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27/11/2008

Crise ameaça símbolos de poder na Rússia

El País
Pilar Bonet
Em Moscou
A crise econômica semeia incertezas sobre os símbolos do poder e do dinheiro na Rússia, como o conjunto arquitetônico Rossia, um projeto de Norman Foster que, segundo previsto, deveria se transformar em 2012 no edifício mais alto da Europa e segundo do mundo (118 andares e 612 metros de altura). Shalva Chigirinski, o empresário desse projeto avaliado em US$ 1,3 bilhão (cerca de 1 bilhão de euros), disse que as obras do Rossia foram "interrompidas" por causa da difícil situação no mercado financeiro. O Rossia é hoje um buraco ilustre - inaugurado pelo prefeito Yuri Lujkov - em Moscow City, uma nova área comercial destinada a renovar a imagem da capital.

A crise se transformou em uma dificuldade suplementar para outro projeto do arquiteto britânico em Moscou: um novo conjunto urbano no lugar de um motel soviético na Praça Vermelha. No que diz respeito à Foster and Partners, nenhum dos dois projetos está congelado, segundo sua assessoria de imprensa em Londres. Mas em Moscou os problemas econômicos afetam a prefeitura, o principal ideólogo na busca de novos sinais de identidade da cidade em marcas arquitetônicas como Foster.

O conjunto urbanístico chamado Moscow City, nas margens do rio Moscou, é o cartão de visita da capital e estava previsto que a prefeitura transferisse para lá suas repartições. Agora o consistório adiou de forma indefinida a edificação de novos prédios, segundo disse à agência Interfax o deputado da Duma municipal Ivan Novitskii. Fontes citadas pela agência confirmaram as intenções de retardar as obras devido à dificuldade de encontrar investidores.

O jornal "Kommesant" apontou a possibilidade de que o grupo Mirax, outro dos envolvidos na City, tenha de congelar a construção do segundo edifício de um conjunto de duas torres chamado Federação.

Os preços dos apartamentos em Moscou, proibitivos até pouco tempo atrás, começaram a baixar. Segundo o jornal governamental "Rossiskaya Gazeta", diminuíram 0,5% e continuarão baixando no mínimo 10%.

Diante da rapidez da crise, os russos mal tiveram tempo de reagir. O governo freia o desemprego, o que quer dizer que centenas de milhares de pessoas subsistem hoje com salários reduzidos ou estão em férias não-remuneradas. No final de outubro a taxa de desemprego chegou a 6,1% da população ativa. Só em outubro se candidataram ao salário-desemprego 76 mil pessoas. Em um futuro próximo, segundo previsões oficiais, os empresários vão demitir 200 mil trabalhadores.

Pela primeira vez em dez anos o Produto Interno Bruto caiu 0,4% em outubro, em relação ao mesmo mês de 2007. Contudo, o prognóstico oficial é de um crescimento de 6,8% em 2008.

Os problemas econômicos são tratados de forma asséptica e abstrata pela televisão estatal, que evita personalizá-los e informar sobre como estes se refletem na vida dos cidadãos. A imprensa, mais explícita, se arrisca. O jornal "Vedomosti" foi objeto de uma advertência sobre possível extremismo por publicar um artigo em que se contemplavam eventuais revoltas sociais na Rússia. O autor, Evgueni Gontmajer, do Instituto da Modernização, se inspirou em Novocherkassk, a cidade russa onde em 1962 ocorreu uma chacina quando o exército disparou contra uma manifestação de operários que protestavam pela diminuição de seu nível de vida. Interrompidas as obras de construção do maior arranha-céu da Europa Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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