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08/11/2008

Espanha será a Flórida da Europa

El País
Carmen Morán
Em Madri
A Espanha é um país terapêutico, como atestam os milhares de aposentados que todo ano viajam em busca do sol por diversos períodos de tempo. Essa espécie de turismo continuará, com permissão da mudança climática, sempre que esses cidadãos europeus encontrarem nesse retiro as condições para atender suas necessidades sócio-sanitárias. Na Espanha residem 163 mil pessoas com mais de 65 anos vindas da Europa dos 27. No sindicato Comissões Operárias (CCOO) calculam que mais de 25 mil precisam de ajuda para desempenhar alguma atividade, ou seja, entraram em situação de dependência. O sindicato considera que é uma boa oportunidade para o empresariado espanhol, que poderia construir centros geriátricos ou desenvolver serviços para atender a essa população, que também tem dinheiro para pagá-los.

Não é absolutamente descabido, como provam as residências já levantadas na costa por alemães e noruegueses, por exemplo, com capital público e privado. E seu interesse pela compra de terrenos continua. Diante da nova lei de dependência, que vai aos arrancos na Espanha, os empresários do setor conhecem de sobra a necessidade de profissionais e centros especializados, mas as negociações com o governo não os convenceu a investir com força. "Com o tempo se tomará esse caminho, mas a demanda ainda não é urgente. As residências geriátricas do Levante são as que mais apresentam desocupação, e o empresário não pode tê-las vazias metade do ano. Acabamos enchendo-as com espanhóis", afirma o presidente da Federação Empresarial de Assistência à Dependência (FED), José Alberto Echevarría. "Não é porque não encontrem aqui o que procuram, eles têm e sai barato; é que ainda não chegou o desembarque que se espera. Há aposentados, sim, mas não entraram em situação de dependência", afirma.

A Sanyres é uma das poucas empresas espanholas que já exploram esse mercado. Há mais de três anos trabalha na costa de Málaga com estrangeiros, mas começaram com a ajuda de uma consultoria alemã e são sócios de outra empresa desse país. Javier Romero é o diretor e também está convencido de que esse negócio será rentável e abundante com o tempo. "A Espanha será a Flórida da Europa", afirma, mas diz que ainda há receios com a gestão espanhola. "Pusemos um anúncio nos jornais alemães editados na costa e não houve procura, até que se divulgou pela consultoria alemã; então sim, confiaram", diz.

Os idosos com que trabalham vêm para estadias temporárias, terapêuticas, e em seus três anos de trabalho passaram pelo centro de Marbella cerca de 800 idosos alemães. Tudo deve estar ao gosto deles. Os horários são adaptados, parte do pessoal fala seu idioma e há salsichas por toda parte. Queriam carpete, colocou-se carpete. Até a decoração, sim, tudo deve ser adaptado".

Romero disse que assim como apreciam o sistema de saúde espanhol ainda mostram receios com a gestão desses outros serviços. Mas ele não desanima, tem outros dois projetos em andamento para estrangeiros: britânicos, alemães e holandeses. Começaram com estadias temporárias e agora mais de 50% dos idosos se hospedam de forma permanente. O grande inconveniente, ele reconhece, é a escassez de pessoal de saúde. "Isso não é fácil de solucionar, porque gerocultores são formados em alguns anos em cursos de formação profissional, mas ter médicos não será tão fácil".

Em certas temporadas eles tiveram de recorrer a profissionais estrangeiros contratados em seus países. Só no último verão trouxeram 35. Os cuidados dessas pessoas podem gerar cerca de 18.500 postos de trabalho diretos e mobilizar 522 milhões de euros anuais, segundo a secretária de Políticas Sociais do CCOO, Pura García. Os países mais envolvidos, Reino Unido e Alemanha, já têm escritórios na Espanha onde assessoram seus idosos. A maioria dos alemães não se assenta na Espanha por medo de perder vantagens econômicas, mas os que estão se instalando e atingiram uma idade notam "um déficit de cuidados ambulantes", e nem todos têm uma boa situação econômica.

A embaixada faz um apelo ao governo para que também receba essas pessoas que um dia trabalharam na Espanha e "contribuíram para o bem-estar do país", explica Rainer Fuchs, conselheiro trabalhista e social da embaixada alemã em Madri. Mas as residências não os apaixonam; eles preferem os cuidados em casa, que gozam de ampla aceitação na Alemanha. Javier Benavente, presidente da Alares, uma empresa especializada em assistência a domicílio, está consciente do potencial que a Espanha tem nesse setor, mas opina que é preciso levar muito a sério "a formação de pessoal". "Se aproveitarmos isso, não teremos rival no setor". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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