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11/03/2008 - 00h08

Brasil "completa" dois séculos

El País
Eric Nepomuceno

No Rio de Janeiro
Pouco antes do meio-dia de sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao Gabinete Real de Leitura, uma magnífica construção de quase dois séculos em pleno centro do Rio. Foi recebido por seu colega português, Aníbal Cavaco Silva, sob um sol inclemente. Uma banda militar executou os hinos nacionais dos dois países, houve breves e protocolares discursos de Lula e do mandatário português, e em seguida começou o almoço oferecido por Cavaco Silva. Foi o encerramento da agenda dos dois presidentes, no âmbito das comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 8 de março de 1808, depois de uma estada de 45 dias em Salvador, Bahia.

Cavaco Silva chegou ao Rio na quinta-feira e cumpriu uma agenda de atos relacionados ao bicentenário da transformação do Brasil, então colônia portuguesa, no único reino europeu instalado nos trópicos. Entre 1808 e 1822 o país foi sede da coroa portuguesa sem deixar de ser colônia. A transferência da corte lusitana para o Brasil significou uma série de profundas mudanças que terminaram servindo como berço para a construção do país.

Com João VI chegaram a imprensa e os livros, a botânica e a ciência, o teatro e a arquitetura refinada, os concertos de câmara e o primeiro museu. Feio, medroso, depressivo, o monarca português criou a Casa da Moeda, o Banco do Brasil, a Biblioteca Nacional (exatamente o Gabinete Real visitado no sábado por Lula), o Jardim Botânico e toda a estrutura administrativa do poder. Assim que chegou a Salvador, em 22 de janeiro de 1808, o rei declarou a abertura dos portos brasileiros a "todas as nações amigas". Até então o Brasil não podia fazer comércio com nenhum outro país e exportava unicamente para Portugal. A abertura dos portos é considerada uma das medidas mais importantes para o início do progresso do país, o começo de um novo tempo.

Sergio Lima / Follha Imagem -7.mar.2008 
Lula e o presidente Cavaco Silva visitam exposição sobre vinda da corte portuguesa

A chegada da corte determinou uma nova transformação. Da noite para o dia, os 15 mil integrantes da corte mudaram os usos e costumes locais; com eles surgiu uma nova cultura e foram assentadas as bases da economia que rapidamente transformaram a colônia em um país muito mais rico que a metrópole.

Tudo isso é lembrado agora com uma ampla agenda de exposições, seminários, comemorações e festividades populares em todo o país, mas principalmente no Rio, que durante 152 anos -entre 1808 e a inauguração de Brasília em 1960- foi a capital brasileira. Cavaco Silva, que foi primeiro-ministro de Portugal (1985-1995), defende agora que se aprofunde a cooperação bilateral.

Em suas conversas com grupos de empresários, intelectuais e políticos, ressaltou sempre que "o Brasil e Portugal não precisam de muito esforço para encontrar cumplicidades e interesses comuns".
VINDA DA CORTE PORTUGUESA
Caio Guatelli/ Folha Imagem - 20.jan.2008
 
OBRIGADO, NAPOLEÃO


No sábado, no almoço com Lula, o presidente português defendeu que empresários de seu país aumentem ainda mais os investimentos no Brasil. Cavaco Silva mencionou também a importância de que a data da chegada da corte lusa ao Brasil seja celebrada em uma etapa em que as relações entre os dois países se encontram em um nível "altamente positivo".

Lula respondeu que as relações atuais são "especialmente privilegiadas" e lembrou que graças a isso o Brasil pode contribuir para intensificar as relações entre todos os países de fala portuguesa.

Tudo começou há 200 anos, quando João VI soube que Napoleão Bonaparte pretendia invadir Portugal. Para preservar o poder e a coroa, em uma iniciativa especialmente ousada, o monarca decidiu transferir-se para a maior de suas colônias. Com isso transformou o Rio de Janeiro em uma espécie de Versalhes tropical, onde permaneceu -para fúria de sua mulher, Carlota Joaquina, que odiava a cidade, o povo e o país, nessa ordem- durante 13 anos.

Além das explosões de raiva da mulher, da demência senil de sua mãe e dos atropelos de seu filho maior, Pedro de Alcântara, que seduzia meia corte e criava um problema atrás do outro, João VI sofreu a zombaria da população, que o descrevia como um rei um pouco idiota, um pouco covarde, que não fazia nada além de devorar montanhas de frango assado por não se adaptar à culinária local.

A história lhe fez justiça.

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