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18/11/2008

"Incrível: é preciso estar cego para ver", diz Alice Braga

El País
Carolina Ethel
Em Madri
Estampa beijos sonoros. Fala com os olhos e com as mãos. E se desfaz em saudações e carinhos. A atriz brasileira Alice Braga (nascida em São Paulo em 1983) gosta de escutar e perguntar. "Mas a verdade é que falo muito e muito rápido, creio que é meu grande defeito", diz. Por isso é difícil controlá-la. Ainda mais porque foram aparecendo os ovos estrelados, os croquetes de presunto, as lulas de um outro planeta e a salada fresca que pediu sem peixe - "Já sei que é muito estranho, mas não gosto", desculpa-se.

Cresceu entre estúdios de gravação, pela mão de sua mãe que era atriz de comerciais. Sua tia Sônia Braga, a atriz emblemática do cinema brasileiro, é uma referência de qualidade como ator e um orgulho. "Não temos uma relação muito estreita, porque quando ela foi para Nova York eu tinha acabado de nascer, mas tenho muito prazer quando me dizem que gostam dela. Sou sua fã", comenta enquanto os croquetes desaparecem do prato e ela sorri fascinada diante da pequena descoberta gastronômica.

Viajou para Madri de sua casa em São Paulo para participar da mostra Novo Cine e acompanhar a pré-estréia de "Cegueira", o último filme de Fernando Meirelles - "meu padrinho", diz -, no qual encarna uma jovem prostituta que de repente e por uma estranha epidemia contrai uma cegueira branca e é confinada junto com outros cegos repentinos. "Adoro o livro de Saramago ['Ensaio sobre a Cegueira'], e quando soube que Fernando queria adaptá-lo lhe mandei um e-mail."

E explica a metáfora que, segundo Alice Braga, revela o livro do escritor português. "A cegueira é uma desculpa, uma metáfora. É incrível que seja preciso estar cego para ver e olhar para si mesmo, olhar para o outro, estar perto e ser generoso."

O salto para a fama dessa morena brasileira apaixonada pelas filmagens e um pouco envergonhada nas estréias foi seu papel de Angélica em "Cidade de Deus", um sucesso também dirigido por Meirelles. A essa estréia "explosiva" - como ela mesma diz - seguiu-se o salto para Hollywood com filmes como "Eu Sou a Lenda", ao lado de Will Smith, e "12 Horas até o Amanhecer", com Brendan Fraser, ou o também brasileiro "Cidade Baixa", entre outros.

"Sou nômade e gosto de viver onde esteja filmando, por isso nos últimos dois anos morei no Canadá, Nova York, Los Angeles e São Paulo." Perguntada sobre planos futuros, diz não ter nada claro, mas tem um pouco: "Quero que haja crianças na casa, tenho muita vontade de ser mãe", mas esclarece: "não por enquanto".

Para fazer um lar em cada hotel, Alice tem uma espécie de kit que consiste em "uma caixinha de música" - seu iPod - e principalmente seus "cremes, que quando colonizam a penteadeira dão um ambiente cálido, familiar", ri.

Agora batalha com as teclas do minúsculo aparelho que durante o almoço parou de escutar. "Madri é linda, gostaria de morar aqui algum tempo e aprender espanhol", diz, apesar de falar muito bem, deixando cair expressões mexicanas. É que seus "professores" foram seus companheiros de filmagem Diego Luna e Gael García Bernal. Morar em Madri significa estar em uma filmagem na Espanha? Seus olhos brilham, mas ela não pensa muito: "Adoro o cinema de Fernando León, é muito intimista, e adoro o trabalho de Luis Tosar. Seria muito bom fazer cinema aqui." Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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