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13/05/2006
A rua ao vivo

Daniel Verdú
em Madri


Dois grandes festivais abriram a primavera musical em Barcelona e em Madri, ambos dedicados ao hip-hop e à cultura urbana. Na semana passada se realizou o Urban Funke na cidade de Condal; hoje começa em Madri a segunda edição de Cultura Urbana. Mais de 80 apresentações de grupos e MC's tão consolidados quanto Los Violadores del Verso, Frank-T ou Arianna Puello e a oportunidade de confirmar novos talentos como Black Bee. O festival conta com um orçamento que beira 1 milhão de euros e está prevista a presença de 35 mil pessoas.

Os sons e ritmos quebrados e as rimas afiadas de um MC tocariam na trilha sonora da globalização. A tendência musical foi se instalando nas diversas regiões do mundo e adaptando-se às características de cada território.

Japão, África do Sul, Brasil, Espanha, França, Índia... Bandas que foram incorporando os sotaques de sua cultura, de seus problemas sociais e dos sons autóctones aos padrões básicos de uma música que, como quase todas as populares, nasceu do impacto da cultura negra em um mundo branco. Uma relação consumada, inicialmente, nas ruas das grandes cidades americanas, mas na qual hoje em cada rima se pode sentir o cheiro do asfalto de outras terras.

"Falar de hip-hop hoje em dia é falar de world music", explica Ricard Robles, co-diretor e programador do festival de música avançada Sónar.
O festival, tradicionalmente dedicado à música eletrônica, começou a abrir-se há alguns anos para o fenômeno da música rap, incorporando a seu cartaz bandas como Gangstarr ou De la Soul. "É um dos campos em que houve mais ousadia e experimentação nos últimos anos, e essa é a essência do evento."

Este ano desfilarão pelo Sónar representantes do gênero como Dj Shadow, Dj Krush ou Dj Diplo. Este último também é o melhor exemplo da evolução do gênero e de sua mestiçagem. Baseado no Rio de Janeiro, foi um dos responsáveis pelo fato de o som baile funk -também uma variante do gênero- das favelas ter chegado às discotecas européias.

Na Espanha, diante do discurso esgotado do pop e do rock e de um mercado saturado de música eletrônica, o hip-hop foi abrindo caminho através de sua segunda eclosão. A primeira, no início dos anos 90 e através de produtores hoje famosos como Frank-T, não se consolidou.

Viviam perto da base militar de Torrejón de Ardoz e escutavam o que os soldados americanos traziam. Por isso talvez a mensagem fosse um pouco fora de contexto. "Os jovens se identificam mais com Mala Rodríguez do que com aquele fenômeno inicial. Não eram mensagens que pudessem encontrar na rua.

Agora ocorreu uma renovação do som e as letras se conectam à realidade", explica Robles.

Nos últimos anos o surgimento de bandas e MC's nacionais como SFDK, La Mala Rodríguez, La Excepción, Violadores del Verso ou Tote King conseguiu sintonizar de forma maciça os jovens espanhóis. "O hip-hop é uma coisa divertida e barata. Qualquer rapaz pode sair para pintar grafites, fazer rimas e produzir sua música com um computador. Não é preciso grandes somas de dinheiro. Só talento", explica o sevilhano Tote King, um dos maiores expoentes da nova geração.

A Espanha conta atualmente com dois importantes festivais dedicados à cultura de rua: Urban Funke em Barcelona e Cultura Urbana em Madri. Este último, que ocorre hoje e amanhã no Matadouro de Legazpi, espera reeditar o êxito de sua primeira versão e prevê a presença de cerca de 35 mil jovens vindos de toda a Espanha. Mas o hip-hop não é só música. Também se manifesta através da dança, breakdance, e da street art, com a cultura do grafite.

"Hoje hip-hop é isso, a rua ao vivo", disse Mucho Muchacho com seu grupo Sete Notas, Sete Cores. Por isso o festival incluirá atuações relacionadas a todas essas formas de expressão urbana.

"Este festival é a confirmação de que a tendência continua. O hip-hop espanhol amadureceu. Mas não vamos nos enganar, o negócio não é grande. A orelha de van Gogh ainda vende mais que todos esses grupos", explica Imma Grass, da gravadora BOA, que, junto com a prefeitura de Madri e a Fundação Autor, organiza o festival.

O hip-hop é a matriz de uma infinidade de novos estilos musicais. O trip-hop inglês, o regeaton latino, o baile funk das favelas brasileiras... Estilos que muitas vezes chegaram às pessoas antes que o próprio som original. "O trip-hop, através de grupos como Portishead ou Massive Attack, foi a ponte entre as pessoas que escutavam eletrônica e rock e o hip-hop", lembra Robles.

O MC (mestre de cerimônias) é uma espécie de cantor-compositor pós-moderno. "O que interessa à garotada no hip-hop é a mensagem. O discurso contido na música comercial não tem nenhum interesse", explica Óscar, do grupo SFDK.

"Trabalhamos sobre os padrões originais do hip-hop americano, mas pouco a pouco o fomos modificando e adaptando. A França é um exemplo dessa assimilação", acrescenta.

Esse país é, juntamente com a Inglaterra, o território europeu onde o hip-hop soube adaptar-se melhor. A imigração e a mestiçagem contribuíram para a introdução do gênero nos bairros mais pobres, que logo se estendeu, como todos os fenômenos "underground", para os bairros ricos. E deve ser tal o poder que se atribui à mensagem que muitos o apontaram como a fagulha que incendiou as últimas revoltas na periferia parisiense.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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