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03/11/2006
Europa poderá readotar visto de turismo para latino-americanos

Peru Egurbide
enviado especial a Montevidéu


O ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, tocou o alarme ontem ao lembrar, em entrevista ao jornal argentino "Clarín", a possibilidade de que a União Européia volte a adotar o visto de turismo para os latino-americanos.

A advertência do ministro, cheia de cautelas e de condicionais, não se refere a nenhum país concretamente. Mas, feita às vésperas de uma cúpula que terá como tema central as migrações, e que os latino-americanos abordam geralmente com a sensibilidade de países emissores, foi recebida com inquietação até mesmo na Argentina, origem do terceiro coletivo de imigrantes na Espanha, depois de Equador e Colômbia.

O tema será sem dúvida abordado pelo presidente argentino, Néstor Kirchner, no encontro bilateral que terá em Montevidéu com o primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero.

Outra declaração de Moratinos ontem foi que, apesar de o apoio da cúpula ao processo de paz no País Basco "não estar na agenda", nada impede que possa estar, porque teria apoio garantido. O governo espanhol voltou a explicar ontem que essa frase, dita na segunda-feira pelo ministro, vale apesar de o tema efetivamente não estar na agenda da cúpula, e reiterou que Zapatero não teve nem tem a menor intenção de discutir o processo de paz nesse fórum.

É notório que as cúpulas ibero-americanas representam um coletivo heterogêneo, no qual convivem sensibilidades muito díspares em relação ao terrorismo da ETA. O precedente de José María Aznar, que em 2000 bloqueou a cúpula do Panamá ao pedir a condenação dos terroristas bascos, deu um exemplo do debate indesejável que uma iniciativa desse tipo pode provocar. A Colômbia, sim, pediu o apoio dos 22 parar as negociações com as Farc e a FLN.

Além de Kirchner, pode-se ter como certo, segundo Madri, que Zapatero aproveitará esta ocasião anual de rever as relações da Espanha com os países do mundo latino para se reunir com a dúzia de líderes ibero-americanos que contam, se se prescindir dos caribenhos.

Não é provável que tenha contato direto com a delegação cubana, já que se prevê que o nível destas seja de ministro das Relações Exteriores. Será o chanceler espanhol Moratinos quem se encarregará de continuar esclarecendo com seu homólogo, Felipe Pérez Roque, o mal-estar causado em Havana pela reunião mantida com dissidentes pelo secretário de Estado das Relações Exteriores, Bernardino León, durante a recente assembléia dos não-alinhados.

Por outro lado, parece que Zapatero se encontrará com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, na nova situação criada depois do voto espanhol a favor da Guatemala no Conselho de Segurança da ONU e o cancelamento da venda de 12 aviões espanhóis para a Venezuela, devido a barreiras técnicas impostas pelos EUA. Também se dá como certo que Zapatero se reunirá com o presidente boliviano, Evo Morales, agora que as negociações Repsol-YPFB parecem definitivamente encaminhadas.

O objetivo desses encontros, segundo fontes diplomáticas, será manter o nível de interlocução que o governo socialista espanhol deseja ter com todos os países da região, mesmo que o esforço diplomático continue se concentrando nos que desde o início desta legislatura foram indicados como estratégicos: México, Brasil, Argentina e Chile. O almoço do rei Juan Carlos e do primeiro-ministro com o líder mexicano Vicente Fox, programado para sexta-feira, é um encontro anual consolidado que reflete essas prioridades.

México e Espanha foram os promotores e continuam sendo os principais financiadores dessas cúpulas.

Madri também fechou encontros com o presidente reeleito do Brasil, Lula da Silva, e com a presidente chilena, Michelle Bachelet. Por outro lado, a Casa Rosada anunciou que o presidente Néstor Kirchner se encontrará com Zapatero para rever as relações que, qualificadas pelas duas partes como excelentes, não conseguem produzir a revisão das tarifas argentinas exigida por empresários espanhóis. Zapatero aproveitará essas entrevistas para garantir o apoio da cúpula a seu projeto de Aliança de Civilizações.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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