UOL Notícias Internacional
 

15/11/2008

Obama negocia com Clinton sua inclusão no governo

El País
Antonio Cano
Em Washington (EUA)
O anúncio na sexta-feira de que o presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, havia se reunido em segredo na noite anterior com sua adversária durante as primárias, Hillary Clinton, para discutir a formação do governo desatou de forma incontível os rumores de que a ex-primeira-dama será a próxima secretária de Estado ou terá algum outro alto cargo no governo que começa em 20 de janeiro.

Ninguém, de um lado ou de outro, se referiu oficialmente ao conteúdo exato dessa reunião nem confirmou ou desmentiu rumores que, por outra parte, estão na ordem do dia nesta cidade desde que começou a transição. A própria Clinton, na sexta-feira, em um discurso em Albany (Nova York) previsto antecipadamente, limitou-se a dizer que não ia "especular sobre a formação do governo Obama" e ia "respeitar seu processo de escolha".

A reunião entre Clinton e Obama, realizada nos escritórios de Obama em Chicago sem a presença da imprensa e no contexto das consultas que o presidente-eleito vem fazendo a diversas personalidades para preparar sua agenda e sua equipe, é um gesto de indubitável valor político.

É uma prova de consideração com uma figura muito respeitada dentro do Partido Democrata e também um gesto de reconhecimento ao último presidente dessa cor política, Bill Clinton. Como secretária de Estado (equivalente a ministra das Relações Exteriores), Hillary Clinton veria realizadas suas aspirações de ocupar um cargo de relevância depois de ter frustradas suas aspirações presidenciais, e Bill Clinton conseguiria estender sua influência, apesar de ter sido substituído na posição de máxima autoridade democrata. O nome de Hillary Clinton também havia soado antes como juíza da Suprema Corte ou embaixadora na ONU, cargo de nível ministerial.

Sua possível inclusão no próximo governo era favorecida na sexta-feira por vários fatores. Um deles é a deliberada ambigüidade das palavras de Hillary Clinton. A outra era a dimensão da mídia e dos jornalistas que haviam repetido os rumores, muito superior à habitual nesses momentos. Em certa medida, parecia estranho que tanto Obama quanto Clinton tivessem deixado se desenvolver durante tanto tempo essa opção se não tivessem o propósito de confirmá-la.

A iniciativa do encontro entre Obama e Clinton, segundo a mídia americana, foi do presidente-eleito, que parece estar cogitando no nome de Clinton, entre outros de primeiro nível, para o cargo de secretária de Estado. Atualmente, só parecem ficar na lista, como primeira alternativa, o de John Kerry, o candidato presidencial democrata anterior, e como segunda opção Bill Richardson, o governador do Novo México. Obama deve ao primeiro o enorme favor de tê-lo convidado para falar em horário nobre na convenção democrata de 2004, o que deu ao então desconhecido senador de Illinois fama nacional. A Richardson, um antigo amigo de Clinton, Obama também está muito agradecido por ter passado para suas fileiras ainda na fase intermediária das primárias e por tê-lo ajudado a ganhar no Novo México e o voto hispânico em outros estados.

Mas nenhum dos dois poderia objetar publicamente a uma nomeação como a de Hillary Clinton. A ex-primeira-dama teria experiência internacional e garante a presença de uma mulher em um alto do cargo do governo, algo a que Obama se sente obrigado diante das organizações feministas. Além disso, trata-se de uma figura de enorme reconhecimento popular e em geral muito respeitada no mundo.

A indicação de Hillary Clinton consolidaria a forte presença que esse sobrenome tem até agora na equipe que Obama está formando. Trinta e uma das 47 pessoas já nomeadas tiveram no passado ligações em graus diversos com a última administração democrata, segundo a contagem feita pelo jornal "Politico", entre elas 11 dos 12 membros do grupo de transição.

Tanto o próximo chefe de gabinete de Obama, Rahm Emanuel - talvez uma das pessoas mais poderosas de Washington neste momento -, como Ron Klain, o chefe de gabinete do vice-presidente eleito, Joe Biden, procedem do governo Clinton. Klain foi o chefe de gabinete de Al Gore.

Ao recorrer a seus colaboradores, Obama está reconhecendo a popularidade com que terminou o governo Clinton, assim como os princípios centristas e moderados que o elegeram. Clinton ganhou sua primeira presidência, em 1992, com o rótulo de "novo democrata", uma espécie de político suprapartidário que coincide bastante com que Obama tenta ser. O presidente-eleito ofereceu a Secretaria de Estado a sua ex-adversária Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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