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22/04/2008 - 00h02

Eleições no Paraguai: combate à fraude e implosão colorada marcam vitória de Lugo

El País
Jorge Marirrodriga

Em Assunção
O Paraguai, o último dos países sul-americanos dirigido por um partido hegemônico -embora sempre reste a dúvida do peronismo argentino-, assistiu na noite do último domingo, 20 de abril, à histórica vitória de uma ampla coalizão de esquerdas encabeçada pelo bispo Fernando Lugo. Com mais de 40% dos votos e 10 pontos acima da candidata oficial do Partido Colorado, Blanca Ovelar, Lugo se prepara para pilotar uma transição pacífica praticamente inédita na história do país. A tranqüilidade, a falta de incidentes e a moderação foram a tônica tanto da jornada eleitoral quanto das comemorações e declarações posteriores.

Talvez porque terminar com 61 anos de poder de um partido que se infiltrou praticamente em todos os extratos da administração seja algo quase impossível de fazer pela força, as primeiras palavras de Lugo foram para pedir "união" na hora de enfrentar o tempo de mudança que se aproxima do Paraguai. "Faço um convite muito especial a toda a classe política, a todos sem exceção", salientou o líder da Aliança Patriótica para a Mudança (APC na sigla em espanhol), a formação que em apenas oito meses conseguiu derrubar o Partido Colorado.

Diego Benitez/EFE - 20.abr.2008 
Fernando Lugo comemora a vitória nas eleições do Paraguai com seus simpatizantes
Não houve rastro dos terroristas estrangeiros que iam queimar postos de gasolina e assaltar lojas assim que saíssem os resultados, como havia profetizado 72 horas antes o presidente da República de saída, Nicanor Duarte. Embora não fosse candidato, o presidente encarnava a imagem da derrota colorada, inclusive mais que a candidata oficial. Blanca Ovelar, em um gesto que confirmou que não ocorreria a enésima fraude eleitoral paraguaia, apareceu diante de seus seguidores entristecidos para reconhecer publicamente a derrota colorada. "Saudamos a vitória de Fernando Lugo. O resultado é irreversível", salientou.

VITÓRIA DE FERNANDO LUGO
Crédito
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Para esse momento, tanto os homens da APC como os observadores internacionais haviam se movido depressa para evitar que os resultados das urnas fossem modificados na contagem. Dois colombianos tiveram um papel decisivo. A ex-ministra das Relações Exteriores María Emma Mejía, chefe da missão da Organização de Estados Americanos (OEA) e o ex-presidente Andrés Pastrana, chefe da equipe da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (Ifes, na sigla em inglês). Ambos advertiram o governo paraguaio nos dias anteriores e na própria data de votação sobre a necessidade de que a primeira contagem rápida de votos fosse aberta aos representantes dos partidos. Caso contrário, indicaram, o novo presidente estaria irremediavelmente marcado pela sombra da fraude e o Paraguai continuaria na terceira fila internacional.

Mas, como costuma acontecer, a queda da hegemonia veio principalmente de dentro. O ex-vice-presidente Luis Castiglioni foi o dinamitador de seu próprio partido e escolheu o momento mais crítico para explodir sua carga: o meio-dia da jornada eleitoral. Sempre existirá a incógnita do que teria acontecido se Castiglioni tivesse vencido as primárias do Partido Colorado contra Blanca Ovelar, ou melhor, se sua vitória não tivesse sido falsificada com outra fraude e o vice-presidente tivesse sido o candidato oficial. Castiglioni anunciou a derrota colorada com as urnas abertas e provocou um terremoto no partido oficial. A base colorada saiu na televisão para desqualificar o ex-vice-presidente e os dois lados se envolveram em insultos e acusações, gerando um clima de derrota iminente entre o eleitorado indeciso, que começou a acreditar no impossível. Os colorados poderiam perder.

Fechadas as urnas, com as primeiras pesquisas na mão e enquanto os colorados continuavam brigando em público, Lugo começava a receber ligações do exterior felicitando-o por sua vitória. Os assessores do presidente eleito resumiam em uma frase: "O Paraguai está finalmente no mapa".

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