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21/11/2008

Polêmico nascimento depois de um transplante total de ovário

El País
Joan Carles Ambrojo
Em Barcelona
As técnicas de preservação da fertilidade da mulher quando sofre uma falha ovariana precoce (por exemplo, para evitar as possíveis seqüelas de um tratamento por quimioterapia) estão avançando. Mas alguns dos últimos sucessos provocam polêmica.

Até agora, as meninas ou mulheres que vão receber um tratamento oncológico têm extraído o córtex de um dos ovários que é congelado para que, passado um tempo prudencial, se possa realizar o autotransplante para recuperar a funcionalidade reprodutiva. Com essa técnica experimental se conseguiram até agora em todo o mundo seis nascimentos em pacientes de câncer.

Na semana passada, a primeira mulher a receber um transplante completo de ovário deu à luz por cesariana a uma menina de 3,8 quilos. O transplante, realizado por Sherman Silber, foi realizado há um ano no Centro de Infertilidade de Saint Louis (EUA). Uma falha ovariana aos 15 anos de idade deixou essa mulher estéril, segundo informa a agência britânica PA. A mulher de 38 anos, de origem alemã e casada com um britânico, recebeu o ovário de sua irmã gêmea, que não via há quatro anos e que vive no Canadá, sem necessidade de preservar o órgão em gelo. Silber já conseguiu outros nascimentos por implante de ovário entre gêmeas, mas só do córtex.

O transplante completo do órgão é um procedimento questionável, segundo alguns especialistas. Justo Callejo, chefe clínico do Serviço de Ginecologia do Hospital Materno Infantil Sant Joan de Déu de Barcelona, lembra que existem métodos mais simples para recuperar a fertilidade, como a doação de óvulos, através do qual se teria evitado realizar duas intervenções cirúrgicas de risco.

Em agosto passado a equipe do Sant Joan de Déu conseguiu obter o primeiro embrião humano na Espanha procedente de tecido ovariano congelado, uma técnica experimental aplicada em uma paciente de 32 anos, sem filhos, que tinha perdido a capacidade reprodutiva devido a um tratamento de câncer. Finalmente não conseguiu engravidar. O Sant Joan de Déu já realizou o congelamento de tecido ovariano em cerca de uma centena de pacientes oncológicas.

O transplante de ovário completo "é um grande risco", diz María Sánchez-Serrano, ginecologista e responsável por preservação da fertilidade no Hospital Doctor Peset de Valencia. "Produz falsas esperanças porque é uma técnica que só se pode aplicar a gêmeas idênticas e existe um grande risco de trombose e necrose", acrescenta. No Doctor Peset se realizaram seis reimplantes de tecido congelado, explica Sánchez-Serrano. A técnica tem riscos e só serve para gêmeas idênticas Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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