Barco judeu-alemão desafiará o bloqueio israelense à Faixa de Gaza

Charles Hawley

Um grupo de judeus-alemães intensificou esforços no sentido de enviar uma missão humanitária à Faixa de Gaza, em um desafio ao bloqueio marítimo imposto pelos israelenses. Cresce a impressão de que o grupo terá bastante concorrência. As águas próximas à Faixa de Gaza prometem ficar bastante movimentadas neste verão mediterrâneo.

Durante anos, as águas ao largo do litoral da Faixa de Gaza estiveram relativamente calmas. Desde que Israel impôs um bloqueio aéreo, terrestre e naval à região, após a ascensão do Hamas ao poder em 2007, um número cada vez menor de visitantes arriscou-se a viajar até lá. Até mesmo a indústria local de pesca sofreu terrivelmente com o bloqueio.

Agora, porém, pouco mais de uma semana após o ataque israelense contra uma flotilha de ajuda humanitária que seguia para a Cidade de Gaza – uma operação militar que resultou em nove mortos e na condenação mundial de Israel –, ao que parece o tráfego marítimo para lá poderá em breve se intensificar. Vários grupos ameaçaram enviar navios para desafiar o bloqueio israelense, entre eles um grupo de ativistas judeus da Alemanha.

“Nós queremos acabar com a ocupação da Faixa de Gaza e também com a da Cisjordânia”, afirmou a “Spiegel Online” Kate Katzenstein-Leiterer, integrante do comitê executivo da instituição Judeus Europeus por uma Paz Justa, que está organizando a missão. “Como judeus, nós queremos levar aos palestinos produtos que não sejam bombas”.

As doações não param de chegar

Raio-x de Israel:

  • Nome oficial: Estado de Israel
    Governo: Democracia Parlamentar
    Capital: Jerusalém
    Divisão administrativa: 6 distritos
    População: 7.233,701
    Idiomas: Hebraico (oficial), árabe (usado oficialmente pela minoria muçulmana) e inglês
    Grupos étnicos: Judeus 76.4%, muçulmanos 16%, árabes cristãos 1.7%, outros cristãos 0.4%, druzes 1.6%, sem especificação 3.9%
    Fonte: CIA World Factbook

Ela diz que de oito a 16 pessoas estarão a bordo da embarcação, que deverá navegar rumo à Faixa de Gaza em meados de julho. O navio, cuja atual localização no Mar Mediterrâneo está sendo mantida em segredo, transportará material escolar, instrumentos musicais, roupas infantis e “produtos para crianças que Israel proibiu, como doces e chocolates”.

A ideia do projeto não é nova. O grupo, composto de judeus pró-palestinos da Alemanha e de toda a Europa, começou a arrecadar verbas para a missão em 2008. Mas o ataque israelense contra uma flotilha de ajuda humanitária no início da semana passada fez com que aumentasse o interesse pelo projeto e a possibilidade de que ele pudesse tornar-se uma realidade. De acordo com Katzenstein-Leiterer, as doações não param de chegar desde o ataque israelense de 31 de maio.

Entretanto, o ataque demonstrou também que uma missão desse tipo pode ser perigosa. “Nós estamos bastante preocupados devido ao que aconteceu”, afirmou Katzenstein-Leiterer. “Nós tememos que possamos também acabar nos envolvendo em um embate, o que é algo que não desejamos. Nós não apelaremos para a violência”.

Porém, quando eles chegarem às águas ao largo da costa da Faixa de Gaza, há motivos para acreditar que a paciência israelense em relação a essas tentativas de furar o bloqueio imposto ao território palestino terá praticamente se esgotado. Além do grupo judeu-alemão, outros grupos também indicaram o seu interesse em enviar embarcações à Faixa de Gaza. O governo iraniano anunciou na última segunda-feira que enviaria dois navios carregados de produtos de ajuda humanitária do Crescente Vermelho Iraniano para a Faixa de Gaza neste verão. O comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou que a marinha iraniana está preparada para escoltar os navios. E a Turquia – cujo ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, chamou recentemente a operação israelense de “o 11 de setembro da Turquia” - também indicou o seu interesse em enviar mais navios à Faixa de Gaza em um futuro próximo.

Acalmando nervos irritados

Israel jurou que dará continuidade ao seu bloqueio à Faixa de Gaza, reiterando a sua preocupação com a possibilidade de que o Irã, especialmente, tente contrabandear armas e munições para os militantes islamitas do Hamas. Mesmo assim, autoridades israelenses disseram na quarta-feira (09/06) que o país está aumentando a lista de produtos alimentares que poderão ser transportados para dentro do território, o que é o primeiro sinal de que Israel deseja acalmar os nervos globais irritados devido ao ataque à flotilha de ajuda humanitária.

Além disso, a União Nacional de Estudantes Israelenses espera ser capaz de enviar 300 iates e dois navios em direção à Turquia com o objetivo de interceptar qualquer navio adicional de ajuda humanitária e dialogar com eles.

“Nós lhes diremos que, se eles desejarem ajudar os moradores da Faixa de Gaza, nós teremos prazer em transportar a ajuda humanitária”, diz um comunidade do grupo à imprensa. “Nós gostaríamos também de discutir a questão armênia e o problema da minoria curda na Turquia”.

Já os Judeus Europeus por uma Paz Justa também estão interessados no diálogo e tentaram por duas vezes entrar em contato com a Embaixada de Israel em Berlim para discutir a viagem iminente do navio de ajuda humanitária. Mas, segundo Katzenstein-Leiterer, até o momento eles não receberam nenhuma resposta da embaixada israelense.

Tradutor: UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos