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16/12/2008

Anarquistas veteranos e adolescentes se misturam no protesto grego

El País
M. A. Sánchez-Vallejo
Em Atenas
São pouco mais de 500 e seguem táticas de guerrilha urbana em um tabuleiro muito inclinado ao jogo do rato e gato, a intricada topografia do centro da cidade de Atenas. Os protagonistas da violência que há uma semana sacode a Grécia pertencem a grupos anarquistas, contra o sistema e autogeridos, depositários em parte de uma longa tradição de resistência juvenil, mas também herdeiros distantes do grupo guerrilheiro Luta Popular Revolucionária (ELA na sigla em grego), desarticulado no final dos anos 90 do século passado e responsável pela colocação de 200 artefatos explosivos e por dois assassinatos políticos entre 1975 e 1995.

Na primeira linha da revolta distinguem-se dois tipos de guerrilheiros: os chefes, cuja maioria estreou na luta urbana em Atenas em 1991 quando era adolescente, devido aos protestos que se seguiram ao assassinato em Patras do professor Nikos Teboneras, e os novatos, rapazes que estréiam hoje no lançamento de coquetéis Molotov e nas corridas entre rolos de fumaça. Esses últimos "são crianças que até agora o máximo que faziam era nos atirar pedras e voltar para casa quando começavam as bombas de gás lacrimogêneo", afirma uma fonte policial.

Os primeiros usam capacetes de motorista, máscaras higiênicas e proteção ocular; os segundos são os já famosos encapuzados e usam blusões, agasalhos e lenços para esconder o rosto. Os líderes dirigem as ações, mas deixam o campo livre para os outros, mais numerosos e visíveis, e depois de oito dias de distúrbios a ponto de se formar com honras em táticas de guerrilha urbana. Os mais jovens também são os que habitualmente arrebentam as manifestações pacíficas dos estudantes.

Talebans, encapuzados, hooligans, vândalos... O repertório léxico com que os meios de comunicação e muitos cidadãos se referem a eles é abundante, mas pouco salientam a dimensão de terrorismo de rua - "kale borroka" [rebelião basca] à grega - que o fenômeno representa. Os responsáveis pelo movimento estão bem coordenados e mantêm fortes ligações com outros grupos semelhantes da Europa, especialmente alemães, segundo fontes policiais.

No domingo, depois dos distúrbios da noite de sábado, o protesto pareceu dar um alívio. Mas as organizações estudantis previam continuar com suas manifestações pacíficas na próxima semana e também pretendem manter o fechamento dos centros de ensino secundário e das universidades até o início de 2009.

Os campus universitários são pilares essenciais da arquitetura do protesto, já que seu estatuto jurídico exige que a polícia se mantenha fora dos recintos acadêmicos. Os chefes da rebelião dispõem de bases de operações seguras onde fazem estoques de projéteis e preparam os coquetéis Molotov. Em Atenas são três seus quartéis: a Universidade Politécnica e as faculdades de Economia e Direito. No domingo, na entrada da Economia podia-se ver um arsenal de garrafas vazias, pedaços de tecido para fazer mechas e um grande latão cheio de pedras.

Revolta em ritmo de blogs e SMS

A revolta da Grécia já tem entrada na Wikipedia, a enciclopédia instantânea na internet. Com a advertência de que "documenta um acontecimento em curso", o artigo oferece um relato detalhado, embora inconclusivo, dos fatos. As novas tecnologias também se puseram a serviço dos artefatos. Os telefones celulares são correias de transmissão tanto de lemas como de convocações - especialmente entre os estudantes mais jovens, via SMS -, e a internet se revela a retaguarda do protesto. Pelo menos três blogs mantêm em contato os radicais que ocupam os recintos universitários com grupos afins, tanto gregos como estrangeiros.

São os órgãos de expressão do movimento anarquista do bairro de Exarjia, em Atenas, e das ocupações da Politécnica e da Economia. Neles há lugar para o relato dos fatos, a denúncia ou o calendário de atos previstos, mas também para poemas como este do escritor turco Nazim Hikmet: "Se eu não incendeio, se tu não incendeias, se não incendiamos, como fazer luz das trevas?"

A vontade dos radicais é "romper a hegemonia dos meios de comunicação burgueses e acabar com a desinformação", segundo explica um jovem anarquista que ocupa a faculdade de Economia ateniense. "Não temos nada a dizer à mídia, o que vocês quiserem saber podem ver em nosso blog", insistiu no domingo a este jornal.

Mas os radicais não se limitam a escrever. Em sua cruzada contra a "mídia burguesa", também ocuparam estações de rádio locais, como a Flash 96, e alguns inclusive têm sua própria rádio online, como os "okupas" da Politécnica, que emitem 24 horas por dia da Rádio 98. Um núcleo central de 500 radicais chefia a onda de distúrbios Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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