UOL Notícias Internacional
 

18/12/2008

América Latina pede mais voz nos organismos financeiros

El País
Soledad Gallego-Díaz
Em Sauípe (Bahia)
A primeira Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc) terminará hoje na Costa do Sauípe, Brasil, com uma declaração conjunta na qual está previsto que 33 países da região, reunidos pela primeira vez na história sem a presença dos EUA nem da UE, peçam uma maior participação conjunta para construir "uma nova arquitetura financeira internacional que garanta a transparência administrativa e fortaleça os mecanismos de regulamentação". Os países latino-americanos e caribenhos também se comprometeram a "construir uma posição comum" diante da atual crise econômica mundial e a participar ativamente da conferência de alto nível sobre o tema, organizada pela ONU, que ocorrerá no primeiro semestre de 2009.

Na sessão inaugural da megacúpula convocada pelo Brasil, praticamente todos os oradores salientaram a importância de reforçar os mecanismos de integração latino-americanos como única resposta possível à crise financeira e econômica mundial. O fato de haver na América Latina diversos presidentes de esquerda ou centro-esquerda ficou claro na insistência em se manter uma vigorosa agenda social que ajude a defender o emprego e não faça retroceder os avanços obtidos na luta contra a pobreza. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro a advertir sobre os riscos da forte restrição de crédito que existe em todo o mundo e a necessidade de reduzir a dependência comercial da região de moeda estrangeiras, assim como a importância de elaborar posições comuns diante dos organismos financeiros internacionais (FMI, Banco Mundial, etc.).

Em um gesto que salienta a renovada autonomia da América Latina em relação aos EUA, Lula anunciou que o Mercosul (mais a Venezuela) ajudará a Bolívia, muito afetada pela decisão de Washington de punir a expulsão da agência antidrogas dos EUA, DEA, com a supressão de tarifas alfandegárias para os produtos têxteis bolivianos. Evo Morales agradeceu a solidariedade, graças à qual os têxteis de seu país poderão entrar em qualquer membro do Mercosul com tarifa zero.

A voz mais crítica sobre o caminho percorrido até agora foi a do presidente do Equador, Rafael Correa, que afirmou que teria sido mais fácil enfrentar as circunstâncias atuais se a América Latina tivesse se dotado de um banco de investimento regional, que coordenasse o uso da poupança de seus países. "Tudo seria mais fácil", ele insistiu, "se existisse pelo menos um fundo comum de reservas, que muitos de nossos países mantêm agora no exterior e que não ajudam a financiar nossas economias, mas a desses países." Correa, que confronta o Brasil devido à questão do pagamento da dívida, concordou, no entanto, com Lula sobre a urgência de se estabelecer mecanismos que permitam aos países latino-americanos comercializar sem usar moedas estrangeiras como "intermediárias".

Uma das intervenções mais esperadas foi a do presidente do México, Felipe Calderón, muito pouco presente até agora em iniciativas de integração regional, talvez por seu enorme envolvimento econômico com os EUA. Calderón insistiu em falar em "nossa América" e reclamou a inclusão do México na região. De acordo com sua posição mais liberal, advertiu sobre qualquer tentativa protecionista e a necessidade de "reacelerar" o crescimento econômico da região com políticas que permitam atrair os investimentos estrangeiros.

Hugo Chávez preferiu não participar da sessão de abertura e em seu lugar interveio o vice-ministro venezuelano Francisco Arias. "O presidente está atrasado, mas não tanto quanto a entrada da Venezuela no Mercosul", ele brincou, em uma indireta pelo fato de seu país continuar sendo apenas associado à organização. Chávez chegou a tempo de intervir brevemente na segunda sessão plenária. À espera do discurso que deverá pronunciar hoje, insistiu no grande potencial que representavam os 33 países sentados à mesa: "Segundo a Cepal, entre nós todos temos 509,275 bilhões de dólares de reservas", disse. Chávez afirmou que, como havia explicado antes o presidente dominicano, Leonel Fernández, a crise é muito maior do que se disse e serão necessários dez ou 15 anos para se recompor, "então convém que todos lembremos a frase de Sarmiento segundo a qual a América Latina não deve esperar nada senão de si mesma, de nós mesmos".

Na terça-feira também se realizou uma curta cúpula do Unasul, presidido pela presidente chilena, Michelle Bachelet. O assunto mais candente não figurava na ordem do dia: a nomeação do secretário-geral. Não houve consenso. A candidatura do ex-presidente argentino Néstor Kirchner foi vetada pelo presidente uruguaio, Tabaré Vázquez. A cúpula de Sauípe busca uma posição comum diante da crise Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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