UOL Notícias Internacional
 

13/11/2008

Vitória de Obama marca largada de aspirantes à presidência do Irã

El País
Ángeles Espinosa
Em Teerã (Irã)
A vitória de Barack Obama pôs fim às eleições presidenciais americanas, mas parece ter dado o tiro de largada para as iranianas. Embora ainda não se saiba quem serão os candidatos que em 12 de junho próximo enfrentarão Mahmud Ahmadinejad, tanto conservadores como reformistas já começaram a tomar posições. A possibilidade de um retorno de Mohamed Khatami e a inusitada carta de cumprimentos que o atual presidente iraniano enviou a Obama se transformaram no eixo de um novo realinhamento que revela a estreita margem de manobra política na república islâmica.

Antes do verão, dava-se por certa a reeleição de Ahmadinejad. "Não pense que este é seu último ano; trabalhe como se fosse continuar no comando mais cinco anos", lhe disse o líder supremo, Ali Khamenei. A maioria dos iranianos interpretou essas palavras como um gesto de apoio. Mas a espetacular queda dos preços do petróleo a menos de US$ 60 por barril deixou Ahmadinejad sem rede de segurança para encobrir sua desastrosa gestão econômica, e vários escândalos políticos minaram essa confiança.

Diante da inflação galopante e o claro descontentamento nas ruas (no mês passado os comerciantes do bazar fecharam para protestar contra a introdução do imposto de valor agregado), os conservadores começaram a cogitar os nomes de alguns políticos menos radicais. Voltou-se a falar no presidente do Parlamento e ex-negociador nuclear, Ali Larijani, ou no prefeito de Teerã, Mohamed Ghalibaf, que já enfrentaram Ahmadinejad em 2005, e inclusive em Hasan Rohani, um religioso próximo ao veterano da política iraniana Ali Akbar Hachemi Rafsanjani.

Mas embora todos contem com importantes apoios nenhum provoca unanimidade, e Ahmadinejad é visto com simpatia nas pequenas localidades do interior que ele se preocupou em visitar e ajudar economicamente. Animados pela desunião nas fileiras conservadoras, os reformistas intensificaram nos últimos meses sua mobilização para convencer o ex-presidente Mohamed Khatami a se candidatar à reeleição. Na sua opinião, é o único que poderia evitar um segundo mandato de Ahmadinejad, e se irritou com Mehdi Karrubi (outro reformista) por anunciar sua candidatura.

As conhecidas figuras da política (como os ex-vice-presidentes Mohamed Ali Abtahi e Majid Ansari, ou o ex-ministro Abdol-Vahed Musavi-Lari) e do movimento estudantil somaram-se artistas como a atriz Leila Hatami, que se perguntam com nostalgia se é possível recuperar a ilusão gerada por aquele governo. Os três anos e meio de disciplina ultraconservadora os fizeram esquecer as expectativas frustradas com que se despediram de Khatami. De fato, durante uma recente visita a sua província natal, Yazd, o ainda popular clérigo foi recebido pelos estudantes aos gritos de "Khatami, presidente". Mas o interessado mantém a ambigüidade. Embora em Yazd tenha feito os jovens se calar, a verdade é que viajou para lá acompanhado de vários ex-líderes mundiais que havia convidado ao Irã para participar de uma conferência de seu Centro para o Diálogo das Religiões. Muitos iranianos viram nesse encontro um lembrete do isolamento internacional em que Ahmadinejad mergulhou o país.

Por isso, quando os reformistas começaram a elogiar a carta de cumprimentos que Ahmadinejad enviou a Obama por sua vitória eleitoral, os conservadores recuaram de seus comentários sarcásticos temendo que seus ataques pudessem reforçar o eventual candidato rival. Se no sábado o jornal conservador "Komhuri Islami" lembrou ao presidente que a decisão de iniciar as relações com os EUA não cabe a ele, mas ao líder supremo, no dia seguinte alguns porta-vozes do mesmo signo político começaram a perdoar o gesto e afirmaram que contou com a aprovação de Khamenei.

Finalmente, um editorial do "Kayhan" decidiu a discussão concluindo que Ahmadinejad é "o candidato mais qualificado" para concorrer à eleição presidencial, apesar das críticas. A "bíblia" dos fundamentalistas iranianos opina que seus êxitos superam os fracassos. Como é habitual neste país, muitos discordarão. Ainda falta a decisão de Khatami e sete meses para as eleições, mas o sistema político não oferece muitas alternativas. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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