Alemanha lançará programa para deserção de militantes islâmicos

  • Dar Yasin/AP

    Muçulmanos gritam slogans islâmicos durante uma procissão para comemorar o aniversário do nascimento do profeta Maomé em frente à mesquita de Hazratbal, na cidade de Srinagar, Índia

    Muçulmanos gritam slogans islâmicos durante uma procissão para comemorar o aniversário do nascimento do profeta Maomé em frente à mesquita de Hazratbal, na cidade de Srinagar, Índia

A Alemanha tem oferecido programas para as pessoas que querem sair da cena neonazista há anos. Agora, numa tentativa de combater a ameaça do terrorismo islamista, as autoridades estão providenciando uma linha telefônica para aqueles que estiverem dispostos entregar a desistir da jihad.

Será que os islamistas precisam apenas de uma ajuda para voltar as costas ao extremismo? Isso, pelo menos, é o que a Alemanha espera – e montou um novo programa para facilitar o processo.

A agência de inteligência doméstica do país, o Escritório Federal para Proteção da Constituição, lançará o chamado programa de saída no final de junho, anunciou o chefe da agência Heinz Fromm na segunda-feira, durante uma apresentação do relatório anual de 2009 do serviço em Berlim. A agência vai disponibilizar uma linha telefônica para a qual os militantes islamistas possam ligar se quiserem abandonar os grupos islamistas radicais. Especialistas multilíngues estarão disponíveis para aconselhar os potenciais desertores em turco ou árabe, assim como em alemão, disse Fromm, sem dar mais detalhes sobre o programa.

O ministro de Interior Thomas de Maizière descreveu o esquema como “um valioso esforço preventivo”. Fromm entretanto alertou contra o excesso de expectativas em relação ao programa. “Teremos que esperar e ver se ele recebe uma boa resposta”, disse. Os programas da agência para os neonazistas que querem abandonar seus grupos, e que há vêm acontecendo há vários anos, tiveram apenas um sucesso moderado.

“Sentimentos de insegurança”
De acordo com descobertas da agência de inteligência, o número de membros e apoiadores de grupos islâmicos radicais aumentou em cerca de 5% em 2009 em comparação com o ano anterior. A Alemanha tem agora 29 organizações islâmicas com cerca de 36 mil membros ao todo, e a maior é a associação turca Milli Görüs, descrita pelo Escritório de Proteção da Constituição como “antidemocrática.”

Fromm e Maizière alertaram sobre uma ameaça corrente à Alemanha pelo terrorismo islamista. Em 2009, o Escritório para Proteção da Constituição registrou uma série “sem precedentes” de mensagens de propaganda islamista direcionadas à Alemanha, alertando sobre ataques contra alvos alemães se o país não retirasse suas tropas do Afeganistão. As mensagens tinham a intenção de influenciar o resultado da eleição geral de setembro de 2009. Entretanto, os ataques prometidos não se concretizaram. Houve sete tentativas sérias de realizar ataques terroristas islamistas na Alemanha desde 2000, de acordo com a agência.

O terrorismo “doméstico” apresenta uma ameaça particular na Alemanha. Os membros de grupos islâmicos radicais incluem jovens alemães que se converteram ao Islã, um fenômeno que Maizière atribui a “situações de perda e incerteza” durante a puberdade. “Sentimentos de inferioridade” tornam os jovens vulneráveis a serem induzidos à cena islamista radical, diz ele.

Violência de ambos os lados
A agência também registrou um aumento considerável nos atos de violência motivados pelo extremismo de esquerda em 2009, que aumentou em mais de 50% para cerca de 1.100. O número de ataques incendiários aumentou de 62 em 2008 para 113 em 2009. Ataques incendiários contra carros em cidades como Berlim e Hamburgo receberam bastante atenção da mídia nos últimos anos. Fromm minimizou a ameaça de atos terroristas por extremistas de esquerda, entretanto. Embora algumas pessoas da extrema esquerda brinquem com “a ideia de tentar algo do tipo, (essas ideias) não costumam encontrar apoio”, disse Fromm.

Houve uma pequena queda em atos de violência da direita em 2009, de 1042 em 2008 para 891em 2009. Maizière enfatizou que, apesar da queda, a ameaça da violência de extrema direita não deve ser “negligenciada”.

Tradução: Eloise De Vylder

 

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