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25/11/2008

Partido de Chávez é eleito em 17 dos 22 Estados venezuelanos

El País
Francisco Peregil
Em Caracas
Todos contentes. A partir de agora o presidente Hugo Chávez pode dizer que a Venezuela continua sendo "vermelha, vermelhinha", porque os candidatos da formação que ele fundou em 2006, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), venceram no domingo 17 dos 22 governos em disputa. Chávez obteve 77% dos votos, com 1,5 milhão de eleitores a mais que os partidos rivais em eleições regionais e locais que o presidente transformou em um plebiscito sobre sua pessoa.

A oposição, formada por vários partidos, pode se vangloriar de ter consolidado sua vitória nos dois únicos Estados onde já conseguiu ganhar nas eleições regionais de 2004 (Zulia e Nueva Esparta) e ter acrescentado os de Carabobo, Táchira e Miranda. Os opositores encontraram a grande surpresa de sua vitória na Prefeitura Maior, ou Grande Caracas, cidade que conta com cinco municípios (Libertador, Chacao, Baruta, El Hatillo e Sucre), dos quais o PSUV só controla o de Libertador. Além disso, Maracaibo, a segunda cidade do país, ficou para o líder do Un Nuevo Tiempo, Manuel Rosales, que Chávez ameaçou de prisão durante a campanha.

Mas um dos maiores troféus para a oposição foi a vitória no município de Sucre, em Caracas, onde se encontra Petare, o bairro mais violento e populoso da Venezuela. Carlos Ocariz, o candidato de oposição à prefeitura de Sucre, dizia há anos que poderia ganhar em Petare porque Chávez não tem mais o monopólio do combate à pobreza. E ganhou no domingo.

A oposição pode afirmar que o Estado petroleiro de Zulia é o mais rico do país e Carabobo o mais industrializado; e pode lembrar que Zulia e Miranda (Estado que engloba quase a metade da cidade de Caracas) são as regiões mais populosas da Venezuela, com 6,6 milhões de habitantes dos 28 milhões do país.

Chávez havia se esforçado nesses lugares. Em Zulia não só ameaçou várias vezes de prisão Manuel Rosales, líder do Un Nuevo Tiempo, por suposta evasão fiscal, como ali pronunciou seu discurso de fim de campanha. Em Carabobo o presidente promoveu como candidato ao governo Mario Silva, apresentador de um programa de televisão no qual são comuns os insultos contra adversários e dissidentes. Chávez tinha declarado que se a oposição ganhasse em Carabobo poderia considerar a possibilidade de colocar os tanques na rua.

Mas ontem todas as ameaças se transformaram em coisa do passado. Depois de se conhecer os resultados, os candidatos de oposição vitoriosos foram estendendo a mão a seus rivais governistas para trabalhar em comum a partir de agora. E Chávez cumprimentou os vencedores.

Se na segunda-feira houve claros perdedores foram os chavistas rebeldes. O governismo conseguiu recuperar os Estados de Trujillo, Aragua, Guárico e Sucre, que se encontravam nas mãos de governadores dissidentes. E Chávez conseguiu que seu irmão Adán vencesse em Barinas, terra natal do presidente, contra outro dissidente.

Quase todos contentes, portanto. Os chavistas cantavam na noite de segunda-feira o já legendário "Uh, ah, Chávez no se va!", enquanto os adversários percorriam as ruas de Caracas com seus carros cantando "Sí, se puede; sí, se puede!" E ambos poderão celebrar o fato de que se bateu o recorde de participação em eleições regionais, com 65% dos quase 17 milhões de eleitores convocados. Chávez tinha declarado na semana passada que "perder pelo menos três governos nestas eleições seria uma derrota para o governo nacional". Mas na noite de segunda disse que o ganhador havia sido o PSUV e advertiu os rivais: "Se quiserem cair em mentiras, que caiam em mentiras".

"Foi uma derrota claríssima do governo", indica o sociólogo Ignacio Ávalos. "Mas é uma derrota nas mãos de ninguém, nas mãos de um movimento muito heterogêneo e confuso como é a oposição. Em cada um dos Estados que ganhou foi com um partido diferente."

A praça de Altamira, onde os opositores se reuniram no último dia 2 de dezembro para comemorar a derrota de Chávez no referendo constitucional, estava vazia na segunda-feira depois da divulgação dos resultados. De vez em quando se viam passar alguns motoristas que buzinavam e gritavam "Sí, se puede; sí se puede". Mas a alegria não era veemente em nenhum dos dois lados. A tristeza também não. Os grupos rivais controlam as regiões mais populosas da capital do país Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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