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04/11/2008

A cúpula da crise

El País
Editorial "El País"
Além da ordem do dia oficial, a Cúpula Ibero-Americana que terminou na sexta-feira em El Salvador, teve como fio condutor a exigência de participação dos países em desenvolvimento - toda a América Latina - no debate internacional sobre o desenho de uma nova ordem econômica. O bloco chavista - Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Equador e Cuba - concretizava essa reivindicação na necessidade de estabelecer um "modelo alternativo" que, como disse o próprio Hugo Chávez - que não esteve em El Salvador -, substitua o FMI.

E a fórmula para encarar a questão seria uma reunião dos países em desenvolvimento, a se realizar no âmbito da ONU. Outros Estados, afastados desse retórico socialismo do século 21 que prega Chávez, como o Peru, apóiam a idéia. Mas aquele sem o qual essas propostas perdem todo o seu peso, o Brasil, mostra-se reticente. O presidente Lula, que esteve só por algumas horas em El Salvador a caminho de Havana, o que ilustra sua convicção relativa da utilidade desses encontros, prefere esperar que se realize a cúpula de Washington no dia 15, sempre sobre a crise, porque, junto com México e Argentina entre os países ibero-americanos, o Brasil estará lá. O líder brasileiro, que salientou a necessidade de recuperar o Estado para combater a crise, reuniu-se em particular com o primeiro-ministro espanhol Zapatero. O Brasil fez, a pedido da Espanha, uma gestão diante dos EUA para que Madri esteja na cúpula.

Zapatero ofereceu, por outro lado, a mediação de seu governo para renegociar o contrato da empresa espanhola Repsol YPF com o governo do Equador. O presidente desse país, Rafael Correa, não demorou 24 horas para descartar qualquer mudança em sua posição de expulsar a empresa. O outro grande assunto da reunião foi o narcotráfico. Todos os participantes assinaram uma declaração para combatê-lo, mas a decisão mais chamativa foi tomada fora da cúpula: a suspensão definitiva da presença da agência antidrogas dos EUA, a DEA, em território boliviano, anunciada no sábado por Evo Morales.

Uma cúpula que definitivamente serviu para apresentar a reivindicação latino-americana de uma presença suficiente nos debates do momento, mas na qual a falta de consenso impede iniciativas maiores. Os países ibero-americanos exigem maior participação no debate econômico mundial Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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