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25/08/2005
Inundações matam dezenas e desabrigam milhares de pessoas na Europa

José Comas
Em Berlim


O nível das águas começa a baixar nos países do centro e do sudeste da Europa, atingidos por inundações que já deixam um saldo de mais de 30 mortos, milhares de desalojados, centenas de milhões de euros em prejuízos, estradas e ferrovias interrompidas e muitos povoados e cidades isolados.

Na Romênia, sete idosos arrastados pelas águas na região da Transilvânia elevam para 25 o número de mortos nos últimos dias. Na Suíça contabilizam-se sete mortos e na Áustria, quatro. A rádio Romania informa sobre nove mortos e cerca de mil evacuados nas últimas 48 horas. É a terceira inundação na Romênia depois das de maio e julho deste ano, que causaram a morte de dezenas de pessoas e prejuízos em torno de 1 bilhão de euros.

Na Alemanha, as inundações no Estado da Baviera adquirem uma conotação política especial, por ocorrerem em plena campanha eleitoral e associarem-se à catástrofe ocorrida há três anos. Na ocasião, o chanceler social-democrata, Gerhard Schröder (SPD), reagiu com rapidez e visitou imediatamente o centro das inundações, na Saxônia.

Schröder derrotou por 6.017 votos o candidato democrata-cristão, o primeiro-ministro da Baviera, Edmund Stoiber, que chegou mais tarde e perdeu votos decisivos.

A coincidência das inundações com a campanha eleitoral lembra a situação de três anos atrás, quando Schröder soube tirar partido da catástrofe e ganhar votos às custas de Stoiber. Na ocasião, o então derrotado primeiro-ministro da Baviera jogava em casa e o chanceler se adiantou.

Schröder deverá visitar hoje a área das inundações. Em uma primeira reação, ele se mostrou um estadista ao declarar que não se trata agora de tirar capital político da catástrofe. No entanto, o chanceler não deixou de mencionar que as economias excessivas do governo da Baviera poderão custar caro. Alguns porta-vozes social-democratas acusam o governo da Baviera de ter cortado as verbas para prevenção dessas catástrofes.

O ministro federal do Interior, Otto Schily (SPD), aproveitou a ocasião para pedir mais poderes para os órgãos federais na prevenção e atuação em casos de catástrofe.

Fúria da natureza

O alarma passou das regiões alpinas da Suíça, Áustria e Alemanha a rios como o Danúbio, o Inn e o Isar, que sofrem fortes cheias. Mais de 2 mil soldados trabalhavam no Estado de Vorarlberg, na Áustria, que está parcialmente incomunicável com o restante do país, acessível somente pela Alemanha, e se esforçavam para restabelecer as comunicações terrestres, em alguns casos com a construção de pontes de emergência.

Nos Alpes da Suíça e da Áustria, centenas de turistas que passavam férias ficaram isolados. Na televisão suíça, foram mostradas cenas de pessoas isoladas pelas águas, penduradas de helicópteros que as resgatavam. Uma mãe com um bebê de dois meses nos braços relatou o medo que havia passado.

Ao fazer o balanço do ocorrido, elevam-se as vozes de organizações ecológicas e especialistas que advertem sobre os riscos decorrentes das mudanças climáticas e da destruição do meio ambiente.

Segundo o banco de dados da empresa de seguros Rück, de Munique, citada pelo serviço de notícias Spiegel Online, entre 1950 e 1959 ocorreram em todo o mundo 13 catástrofes provocadas pelo clima. Esse número subiu para 74 entre 1995 e 1999.

Os ecologistas atribuem o aumento à mudança do clima no mundo. A organização ecológica alemã Bund constata a destruição das bacias dos rios, por onde circulavam as águas em caso de chuvas torrenciais. Segundo a Bund, os rios Reno e Elba contam hoje com somente 20% de suas bacias originais.

O especialista em clima Mojib Latif, da Universidade de Kiel, uma autoridade na matéria, declarou na televisão regional alemã NDR que o ocorrido "é apenas o começo" e mencionou as condições extremas do clima, com períodos de seca no sul da Europa e inundações no centro.

Segundo Latif, "o acúmulo de situações extremas é um primeiro indício de que o aquecimento global já influi na meteorologia do dia-a-dia".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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