UOL Notícias Internacional
 

06/11/2008

Vitória de Obama propicia distensão entre os EUA e a América Latina

El País
Soledad Gallego-Díaz
Em Buenos Aires
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, resumiu na quarta-feira a opinião de boa parte dos dirigentes latino-americanos: a vitória de Barack Obama pode ajudar a "propiciar uma distensão" entre os EUA e seus vizinhos do sul.

A América Latina provavelmente não estará entre as prioridades do novo presidente dos EUA, pressionado pela crise econômica internacional, as guerras do Iraque e do Afeganistão e a recuperação da economia americana, mas quase todo mundo espera "uma melhora geral de tom" em suas relações com Washington, desde a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que lhe enviou uma calorosa carta de felicitação, com citações de Luther King e elogios à igualdade de oportunidades, até o presidente do Equador, Rafael Correa, que admitiu que o discurso de Obama "é muito mais próximo".

Inclusive o presidente da Bolívia, Evo Morales, que recentemente expulsou o embaixador dos EUA, mostrou seu desejo de melhorar suas relações com o novo governo de Washington. Morales também se somou ao pedido do presidente brasileiro, Lula, no sentido de que o novo governo democrata americano acabe com o embargo a Cuba, "por razões humanitárias". Lula, que confessou ter mantido boas relações com Bush, expressou sua confiança em que a nova administração ajude a construir "um continente em desenvolvimento".

Brasil e México serão sem dúvida dois dos países que mais influirão em suas relações com o novo governo democrata. O Brasil porque começa a ser uma grande potência comercial e agrícola e precisa que se reconheça seu crescente protagonismo na América. O México porque Obama manifestou o desejo de revisar o Tratado de Livre Comércio que entrou em vigor em 1994. A Colômbia também tem pendente a ratificação de seu próprio acordo no Congresso americano. O fato de os democratas sempre terem tido uma visão mais protecionista de seu mercado e estarem mais próximos dos sindicatos é a principal fonte de preocupação em relação à nova etapa. Como deixou claro na quarta-feira o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, a situação econômica dos EUA "limitará" a capacidade de manobra da nova equipe. "Obama terá de se dedicar muito a tentar tirar seu país da crise, e isso o limitará na hora de se concentrar em outros projetos inovadores", explicou.

Seja como for, a primeira conseqüência da vitória de Obama será, sem dúvida, uma diminuição do antiamericanismo tradicional de alguns setores das sociedades latino-americanas. As características do novo presidente, o fato de ser negro e ter demonstrado em sua vida pessoal preocupações sociais o transformam em um dos presidentes americanos potencialmente mais próximos da América Latina. De fato, a campanha de Obama e as eleições de terça-feira foram acompanhadas com muito interesse em quase todos os países latino-americanos, com programas especiais na televisão e uma cobertura mais ampla que a habitual nas últimas semanas. A "obamamania" se estendeu por todas as Américas, como as denomina o novo presidente.

Obama nunca viajou a esse continente (já recebeu vários convites para tanto) e confessa não ser um especialista no tema, por isso será muito importante a equipe de que ele se rodeará. Alguns de seus assessores, entre os quais Dan Restrepo, nascido em Washington, mas filho de uma espanhola com um colombiano, afirmam que os EUA têm "uma necessidade real" de preencher o vazio criado na América Latina pelas políticas de Bush. Se não o fizerem, serão outros países latino-americanos, entre eles o Brasil, que assentarão sua influência e capacidade de mediação. O governo brasileiro não esconde essa crescente vontade de protagonismo, o que não é disputado por quase ninguém, muito menos a Argentina e o governo Kirchner, cada dia mais ensimesmado em seus problemas e batalhas internas. O secretário-geral da OEA declara que a situação econômica dos EUA "limitará" a capacidade de manobra do novo governo Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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