UOL Notícias Internacional
 

19/11/2008

Chávez transforma as eleições locais e regionais do próximo domingo em um plebiscito sobre sua pessoa

El País
Francisco Peregil
Em Carabobo (Venezuela)
Aplaudido por milhares de seguidores em 8 de novembro passado em Valencia, capital do estado de Carabobo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, declarou: "Se permitirem que a oligarquia ... regresse ao governo - de Carabobo - ... vou acabar tirando os tanques da Brigada Blindada para defender o governo revolucionário e defender o povo". Carabobo é o estado mais industrializado da Venezuela, sede das fábricas General Motors, Ford e Chrysler, terra de Puerto Cabello, a cidade que recebe grande parte da mercadoria que chega por mar à Venezuela.

E se há uma família conhecida em Carabobo é a do candidato a governador pela oposição Herique Fernando Salas Feo, aliás "el Pollo" (o Frango), 47 anos, ex-governador de Carabobo, filho, neto e tataraneto de governadores. Chávez aproveitou o comício em Valencia para chamar o Pollo de oligarca e de "polluelo pitiyanqui". Disse que em 23 de novembro quer que lhe entreguem "frango frito, frango queimado".

O "frango" Salas ri, imita o tom de Chávez em sua casa em Valencia. Na sua frente há cinco telefones - "assim é mais difícil que os serviços secretos do Estado me controlem" - e a cada momento ele recebe resultados das pesquisas privadas confidenciais. No próximo domingo, se a maioria das pesquisas não errar, o presidente venezuelano Hugo Chávez verá seu poder reduzido depois das eleições regionais e locais. Dos 22 governos em disputa, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) poderá ficar sem mais de cinco, fora as duas - Zulia e Nueva Esparta - com que a oposição já conta.

"Chávez é como um avião que precisa de vento contra para subir. Mas eu não vou lhe dar", comenta o Pollo. "Porque muita gente que votou em mim em eleições anteriores votou nele nas presidenciais, por isso se eu o atacar estou atacando parte do meu eleitorado. Eu me limito a atacar seu candidato."

O problema para Chávez não é que a oposição tenha crescido muito nos dez anos em que ele ocupa o poder, mas que uma parte de suas hostes rompeu fileiras. Em 2007, o chavista Ismael García, líder do partido Podemos, negou-se a integrar sua organização ao PSUV. E junto com eles saíram da corrente governista os governadores de Sucre e Aragua. Hoje em dia nesses dois Estados os candidatos do Podemos são os que encabeçam as pesquisas.

Mas os rachas não pararam aí. Em 17 de janeiro de 2003, o general chavista Carlos Acosta Carlez invadiu uma fábrica da Coca-Cola pertencente a uma das famílias mais ricas do país. Em meio às greves empresariais que desabasteciam os mercados da Venezuela, o general Acosta Carlez, com sua boina vermelha e uniforme, cercado de jornalistas, disse que já era certo confiscar alimentos, que tudo o que havia lá sairia para as ruas, "para o povo". Deu um bom gole em uma garrafa de cerveja sem álcool e deixou ouvir de forma contundente um arroto que era dirigido aos oligarcas "especuladores" do país. Desde então, em muitas manifestações chavistas, se ouviram milhares de pessoas cantar: "Acosta Carlez, arrote outra vez!"

Tempos depois, o general declarou que aquele ato salvou a Venezuela. Em 2004, ele se candidatou nas eleições ao governo do estado de Carabobo e venceu o Frango. Mas para estas eleições Chávez quis colocar em Carabobo outro candidato, apresentador de um programa de televisão famoso por seus ataques à oposição. E Acosta se negou. Assim, hoje em Carabobo concorre um ex-chavista com o candidato de Chávez, Mario Silva, e no meio o Frango, avantajado nas pesquisas. Em Barinas, terra natal de Chávez, também disputam o governo antigos chavistas contra Adán Chávez, irmão do presidente. Chávez se multiplica na campanha e multiplica seus insultos: "traidor e covarde" chama Júlio César Reyes, prefeito de Barinas e candidato da oposição; ao general Acosta, diz: "Vá para a lixeira como traidor"; e ao governador de oposição de Zulia, Manuel Rosales, chama de "ladrão" e de "corrupto confesso".

O presidente viajou a Carabobo cinco vezes desde o início da campanha, há dois meses. Aonde vai, Chávez fala e seu candidato aplaude. O presidente fala por todos os seus e contra toda a oposição. Continua sendo o homem com mais força eleitoral. Mas o problema é que não é nenhum dos 328 aspirantes a prefeito nem dos 22 candidatos a governador que concorrem por seu partido no próximo domingo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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