UOL Notícias Internacional
 

13/11/2008

Capitão ferido no Afeganistão relata atentado

El País
Lara Varela
Em Pontevedra (Espanha)
O capitão do blindado atacado no domingo (9) no Afeganistão por um terrorista suicida viveu na terça-feira (11) o funeral de seus dois companheiros mortos no atentado, acompanhado de sua mulher, no quarto que ocupa no terceiro andar, setor de traumatologia, no Hospital Montecelo, em Pontevedra. Os outros dois soldados feridos estão juntos no mesmo andar. O capitão Enrique José Dopico Rodríguez não pára de pensar no ataque. "Já repensei mil vezes e creio que o dano foi reduzido ao mínimo. Se a camionete tivesse batido contra nós, teria desintegrado o veículo", comenta. "O veículo não se aproximou, foi à distância, estava no acostamento e nós no acostamento contrário, mantivemos uma distância de segurança de 7 metros, aproximadamente."

O capitão Dopico tem claramente na memória como ocorreu o ataque. "Eu saía de um povoado e a saída coincidia com uma ponte. Antes que entrássemos, uma motocicleta se meteu no meio do comboio, e prevendo que pudesse levar explosivos mantivemos uma distância de segurança porque a ponte pode ser um funil para nós. Assim que ultrapassamos a ponte, o motorista abriu à direita e nós abrimos à esquerda, o ultrapassamos e tínhamos pela frente a caminhonete que levava o explosivo. Voltamos à direita, deixamos uma distância de segurança da motocicleta para trás e máxima da caminhonete, com os dois 'rails' no meio. No momento em que ficamos na sua altura ocorreu a explosão e com a velocidade em que íamos saímos da estrada. Nos deslocamos uns 80 metros, tivemos bastante sorte de não capotar."

Ali, na zona afegã de Herat, onde patrulham as tropas espanholas, explica, "as saídas de estradas são aludes de metro e meio e coincidiu que era uma zona plana de terra. No momento da explosão perdi um pouco a noção de tempo e espaço [esses veículos levam um gás antiincêndio que o deixou um pouco cego no início]. Notei que me queimava, a onda veio de baixo para cima, não sabia de onde tinha vindo, me apanhou bastante de surpresa. Tentei localizar o resto da tripulação. Perguntava de onde tinha vindo a onda, mas não obtive resposta, e na parte de trás vi que as duas pessoas estavam bem: um tinha conseguido sair por seus meios e o outro só tinha um estilhaço. Quando procedi para ver o resto da tripulação, o companheiro que ia ao meu lado estava morto, e o motorista..., não pude ter acesso a ele porque a torrinha do veículo me impedia. Eu ia na parte média, olhando para fora para controlar tudo, de pé."

No quarto 338, o capitão Dopico mantém o controle, mas fica sem palavras para descrever seu estado de ânimo: "Estou bem", diz, mas depois de uma pausa acrescenta: "Eu, como responsável pelo pessoal..." Do terceiro andar do Hospital Montecelo, a 5 km da Base General Morillo, os três militares feridos no atentado do Afeganistão - todos levemente - repassam várias vezes os minutos anteriores à explosão.

As queimaduras de primeiro grau no rosto e nas mãos (com perda de sensibilidade em vários dedos) e as diversas contusões revelam um prognóstico leve. O capitão chegou ao hospital de ambulância e desceu por conta própria.

"Contamos com o apoio de todos os companheiros, e isso se agradece", afirma Dopico, que se confessa "militar por vocação". Mas acrescenta: "Era a primeira missão que fazíamos, a primeira saída". Perguntado sobre como ficaram seus companheiros, responde: "É gente muito forte, que vai agüentar tudo. A procissão vai por dentro". Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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