Museu alemão apresenta concepções artísticas para sobreviver em um planeta em aquecimento

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    Arquiteto Vincent Callebaut imagina ilha flutuante para refugiados do aquecimento global

    Arquiteto Vincent Callebaut imagina ilha flutuante para refugiados do aquecimento global

Percebendo a resposta meio indiferente da humanidade à alteração climática global, um museu em Hamburgo está apresentando cenários fantásticos de como os seres humanos poderiam adaptar-se ao desastre. “Cápsulas Climáticas”, uma exposição que teve início na sexta-feira (28/05), faz um exercício de imaginação a respeito de populações do futuro vivendo em cidades oceânicas e outras ambientes artificiais e auto-sustentáveis.

Manchetes sobre a mudança climática são mais abundantes do que as medidas políticas para deter o processo de aquecimento global. Entre os indivíduos e instituições que acreditam que as previsões sombrias irão se materializar está o Museum für Kunst und Gewerbe (Museu de Artes e Artefatos), em Hamburgo. A sua exposição Cápsulas Climáticas, que teve início na sexta-feira, questiona como os seres humanos poderão sobreviver em um planeta que passa por um processo de aquecimento.

 Os organizadores compilaram uma lista de estratégias arrojadas, e por vezes burlescas, para o enfrentamento da ameaça de um mundo cada vez mais inóspito. O curador Friedrich von Borries observa que, em meio a todo o debate a respeito da mudança climática, pouco se tem discutido possíveis soluções para o problema. Em vez disso o foco tem se concentrado intensamente na desaceleração ou na contenção da tendência de aumento de temperatura, ainda que muitos danos já tenham sido provocados.

“Na busca por soluções alternativas, existe uma categoria que é substancialmente menos discutida em público: a adaptação”, declarou o museu em um comunicado à imprensa.

Em Cápsulas Climáticas, artistas, designers e arquitetos pensaram em soluções em estilo de ficção científica. O arquiteto Vincent Callebaut, por exemplo, leva o escapismo ao extremo com o seu plano de uma cidade flutuante chamada Lilypad, que constituir-se-ia em um abrigo no oceano para os refugiados da mudança climática.

Outras ideias exibidas não são tão modernas como parecem: em 1960, Buckminster Fuller e Shoji Sadao criaram o projeto para uma utópica “Cúpula sobre Manhattan”, que consiste de uma cúpula de vidro de 3,2 quilômetros sobre Midtown, que controlaria as temperaturas experimentadas pelos novaiorquinos tanto no verão quanto no inverno.

Nuvens falsas

A exposição de Hamburgo também explora a ideia de intervenções químicas e físicas para moderar o clima. Entre os planos drásticos exibidos está o Projeto Cirrus, do exército dos Estados Unidos, uma experiência de 1947 para enfraquecer um furacão caribenho por meio da “semeadura” das suas nuvens. Há também propostas mais modestas, como pintar telhados e ruas com tinta branca refletora a fim de reduzir o aquecimento global.

Os artistas que participam da exposição sugerem que no futuro os seres humanos poderão ter que se afastar ainda mais do que hoje do meio ambiente. A exposição tem início com um dispositivo incomum criado pelo artista Pablo Reinoso, residente em Paris. Dois visitantes por vez podem colocar as suas cabeças dentro de uma estrutura feita de tecido inflável, compartilhando o ar que respiram dentro do espaço fechado semelhante ao de uma cápsula.

A série de fotografias de Ilkka Halso, “Museu da Natureza”, é também surpreendente. As suas montagens digitais transferem florestas, lagos e rios para prédios de museus imaginários, transformando a vida selvagem cotidiana em exposições exóticas.

A exposição teve início em 27 de maio de 2010, e terminará no dia 8 de agosto.

Tradutor: UOL

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