa de natalidade) criado pelo governo foram frustradas pelos últimos índices relativos à taxa de natalidade. O Departamento Federal de Estatísticas revelou que, apesar dos substanciais investimentos em auxílios maternidade e paternidade e outras políticas que favorecem as famílias alemãs, a taxa de natalidade está de fato caindo na Alemanha. O número de crianças nascidas no país em 2009 foi de 651 mil, ou 30 mil a menos do que em 2008.

Com uma média de apenas 1.38 filho para cada mulher, a taxa de natalidade alemã não é suficiente para manter a população estável. Este país que está envelhecendo encontrará cada vez mais dificuldade para obter as receitas a partir de impostos para cuidar de todos os seus futuros pensionistas ou para sustentar o seu crescimento econômico. De fato, os demógrafos acreditam que a população da Alemanha, que atualmente é de 82 milhões de habitantes, sofrerá uma redução de 17 milhões de indivíduos nos próximos 50 anos.

Mais emigrantes do que imigrantes desde 2008

Agora, para aumentar os problemas, surgem as últimas estatísticas relativas à imigração, que mostram que na verdade há mais pessoas indo embora da Alemanha do que escolhendo o país como o novo lar. Durante um quarto de século, a Alemanha foi um país no qual o número de imigrantes superou o de emigrantes, mas em 2008 esta tendência se reverteu. Os números relativos a 2009, embora revelem uma discreta melhoria da situação, ainda são preocupantes. Na última quarta-feira (26/05), o Departamento Federal de Estatísticas divulgou dados que demonstram que a Alemanha teve 13 mil emigrantes a mais do que imigrantes em 2009.

Ao todo, 734 mil pessoas optaram por deixar o país no ano passado, enquanto 721 mil imigraram para ele. Embora a estatística total referente à imigração tenha revelado um aumento de 39 mil imigrantes em relação a 2008, no início da década mais de 800 mil pessoas estavam escolhendo anualmente a Alemanha como o seu novo lar.

A maioria dos que decidiram partir consiste de estrangeiros que retornaram aos seus países de origem, sendo que os principais destinos dessas pessoas foram a Polônia (123 mil), a Romênia (44 mil) e a Turquia (40 mil). Dos 155 mil alemães que optaram por deixar o seu país natal, a maioria partiu para os Estados Unidos e a Suíça.

Houve uma ligeira queda da emigração, com 4.000 pessoa a menos deixando o país do que em 2008. Os especialistas acreditam que a recessão global foi um fator que contribuiu para isso, já que os candidatos a emigrantes sabem que enfrentarão dificuldades para encontrar empregos no exterior. A Espanha, por exemplo, há muito tempo vinha sendo uma escolha popular dos emigrantes alemães, mas o elevado índice de desemprego espanhol está agora desencorajando a emigração alemã.

“A imagem da Alemanha não é exatamente convidativa”

Klaus J. Bade, diretor do Conselho de Especialistas para Assessoria sobre Integração e Migração (SVR, na sigla em alemão), argumenta que a Alemanha precisa encontrar uma forma de se tornar mais atraente tanto para alemães quanto para imigrantes. Ele afirma que muita gente que está deixando a Alemanha reclama das “hierarquias estreitas nas companhias alemãs, das poucas chances de ascender na carreira e da falta de justiça no que se refere ao reconhecimento do desempenho do trabalhador”. Por outro lado, pessoas de outros países ficam com um pé atrás na hora de imigrar devido à fama da Alemanha de não receber bem os estrangeiros, uma imagem que “não é exatamente convidativa”, disse Bold ao jornal alemão “Hamburger Abendblatt”.

Uta Koch, da agência de ajuda humanitária Raphaels Werk, com sede em Hamburgo, que presta informações a emigrantes e a migrantes que retornam ao seus países, diz que a opção de deixar o país de origem pouco tem a ver com uma busca de aventuras. “A maioria das pessoas acha difícil deixar a Alemanha”, declarou ela ao jornal “Die Welt”. A decisão é tomada devido ao medo do desemprego doméstico, ou à esperança de obter melhores salários e uma estrutura mais favorável de educação e serviços para os filhos no exterior, explicou ela.

O especialista em migração do Partido Verde, Memet Kilic, diz que os números mostram que “a Alemanha não é mais um país tão atraente, especialmente para os imigrantes”. Ele observa o fato de que atualmente há dez mil pessoa a mais partindo da Alemanha para a Turquia do que fazendo o percurso inverso.

Reiner Klingholz, do Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento, disse ao jornal de finanças “Handelsblatt” que, para que a economia compensasse a queda da taxa de natalidade, seria necessária “uma imigração adicional de meio milhão de pessoas por ano até 2050 – algo que é improvável que aconteça.

Tradutor: UOL

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