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24/10/2008

Cresce o uso erótico de drogas entre jovens europeus

El País
Patricia Luna
Em Londres
Cocaína para um sexo mais intenso e duradouro; êxtase, o favorito da rapaziada, para agüentar mais; maconha para relações com maior sensualidade; álcool como curinga, para tudo, mas especialmente para conseguir a desinibição que permite se "ligar". Um estudo realizado em vários países e publicado em "BMC Health" deixa clara a tendência entre os jovens europeus de recorrer às drogas com fins relacionados à sexualidade.

A pesquisa parte de uma amostra de 1.341 pessoas entre 16 e 35 anos que freqüentam os lugares da moda em Liverpool, Palma de Maiorca, Viena, Atenas, Veneza, Lisboa, Berlim, Brno na República Checa e Liubliana na Eslovênia. Segundo esse estudo, 28,6% dos jovens usam álcool exclusivamente para encontrar um parceiro ou uma parceira, e 26,2% usam cocaína para prolongar o sexo. Na amostragem foram escolhidos jovens que freqüentam os lugares de "badalação" - ela não pretende ser representativa desse segmento de idade, mas indica uma tendência em certos ambientes em que o consumo de drogas é culturalmente mais aceito e onde há menos consciência do risco.

"Não é coincidência que enquanto há jovens que bebem e depois lamentam as relações sexuais que mantiveram bêbados também existe um uso consciente de substâncias como o álcool com a finalidade de encontrar parceiros. E é significativo que um em cada cinco consumidores de cocaína o faça exclusivamente para explorar sensações sexuais", afirma Mark Bellis, pesquisador do Centro de Saúde Pública da Universidade John Moores de Liverpool.

"O mais surpreendente é a idéia desses jovens de que as drogas estão aí para ser usadas; para eles têm um sentido utilitário", explica o psiquiatra Amador Calafat, da associação européia Irefrea, que dirige o estudo. "Para a maioria, parece normal utilizar drogas para o sexo, quer o façam muito ou pouco, e somente uma porcentagem ínfima discute o porquê", acrescenta.

O estudo se concentra em três aspectos: as implicações das drogas na iniciação sexual, seu uso para conseguir determinados efeitos sexuais e as conseqüências que isso tem para a saúde pública, especialmente a prática de sexo inseguro. O estudo mostra, por exemplo, uma forte relação entre consumo habitual de drogas e precocidade no início sexual, algo que afeta especialmente as meninas: as que tomam drogas de forma habitual antes dos 16 anos têm seis vezes mais probabilidade de ter-se iniciado antes na prática do sexo. No caso dos meninos é três vezes mais provável.

O estudo também mostra uma relação entre certos tipos de droga e uma maior promiscuidade: os consumidores regulares de cocaína têm cinco vezes mais probabilidade de ter tido mais de cinco parceiros no último ano. E os que abusam do álcool são mais propensos a ter tido mais de cinco parceiros no último ano e ter praticado sexo sem proteção. O intercâmbio de sexo por droga é uma prática associada ao consumo regular de cocaína e êxtase; um em cada sete consumidores de êxtase realizou essa prática no último ano.

As conseqüências do estudo são claras: uma política de prevenção do consumo entre os jovens deve levar em conta o componente sexual. "Não podemos tentar solucionar o problema do álcool, da droga e das relações sexuais inseguras de maneira isolada, porque para muita gente jovem as três questões fazem parte de uma noite de balada", afirma o professor Bellis. Na opinião dele é preciso mudar a percepção das drogas: "Assim como fumar era considerado sensual alguns anos atrás e essa imagem mudou, mostrando como uma pessoa que fuma não é sexy por questões como o odor, deveríamos insistir que, longe do que muitos jovens acreditam, os efeitos das drogas no rendimento sexual são muitas vezes negativos". Um quarto dos que usam cocaína pretendem prolongar o ato sexual Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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