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30/10/2008

O lado humano das máquinas

El País
María Ovelar
Em Madri
Uma das máquinas de Isaac Asimov no livro "Eu, Robô" zombava da fragilidade humana. O personagem robótico dizia que os seres humanos são feitos de um material "mole e frouxo", sem resistência, e que "a menor variação externa" afeta sua eficácia. Os tachava de "alteráveis". Mais de meio século depois da publicação da novela de Asimov, os fabricantes de robôs se esforçam para reproduzir com todo o luxo detalhes da frágil estrutura do ser humano. Uma tendência mostrada no festival de arte e tecnologia Art Futura, recém-realizado no Mercat de les Flors de Barcelona.

"Julio é muito frágil e é preciso manipulá-lo com cuidado. Na exposição no Museu Rainha Sofia de Madri, Julio adoeceu... Seus gestos se tornaram erráticos e ele não canta mais nem se move como David Byrne queria. Enviamos Julio para casa, para que o curem." Assim explicou na sexta-feira Kevin Carpenter, da Hanson Robotics, a ausência de Julio, o robô cantor do ex-líder dos Talking Heads. As criações da Hanson Robotics, com sede em Dallas, Texas, são famosas por sua expressividade facial. Seus robôs antropomórficos, distribuídos por museus de meio mundo, são capazes de mostrar emoções através do rosto e da voz. "O mais difícil é conseguir que sejam convincentes quando pronunciam sons como o 's' ou o 'l', que exigem que a língua toque o palato. Para imitar esse movimento são necessários 12 motores. E David quer que cada gesto e cada detalhe seja idêntico ao do ser humano."

O David mencionado por Carpenter não é o Byrne, mas David Hanson, pai de todas as criaturas da empresa americana e ex-funcionário da Disney.
Seus humanóides compartilham expressões faciais preocupantes. Julio é o único que canta (uma canção em inglês e em espanhol escolhida por David Byrne). Os gorjeios do humanóide não foram escutados na Art Futura porque Julio estava quebrado. Zeno, um robô de cerca de 46 cm de altura, foi seu substituto. "Ele interage com o dono, memoriza e reconhece rostos graças a câmeras integradas a seus olhos e demonstra sentimentos como tristeza, alegria, frustração e medo... Evolui com as lembranças", descreve Carpenter. A Hanson Robotics prevê lançar Zeno no mercado dentro de dois anos, por cerca de US$ 250.

"Julio, o anterior Jules, Einstein, Philip K. Dick..., todos os robôs da Hanson causam impacto. A textura imita a pele e suas funções são muito humanas: falam, cantam, lembram, vêem... É lógico que os robôs acabem se parecendo com as pessoas. Os avanços técnicos melhoram a inteligência artificial", afirma Montxo Alpuente, diretor da Art Futura.

Não só as criações robóticas pretendem construir um mundo à imagem e semelhança da realidade, como também os videogames: "A geração MySpace, YouTube e Flickr está acostumada a criar e editar. Não são consumidores passivos. Gostam de interagir com o produto e jogar em grupo, seja na rede ou em casa. Os criadores de videogames entenderam essa mudança e o mercado está se enchendo de jogos interativos", explica Daniel Sánchez-Crespo, curador de videogames na Art Futura e diretor-geral da empresa de videogames Novarama. Um bom exemplo é Spore, um simulador de universos em que o usuário se transforma em uma espécie de deus. "Permite criar personagens e controlar a evolução de toda uma espécie." E nas tramas é a mesma coisa. "É impossível ganhar em Little Big Planet sem cooperação, se não ajudar os demais jogadores. E em Fable 2 o aficionado enfrenta dilemas morais, decisões complexas", explica Sánchez-Crespo. Robôs de última geração tentam imitar o homem em expressões faciais e movimentos Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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