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29/11/2008

Ataque terrorista na Índia: 43 horas presas do terror no quarto 1468

El País
Georgina Higueras
Enviada especial a Mumbai
Eles afirmam que não duvidaram de que sairiam vivos, mas a tensão se reflete em seus rostos ao lembrar o momento mais angustiante das 43 horas de prisão impostas pelo terror. "Foi na noite de quinta-feira, quando a segurança do hotel nos telefonou para dizer que iam nos tirar do quarto e pouco depois avisou que os terroristas tinham descido para o 14º andar", declara Álvaro Rengifo, ao lado de seu companheiro de odisséia, Alejandro de la Joya. "Ficamos duas horas no escuro em silêncio. Estávamos muito assustados. Não sabemos se os terroristas andaram pelo andar, mas ouvimos tiros mais perto e havia ruído de passos", acrescenta o diretor geral da Isolux-Corsán. Os terroristas cortaram o telefone, a água e a televisão assim que ocorreu o ataque contra o hotel Trident-Oberoi, onde acabavam de se hospedar na noite de quarta-feira. Embora tivessem luz, os dois empresários espanhóis quase não se atreviam a acendê-la para não chamar a atenção. Só utilizavam a eletricidade para carregar os celulares.

A polícia encontrou no hotel os corpos de 24 pessoas, mas os empresários acreditam que os terroristas não fizeram uma busca de reféns quarto a quarto, e sentem-se "privilegiados" porque o celular permitiu que os especialistas espanhóis indicassem o melhor que podiam fazer em cada momento. "O que nos dava mais medo", continua Rengifo, "era ir ao banheiro, porque a parede dava para o corredor e poderia explodir a qualquer momento". Seu companheiro de batalha e diretor da Ferrovial o repreende: "Não conte isso!"

Rengifo e De la Joya tinham se refugiado no quarto 1468, que era ocupado pelo último. Os dois haviam combinado de jantar juntos e a sorte quis que o elevador em que Rengifo desceu do 21º andar parou no 14º porque De la Joya o havia chamado. "Nesse exato instante nos disseram para não descer que algo estranho acontecia na recepção", afirmam.

O celular estava ligado no vibrador e, como recomendaram os especialistas do Centro Nacional de Inteligência espanhol, eles se revezaram para dormir para resistir melhor. Além disso, quebraram os vidros das janelas quando sentiram que a fumaça dos incêndios os estava sufocando. "Outros reféns se protegeram da fumaça com toalhas e passaram muito mal. Quando os libertaram tinham o rosto todo chamuscado. Nenhum outro quebrou os vidros", afirmam. "Escutamos as explosões de pelo menos 40 ou 50 granadas. Quando ao sair vimos os buracos que havia nas paredes de outros quartos, compreendemos a impressionante sorte que tivemos", conta Rengifo, que diz que o que mais o surpreendeu em seu caminho de volta à liberdade foi encontrar as escadas cheias de sapatos que as pessoas perderam na fuga. Desnutridos, sem se barbear e com apenas algumas bolachas no estômago durante os dois dias de encarceramento, os dois empresários se sentem "afortunados" e acreditam que viveram o susto como "privilegiados" porque durante todo o tempo não viram as conseqüências do ataque. "Alguns foram testemunhas de como crivaram de balas várias pessoas diante de seus olhos."

Nenhum dos dois parece disposto a deixar a experiência se transformar em trauma e impedi-los de seguir seus planos de expansão na Índia. A Isolux-Corsán já tem 200 empregados no país e Rengifo afirma que em breve terá "vários milhares", porque já licitou para outras estradas. Quanto à Ferrovial, confia em fazer alguns dos aeroportos de que essa potência emergente precisa para promover sua saída da pobreza.

Álvaro Rengifo e Alejandro de la Joya viajaram na noite de quinta-feira de volta a Madri em um pequeno avião fretado pela Repsol para apanhá-los. Foram acompanhados por um irmão de Alejandro que se deslocou a Mumbai para tentar agilizar a libertação deles.

Outros 17 espanhóis surpreendidos em Mumbai por uma das maiores séries de atentados coordenados da história da Índia previam viajar na noite de sexta-feira em um avião fretado pela presidência francesa da União Européia, que os levará a Paris e dali a Madri. "Nos trataram como cidadãos de segunda classe", queixou-se Elsa Miguel, uma turista de 50 anos cujo hotel se encontrava diante do Taj Mahal, o principal foco do ataque. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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