UOL Notícias Internacional
 

11/11/2008

África abraça o presidente negro dos EUA

El País
Lali Cambra
Na Cidade do Cabo, África do Sul
Até Robert Mugabe, o tirano do Zimbábue, de 84 anos, parece esperar grandes coisas de Barack Obama e está disposto a deixar de ver os EUA meramente como um país "imperialista". Depois de conhecer o resultado eleitoral, Mugabe disse "estar disposto a entrar em conversações com seu governo para melhorar as relações bilaterais".

Aqui, todo mundo espera que Obama, filho de africano, contribua para pôr no mapa o continente esquecido e ajude a resolver alguns dos terríveis problemas que o afligem - doenças, guerras, exploração. Enquanto Mugabe faz suas declarações incomumente amáveis, os líderes da oposição denunciam ataques renovados, torturas e detenções ilegais por parte das forças de segurança do ditador.

O caos no Zimbábue (repressão política, 80% de desemprego e uma inflação de 241 milhões por cento) é um dos desafios mais urgentes da agenda externa do novo presidente democrata na África, um continente que sentiu a vitória de Obama como própria e onde nenhum outro presidente americano havia despertado tantas expectativas. Tantas, que vai ser muito difícil preenchê-las.

Em Uganda se deu ênfase principalmente à promessa eleitoral de Obama segundo a qual aumentará para 3,9 bilhões de euros em 2013 a ajuda para o combate à Aids, o grande flagelo do continente. Cerca de 24 milhões de africanos vivem com o vírus HIV, quase 70% do total mundial. Em Tanzânia espera-se que os programas existentes de promoção comercial, inaugurados com Bill Clinton e prorrogados com George W. Bush, sejam ampliados, assim como as verbas referentes a programas para a Aids ou para atingir os Objetivos do Milênio, também ameaçados por doenças como a malária.

O Quênia, onde nasceu o pai de Barack Obama, deseja melhorar sua balança comercial com os EUA, segundo admitiu o primeiro-ministro Raila Odinga: "Queremos que nossos produtos encontrem mais mercados lá e esperamos maior investimento direto aqui". Odinga avisou os quenianos que não podem esperar caridade dos EUA, mas sim "uma política mais pró-África". O primeiro-ministro afirmou que o Quênia vai trabalhar para combater o terrorismo e garantir a paz, especialmente no Chifre da África.

Se as expectativas de muitos países africanos dependem em parte das possibilidades orçamentárias dos EUA em um tempo de crise, outra questão mais complicada é arrancar do caos a Somália, onde o governo, apoiado pelos EUA e os soldados da Etiópia, se mostrou incapaz de governar.

O território da Somália é dividido entre senhores da guerra e milícias islâmicas radicais que os EUA consideram próximas à Al Qaeda. Washington apoiou a invasão etíope do país exatamente para evitar que se transformasse em um refúgio para os terroristas. Agora, limitar a extensão da rede fundamentalista na Somália ou em países como Quênia e Tanzânia (onde as embaixadas dos EUA foram atacadas nos anos 1990) será uma prioridade de Obama. Isso exige necessariamente alguma melhora nesse país sem lei.

Darfur é outro dos grandes desafios empacados. Essa região ocidental do Sudão acumula 300 mil mortos e 2,5 milhões de desalojados. Obama foi categórico ao qualificar a guerra nesse país governado por islâmicos em termos contundentes: "É um genocídio, uma mancha coletiva em nossa consciência nacional e humana". O futuro inquilino da Casa Branca mostrou-se partidário de impor mais sanções e cooperar para julgar o presidente sudanês, Omar el Bashir, no Tribunal Penal Internacional.

O conflito no leste da República Democrática do Congo, com 5 milhões de mortos e aumentando, está mais enquistado, se é que é possível, e com a maior força de paz já enviada pela ONU: 17 mil soldados. As boas relações dos EUA com Ruanda, que apóia o general rebelde Laurent Nkunda - que diz defender os tutsis do Congo dos hutus radicais que cometeram o genocídio de 1994 -, podem ser chaves para inclinar o conflito pacificamente em uma região riquíssima em metais preciosos para as indústrias aeroespacial, de telefones celulares e consoles de vídeo.

A eleição de Obama também representa uma grande oportunidade para que os EUA recuperem o terreno que está sendo arrebatado pela China na África subsaariana, onde se extrai cada vez mais petróleo: Nigéria, Sudão, Chade, Angola... A África aguarda Obama com muita esperança. Mas os desafios são tão descomunais que nem sequer o mais entusiasta confia em milagres de forma imediata. O continente vê o futuro mandatário dos EUA, filho de um queniano, como um dos seus Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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