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01/11/2008

Medos sem fim

El País
Editorial
Colocar um carro-bomba no estacionamento do campus de uma universidade em dia letivo às 11 da manhã é apostar em uma chacina, com ou sem aviso prévio. Ficou demonstrado mais uma vez que os resultados dependem de fatores casuais. Seja por incompetência ou por maldade maior, o comunicado do ETA não explicou em que universidade estava o carro-bomba, o que levou a polícia basca a acreditar que se tratasse da mesma cidade, Vitória, na qual recebeu a ligação. E só o acaso interveio no fato de que no momento da explosão não houvesse ninguém no estacionamento.

O veículo utilizado foi roubado na noite anterior em Guipúzcoa, o que torna verossímil que fosse uma operação improvisada como resposta à detenção, na véspera, de quatro membros do bando que tentavam recompor um comando em Navarra. Em todo caso, é costume antigo do ETA intervir com bombas em qualquer situação política chamativa, e a dessa comunidade o é em grau elevado nos últimos dias por causa da crise do partido que a governa, a UPN.

Apenas um mês depois do início do cessar-fogo de 2006, um porta-voz do Batasuna advertiu que "sem Navarra não existe qualquer possibilidade de solucionar o conflito basco". Sem Navarra, quer dizer, sem que se corrija "a aberração" da separação entre essa comunidade e Euskadi. O desenrolar dos acontecimentos, incluindo a ruptura da trégua, confirmou que o ETA havia escolhido o tema navarrense (a territorialidade) como linha de diferenciação do nacionalismo institucional, uma vez que uma parte deste havia assumido a retórica da soberania.

Na teoria, portanto, o ETA age para corrigir a situação institucional de Navarra. No entanto, os atentados do ETA foram o principal fator de distanciamento dos navarrenses do ideal basco. Ainda em fevereiro de 1979 existia um equilíbrio entre partidários (37%) e adversários (38%) da integração de Navarra a Euskadi; em fevereiro de 1983 a porcentagem de contrários era de 65%. Até junho de 1982 os socialistas locais faziam parte do Partido Socialista de Euskadi, e deputados do PSN se integraram à Assembléia de Parlamentares Bascos depois das eleições de 1977.

Mas entre 1979 e 1983 o ETA tinha assassinado 234 pessoas. Desde seu primeiro atentado mortal em Navarra, no final de 1977, o bando matou nesse território 42 pessoas, 5% do total de suas vítimas. O ETA age em nome de um objetivo que se distancia cada vez que comete um atentado como o muito miserável de quinta-feira contra os estudantes e professores da Universidade de Navarra. Persevera no meio a violência, embora seja contraproducente para o fim teoricamente perseguido com ela, a defesa da identidade basca de Navarra. A fragilidade do ETA é portanto política, em primeiro lugar, e não é por acaso que o apoio incondicional à violência entre os eleitores da esquerda abertzale tenha passado em 12 anos de 20% para 2%. Cada vez que o ETA comete um atentado em Navarra se afasta do objetivo que o bando invoca para fazê-lo Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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