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O novo milagre econômico alemão

Markus Dettmer, Dietmar Hawranek, Guido Kleinhubbert, Alexander Neubacher, Christian Reiermann, Friederike Schröter e Janko Tietz

  • Gero Breloer/AP

    Angela Merkel, chanceler alemã

    Angela Merkel, chanceler alemã

No pior da crise financeira global, Berlim bombeou dezenas de bilhões de euros na economia e gastou centenas de bilhões assegurando bancos alemães. Agora, o país está colhendo os benefícios dessas medidas, e a Alemanha voltou a ser o motor econômico da Europa. Era uma oportunidade de fotografia daquelas que a chanceler Angela Merkel precisa urgentemente. Peter Löscher, diretor da gigante eletrônica Siemens, estava sentado em uma cadeira que parecia um trono no palácio do governador na cidade de Yekaterinburg, no centro da Rússia. Ele recebia pastas de couro marrom com contratos e, a cada um que assinava com sua elegante caneta verde malaquita, a chanceler aplaudia com deleite. O procedimento ocorreu quatro vezes e, quando terminou, a Siemens tinha garantido um total de 4 bilhões de euros (cerca de R$ 10 bilhões)em encomendas russas. O verdadeiro propósito da visita de Merkel à Rússia e à China na semana passada era ter conversas políticas com os líderes dos dois países, mas a mensagem mais importante da viagem seria para o povo alemão. Merkel parecia indicar aos seus cidadãos que a indústria alemã está em demanda no mundo todo, mesmo que o governo em casa esteja dividido e sem direção. A economia alemã de fato voltou rugindo à vida neste verão. Dois anos após o início da crise financeira, a indústria automobilística está novamente acrescentando turnos. As indústrias de máquinas, eletrônicos e química estão registrando um crescimento rápido no número de encomendas. O desemprego total deve cair abaixo dos 2,8 milhões neste outono, o nível mais baixo desde 1991. Pela primeira vez em décadas, o antigo “doente da Europa” voltou a ser um motor de crescimento econômico. De acordo com uma avaliação do governo, o PIB do país aumentou em mais de 1,5% no segundo trimestre deste ano. Em sua última estimativa, em abril, o governo havia previsto um aumento no PIB de apenas 0,9%. A produção da indústria manufatureira cresceu 5% sobre o trimestre anterior. A avaliação do governo também mostra que as exportações expandiram em mais de 9% em maio. “Número um na Europa” Se a tendência continuar, a economia alemã vai crescer bem acima de 2% neste ano, ou quase o dobro que seus países vizinhos, segundo os especialistas. Economistas já estão proclamando um segundo milagre econômico, enquanto o ex-ministro de relações exteriores francês está reclamando que a Alemanha é “número um da Europa” novamente.

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