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23/04/2008 - 00h06

Vitória de Lugo reforça Lula como referência moderada da América do Sul

El País
Jorge Marirrodriga

Em Assunção
Com a vitória de Fernando Lugo nas eleições presidenciais do Paraguai no último domingo, o mapa político sul-americano ficou, com exceção da Colômbia, nas mãos da esquerda. Mas as profundas diferenças que existem entre os dois modelos -um de tom social-democrata e outro populista-revolucionário- tornam necessário esperar as primeiras medidas que o novo presidente paraguaio adotará a partir de 15 de agosto para determinar em qual dos dois modelos de esquerda ele se enquadra.

Em todo caso, a derrota histórica do Partido Colorado representou o naufrágio de um partido tradicional e sua substituição, com amplo apoio nas urnas, por uma nova força surgida da esquerda, assim como na Venezuela, no Equador ou na Bolívia. O venezuelano Hugo Chávez foi dos primeiros a felicitar Lugo assim que soube dos primeiros resultados, mas o presidente eleito paraguaio toma distância. "Sou uma linha intermediária entre Chávez e Lula", declarou a EL PAÍS na semana passada. E hoje na imprensa brasileira afirma que se sente mais identificado com o uruguaio Tabaré Vázquez.

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À espera de ver que rumo adota o novo governo paraguaio, o presidente brasileiro, Lula da Silva, moveu suas peças, dando uma pá de cal e outra de areia. Recebeu Lugo como candidato e foi dos primeiros a felicitá-lo como presidente, mas salientou que o Brasil não vai renegociar o tratado que rege a distribuição da eletricidade gerada pela estratégica represa de Itaipu, na fronteira entre os dois países. No que se refere ao Brasil, a vitória de Lugo tem o efeito de colocar definitivamente Lula como a referência moderada da região. Deve-se lembrar que o ex-sindicalista usou as duas semanas anteriores à sua primeira vitória eleitoral, em 2002, para tranqüilizar empresários e investidores preocupados com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder.

Também fica como referência moderada da esquerda o Chile da socialista Michelle Bachelet, que governa com a Concertación, onde está presente a democracia-cristã. Nesse sentido, a presença fundamental do Partido Liberal paraguaio na coalizão que Lugo lidera poderá desempenhar um papel semelhante de freio nas políticas de esquerda. De fato, o vice-presidente eleito, Federico Franco, não oculta suas simpatias por José María Aznar.

A estes dois países se unem o Uruguai, com Tabaré Vázquez, e sobretudo o Peru, com o socialista Alan García à frente. Entre os países da esquerda moderada, o Peru é o único cujo governo protagonizou um violento choque dialético com o populismo revolucionário liderado por Chávez. Além dos insultos pessoais trocados pelos dois presidentes, as relações diplomáticas estão rompidas. O Peru é uma das peças chaves do quebra-cabeça político latino-americano, tanto que Washington ratificou rapidamente um Tratado de Livre Comércio com Lima, mesmo antes do que tem com seu teoricamente melhor aliado na região, a Colômbia, ainda pendente de ratificação.

Diante desse modelo situam-se Venezuela, Bolívia e Equador, com um padrão semelhante de chegada ao poder, reorganização da ordem constitucional, controle estatal dos recursos energéticos e uma política internacional que não evita o conflito diplomático. Nesse aspecto, Lugo anunciou que em 2009 modificará a Constituição paraguaia, que haverá desapropriação de terras e será revisto o preço da eletricidade exportada pelo país. Chávez e Evo Morales reivindicam o marxismo e a revolução como forma de governo e de "libertação" da América Latina. Correa é mais moderado nas formas, mas segue um roteiro semelhante.

Com um pé em cada margem da esquerda está a Argentina, onde o partido tradicional hegemônico que é o peronismo se proclama de centro-esquerda e mantém boas relações praticamente com todos os governos da região. No entanto, nota-se uma deriva constante para o populismo e os métodos autoritários. Um fato que se reflete no emprego da violência política oficial contra manifestantes da oposição ou nas ameaças à liberdade de imprensa apoiadas em relatórios acadêmicos. A própria presidente Cristina Kirchner começou a definir seu gabinete como "governo popular".

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