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12/12/2008

Reconstrução imediata da mama causa menos sofrimento

El País
Mayka Sánchez
Em Madri
Das 8 mil mulheres que têm uma das mamas extirpadas por causa de câncer por ano na Espanha, 70% permanecem mutiladas, 20-25% se submetem depois de algum tempo a uma reconstrução mamária e somente 5-10% se beneficiam de uma reconstrução imediata da glândula. Um estudo espanhol demonstrou agora que essa última opção é a que causa menor sofrimento emocional e reduz os problemas de ansiedade, depressão e perda de auto-estima depois da operação.

Ainda está muito arraigada na Espanha a crença - errada - de que só um número reduzido de mulheres submetidas à extirpação total da mama (mastectomia) por câncer pode ter acesso à cirurgia reconstrutiva imediata (CRI). O estudo, publicado na revista "Annals of Oncology", revela de maneira taxativa que se as afetadas pudessem escolher optariam pela intervenção que resolve o problema da mutilação da mama, contra a cirurgia reconstrutiva diferida (CRD), que é praticada um ou dois anos depois, ou a ficar sem a glândula, fato que tem uma grande transcendência estética e emocional.

Nesse trabalho retrospectivo, que recolheu uma amostra de 418 mulheres operadas entre 2000 e 2006 no hospital público La Paz de Madri, estabeleceram-se três grupos bem diferenciados, com uma idade média de 55 anos: 194 submetidas a CRI, 110 a CRD e 114 a mastectomia sem reconstrução.

Segundo o cirurgião plástico Jorge Fernández Delgado, diretor do estudo e criador da Unidade de Reconstrução Mamária Imediata (RMI) do La Paz, ao comparar os três grupos quanto ao grau de satisfação observa-se que no primeiro todas estão contentes em maior ou menor grau, no segundo só a metade está satisfeita e no terceiro a maioria das mulheres está insatisfeita.

O estudo, que foi realizado através de pesquisa telefônica com um questionário científica e estatisticamente validado, avaliou especialmente dois aspectos: o grau de satisfação que expressa a afetada e o impacto emocional de cada um dos três grupos.

"Os transtornos de ansiedade, depressão e danos à auto-estima são maiores no grupo das que não têm a mama refeita do que no da reconstrução diferida, e neste grupo são superiores aos da reconstrução imediata. Em relação a um fato como a perda da atração sexual, o último grupo citado é o mais favorecido, com grande diferença diante dos outros dois", indica o diretor e primeiro signatário do estudo, no qual colaboraram os serviços de cirurgia plástica e de ginecologia do La Paz e a Agência Laín Entralgo de Madri.

Para Fernández Delgado, as mulheres submetidas à extirpação mamária por câncer e não reconstruídas estão muito mais expostas a um grande sofrimento emocional, com sérias expressões de ansiedade e depressão, e a alterações importantes em sua vida afetiva, com mais casos de divórcio ou separação.

"Nossa equipe está lutando para que a reconstrução imediata seja um direito de toda mulher mastectomizada na saúde espanhola, já que é ínfimo o número de mulheres que por razões exclusivamente médicas não poderiam se beneficiar dela. Neste caso entrariam as que a rejeitam, que, segundo nossa experiência, é um grupo praticamente inexistente; as que têm uma saúde geral muito deteriorada e aquelas em que a reconstrução imediata poderia influir negativamente no tratamento oncológico complementar", ele diz.

Um relatório europeu reflete que, apesar de na maior parte dos 16 mil a 18 mil novos cânceres de mama verificados por ano na Espanha se praticar cirurgia conservadora ou não mutiladora, existem no mesmo período cerca de 8 mil casos em que se perde o seio e que portanto seriam suscetíveis de reconstrução. A realidade espanhola mostra que atualmente só se realizam 5-10% de CRI, 20-25% de CRD e cerca de 70% de mamas não são reconstruídas. Isso significa que por ano, de forma cumulativa, de 5 mil a 6 mil espanholas com esse problema continuam mutiladas.

"A reconstrução mamária imediata é um direito de toda mulher submetida a mastectomia por câncer, que oferece melhores resultados estéticos, causa menos impacto psicológico e evita cirurgias adicionais, assim como sofrimento humano e gastos da saúde. Em nosso hospital quase chegamos a 400 reconstruções imediatas em seis anos, e desde 2005 realizamos mais de cem por ano, ao nos transformarmos em um centro de referência para a comunidade de Madri", explica Fernández Delgado.

O hospital de La Paz começou a pesquisar com células-tronco de cordão umbilical e sua aplicação em medicina regenerativa da mama. Ainda são poucos em todo o país os hospitais públicos que praticam de forma sistemática a RMI. Na saúde privada só uma companhia seguradora, a Sanitas, oferece a todas as suas afiliadas, desde março de 2007, uma unidade de RMI de características semelhantes e de referência para todo o país.

"Seria muito interessante, para não dizer moralmente obrigatório, criar um programa nacional no qual se produzam sinergias entre os setores público e privado para dar maior cobertura desse tratamento a todas as mulheres que possam se beneficiar em nosso país. A conservação ou reconstrução da mama deve formar um todo com a cirurgia oncológica dessa glândula", afirma Fernández Delgado, que acaba de criar a Associação Espanhola de RMI. A cirurgia no momento da mutilação reduz a perda da auto-estima Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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