UOL Notícias Internacional
 

08/11/2008

Palin provocou uma guerra civil na candidatura republicana

El País
David Alandete
Em Washington
Perdidas as eleições, começou o jogo de acusações. Um grupo de assessores de John McCain vazou para a imprensa americana uma série de piadas que descrevem Sarah Palin como uma candidata a vice-presidente com o olhar posto em sua vida política após as eleições de 4 de novembro e com um desejo de se destacar que surpreendeu o círculo mais próximo do senador pelo Arizona. Segundo membros da equipe de McCain, que falaram com a imprensa como "The New York Times" e "Newsweek" de forma anônima, o candidato republicano à presidência e a governadora do Alasca só se comunicavam de vez em quando, limitando suas ocasionais conversas a momentos estratégicos da campanha. "Foi uma relação difícil", disse um desses assessores ao "The New York Times". "McCain só falava com ela ocasionalmente".

AP/Al Grillo 
Sarah Palin (de óculos) é recebida no Alasca após a derrota nas eleições

Esses rumores, lançados por pessoas próximas a McCain que tentam culpar Palin pela derrota, retratam uma profunda divisão entre o núcleo duro do senador, liderado por seus dois assessores mais próximos, Mark Salter e Steve Schmidt, e a equipe formada para Palin quando foi eleita candidata à vice-presidência. A frieza das relações entre McCain e Palin é ilustrada por uma anedota da própria noite eleitoral. Depois de saber que os republicanos tinham perdido, Palin procurou o senador com um discurso na mão, para lhe perguntar se podia se dirigir à nação antes dele. Salter e Schmidt lhe deram uma rotunda negativa e a mandaram ficar em segundo plano.

Outro assessor anônimo de McCain acusou Palin de ter programado uma conferência telefônica com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, sem avisar seu chefe. A ligação afinal era uma brincadeira do comediante canadense Marc-Antoine Audette. Por sua conta e risco, Palin aceitou falar com Sarkozy e disse que talvez seria candidata à presidência "depois de oito anos". O senador se enfureceu ao saber que Palin caiu nessa armadilha.

Muitos detalhes do comportamento dela foram ocultados de McCain. Sabendo que o senador é um homem austero, seus assessores não lhe contaram sobre o incidente da exorbitante fatura dos vestidos que a governadora comprou para seu salto à política nacional. Em princípio, o site Politico revelou que o preço das roupas beirava os US$ 150 mil. A revista "Newsweek" revelou depois que a quantia era muito superior. "Foram caipiras de Wasilla [a localidade do Alasca onde nasceu Palin], saqueando as lojas Neiman Marcus de costa a costa", disse um assessor de McCain. Um membro do partido republicano se ofereceu para pagar a conta de Palin, considerando que o gasto não passaria de US$ 20 mil.

Nicole Wallace, que já foi assessora de comunicação de George Bush e acabou sendo uma das assistentes mais próximas de Palin, havia dito para a governadora comprar três vestidos para a convenção e outros três para a campanha. Mas Palin vestiu toda a sua família em lojas de luxo. Palin foi obrigada a se defender através de seus porta-vozes. Uma das pessoas de sua confiança, Meg Stapleton, disse na quinta-feira que Palin contratou um estilista e lhe deu um cheque em branco para "me fazer parecer muito presidencial". Apresentando Palin como vítima, Stapleton acrescentou: "Eles [os assessores de McCain] nos disseram para mandar a conta para a convenção, para que o custo ficasse oculto".

O canal conservador Fox News revelou depois das eleições que Palin demonstrou um total desconhecimento sobre política internacional em suas primeiras reuniões com McCain. Em uma delas disse que a África era um país, e não soube enumerar os integrantes do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (EUA, Canadá e México). A porta-voz de Palin atribuiu esses erros à falta de costume de participar de reuniões de alto nível: "Ela sabe [que a África] é um continente. Foi um pequeno erro humano, como quando Obama disse que [nos EUA] há 57 estados. Ninguém duvidou de que Obama soubesse que ao todo são 50". Vontade de "aparecer" surpreendeu a equipe de McCain Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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