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01/12/2004
Ministros admitem que a educação vai mal na AL

Carmen Morán
Em Madri


A Semana Monográfica de Santillana, realizada na semana passada em Madri, reuniu vários ministros e responsáveis pela Educação de países latino-americanos. Quatro deles expõem os principais problemas do ensino em seus países. Suas economias, afogadas pela dívida e pela pobreza, definem os principais problemas e marcam as prioridades de suas políticas educacionais.

Professores com salários exíguos, alto número de crianças sem escola e abandono escolar precoce são algumas deficiências indicadas. Como meta da reunião, uma conferência que reunirá em 2005 na Espanha diversos países para aperfeiçoar um projeto em virtude do qual se trocará dívida por programas educativos.

  • Daniel Fernando Filmus, ministro da Educação da Argentina:
    "O objetivo é uma educação média de qualidade"


    O ministro argentino afirma que em seu país se vive um clima "de vontade de recuperação" dos efeitos da terrível crise institucional e econômica pela qual passou o país há alguns anos. Nesse período, ele explica, a escola teve um papel fundamental.

    "Enquanto a sociedade expulsava grandes setores da população, só havia uma instituição para incorporá-los: a escola." Ele afirma que as matrículas continuaram aumentando naqueles anos. A prioridade agora é a qualidade.

    Pergunta: Que parte da educação se ressente mais com a crise?

    Temos níveis de 100% na escola básica, e até os 17 anos 92% das crianças estão matriculadas. Mas durante a crise a escola que ensinava passou a desenvolver uma função assistencial. Os professores tiveram que atender violência, alimentação, até eliminar piolhos. Agora temos de dar ênfase à qualidade. As crianças não estão na escola só para ter um certificado e assistência social, mas para aprender.

    Pergunta: E o professorado?

    A primeira medida do governo foi pagar os salários dos professores; alguns não recebiam havia quatro meses. Agora estão em dia, a ponto de que se as províncias não pagam os salários o país o faz, mas depois se desconta da província a co-participação. O problema está no professorado de educação média. Faltam professores para algumas disciplinas. E também tentamos recuperar o prestígio social dos docentes. Damos bolsas para que os melhores alunos sigam a carreira docente.

    Pergunta: Quais são as outras prioridades educacionais?

    O objetivo principal é uma educação média de qualidade que sirva para continuar estudando, que esteja vinculada ao trabalho e que forme uma cidadania responsável e ativa.

    Pergunta: O ensino médio está desligado do mercado de trabalho?

    Nos anos 90 se eliminou a educação técnica, e agora a formação profissional passou a ser uma necessidade imperiosa. Temos muitos profissionais universitários, mas em profissões básicas como construção, calçados, microeletrônica, mecânica, não temos técnicos. É preciso cobrir isso.

    Pergunta: Anunciou-se para 2005 uma reunião na Espanha para tratar da troca da dívida externa por programas escolares. Como a Argentina concretizaria essa troca?

    Ainda falta discutir as cifras, mas o importante é que se a dívida for perdoada seja utilizada para os fins propostos. Nos comprometemos a adicionar ao orçamento já acordado os recursos que sejam concedidos. O dinheiro irá para a educação básica e para bolsas para os alunos mais necessitados. Para garantir a eficiência e a transparência, propusemos a criação de um comitê de ONGs e organismos internacionais para que os recursos cheguem às escolas.

  • Tarso Genro, ministro da Educação do Brasil:
    "Faltam financiamento e professores de ciências"


    No que se refere à educação, a preocupação fundamental para o Brasil é o financiamento da etapa básica. Não há dinheiro suficiente. "A solução seria reorganizar o fundo público nacional de financiamento, já que o sistema atual está esgotado", afirmou o ministro da Educação do Brasil, Tarso Genro, durante sua visita à Espanha na semana passada para participar das jornadas educativas da Fundação Santillana.

    "Os professores têm esse mesmo problema, porque se não há financiamento não há salários. Necessitam de uma melhor remuneração porque a que têm hoje é muito baixa, em alguns casos ridícula", reconhece.

    Apesar de tudo, o ministro afirma que o próximo ano será o do investimento na educação brasileira. "Atualmente, para a educação fundamental circulam US$ 9 bilhões, e precisamos de US$ 15 bilhões ao todo. Para toda a educação básica", disse.

