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11/11/2008

China tenta ganhar peso político e comercial na América Latina

El País
José Reinoso
Em Pequim
A China implantou uma ofensiva política e comercial na América Latina semelhante à que empreendeu há dois anos na África. Pequim divulgou pela primeira vez um Livro Branco sobre a América Latina, no qual define as pautas que seguirá nos próximos anos para incrementar as relações com uma região do mundo que, segundo indica, conta com "abundantes recursos, uma boa base para o crescimento econômico e social e um tremendo potencial de desenvolvimento".

O documento foi apresentado às vésperas da visita que o presidente chinês, Hu Jintao, fará a vários países da região depois de participar no sábado, em Washington, da cúpula sobre a crise financeira mundial.

"O relatório pretende esclarecer melhor os objetivos da China na América Latina e no Caribe e ajudará a comunidade internacional e a população chinesa a compreender a política externa chinesa na região", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Yang Jiechi.

O Livro Branco contém a intenção de Pequim de aumentar os intercâmbios econômicos, especialmente nos setores energético e de recursos minerais, e de promover os acordos de livre comércio com os países da região.

A China selou importantes alianças na última década por todo o planeta, com o objetivo de garantir os recursos necessários para alimentar sua ativa economia. Em 2003 emitiu seu primeiro Livro Branco, sobre a União Européia, ao qual se seguiu o segundo, sobre a África, em 2006. Agora é a vez da América Latina, onde tem pactos energéticos com países como a Venezuela.

As relações comerciais com a região melhoraram nos últimos anos. O comércio bilateral alcançou no ano passado US$ 102,57 bilhões, segundo a aduana chinesa; o número supera os US$ 100 bilhões que Hu definiu como meta em sua primeira viagem à região, em 2004.

O documento não contém muitos detalhes, mas marca a direção a seguir em uma região que tradicionalmente esteve sob a influência dos EUA. O objetivo não é só econômico e a difusão de sua chamada diplomacia do petróleo, mas também político. Entre outros, busca incrementar a colaboração em questões de defesa, segurança e justiça. Além disso, a maioria dos países que ainda mantêm relações com Taiwan - que Pequim considera parte indiscutível de seu território - se encontra na América Latina. Durante anos, Taipei e Pequim disputaram as relações diplomáticas com eles por meio da diplomacia do talão de cheque. Quer dizer, com generosas ajudas e projetos de cooperação. O Livro Branco promete "discutir" possíveis reduções de dívidas, "na medida das capacidades da China".

A viagem de Hu, entre 16 e 26 deste mês, o levará a Cuba - onde está previsto que se reúna com Fidel Castro -, Costa Rica e Peru. Em Lima, participará da cúpula da Conferência Econômica Ásia-Pacífico. Hu também visitará a Grécia. Pequim define como prioridades a energia e os minérios Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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