    O ministro afirma que outra das carências fundamentais de seu sistema educacional é "a falta de professores de matemática, física, biologia e química". As avaliações internacionais que medem os resultados educativos não situam o Brasil no melhor lugar. "Os maiores problemas dos alunos brasileiros são matemática e português", duas disciplinas básicas para os alunos.

    Além do financiamento, o Brasil espera a troca de sua dívida externa por programas de educação, uma medida com a qual se comprometeu o governo espanhol.

  • Cecilia M. Vélez, ministra da Educação da Colômbia:
    "As famílias ainda pagam boa parte da educação"


    A ministra da Educação da Colômbia, Cecília Maria Vélez, acredita que a trajetória educacional espanhola pode servir de referência para compartilhar experiências e buscar soluções para os problemas que seu país apresenta nesse setor.

    Entre eles, cita como mais importantes a "cobertura escolar incompleta no ensino básico e médio". "Nesses níveis estamos em 84%, e pretendemos alcançar 90% em breve. Precisamos que todos tenham pelo menos pelos 11 anos de educação básica."

    "Também é preciso melhorar a qualidade. Estamos na média latino-americana em aptidões educacionais, mas isso está abaixo das médias internacionais", acrescenta.

    O investimento colombiano em educação "representa 4,5% do PIB do país". "Cresceu muito na última década, mas há margem para se investir mais, porque as famílias pagam boa parte da educação", diz.

    Quanto aos resultados nas avaliações internacionais, ainda estão "nos últimos lugares nas aptidões básicas para enfrentar o século 21".

    "Melhoramos em leitura e escrita, mas dificilmente em matemática. É o principal problema. Em compreensão de leitura e escrita estamos entre os sete países com mais dificuldades, mas aí temos uma melhor capacidade de reação. Talvez porque os professores tenham apresentado propostas novas nessa matéria. Mas em matemática sentimos que é quase impossível avançar, precisamos de propostas mais lúdicas; é necessária uma boa formação didática para o professorado", afirma a ministra.

    "Quanto à expressão, sentimos que é uma aptidão de nossos alunos que nos ajuda a compensar, mas estamos preocupados com a compreensão de leitura e com a leitura crítica dos textos."

    Diante desses problemas, a Colômbia define como prioridades a ampliação da cobertura escolar para "alcançar os grupos vulneráveis, os excluídos, as áreas rurais e os deslocados pela violência".

    "Temos de enfatizar nas aptidões básicas que os alunos devem alcançar, leitura e escrita e ciências", salienta a ministra colombiana.

    "Por outro lado, para resolver nosso conflito de forma pacífica precisamos que os jovens aprendam a desenvolver juízos morais, pensamentos críticos, porque esse conflito está permeado pela violência e pela droga, e a longo prazo é importante o que a educação puder fazer para mudar isso", afirma. O uso eficaz dos recursos é outra das medidas que ela cita.

  • Lorenzo Gómez-Morín, subsecretário de Educação Básica do México: "Temos 25 milhões de alunos no nível básico"

    Apesar do "grande esforço que o país fez para aumentar a cobertura educacional", no México "persistem as desigualdades e continua havendo crianças e jovens sem acesso à educação nas regiões de maior pobreza", explica Lorenzo Gómez-Morín, subsecretário de Educação Básica e Normal do México.

    "Do gasto total programável do Estado, o México investe em educação 26 centavos de cada peso. Se combinarmos as diferentes fontes de financiamento, são mais de 6% do PIB."

    Os estudantes mexicanos não tiram notas muito boas nas avaliações internacionais. "Nas da OCDE, os resultados em aptidão de leitura, lógica matemática e língua estamos em penúltimo lugar. Mas é preciso levar em conta que temos 25 milhões de alunos só no ensino básico e cerca de 200 mil escolas rurais, um milhão de professores e 62 variantes de dialetos, além do espanhol".

    Apesar dessas dificuldades, os mexicanos sentem com orgulho que suas crianças "vão para a escola contentes e têm os professores em grande estima".

    Depois do relatório Pisa de 2000, o México implementou "um programa de leitura que levou às aulas, da pré-escola ao nível secundário, mais de 60 milhões de livros. Esperamos os resultados para daqui a três ou quatro anos", afirma Gómez-Morín.

    Por outro lado, se inicia um movimento para "colocar a escola no centro de gravidade". "Isso implica mudanças estruturais, reorientação de gastos, novos modelos de gestão. Hoje um dos desafios é que papel a educação pode ter na convivência e na democracia de nossos países".

    Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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