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18/12/2008

"O Real Madrid está pagando pelo mau planejamento", diz Robinho

El País
Luis Miguel Hinojal
Em Madri
Hoje ele exibe na Inglaterra o mesmo orgulho de jogador atrevido, a autoconfiança e o ânimo competitivo que um certo Pelé observou na escolinha do Santos e que passeou por Chamartin durante três temporadas. Seu divórcio do clube madrilenho é, em forma e conteúdo, um dos fatores capitais para se analisar a atual crise branca. Depois de flertar com Cristiano Ronaldo, partiu Robinho (nascido em São Vicente, Brasil, em 1984), o jogador mais desequilibrante do Real Madrid, e ninguém veio ocupar seu lugar.

Robinho atende por telefone a "El País", de Manchester, reafirmando os motivos que o levaram a trocar o Real Madrid pelo City. A equipe inglesa o acolheu como bandeira de um ambicioso projeto de futuro que na Primeira Liga não começou com resultados positivos, apesar das notáveis atuações do brasileiro, que já marcou nove gols.

El País - Você pôde assistir Barcelona contra Real Madrid?

Robinho -
É claro. Um clássico, um jogaço. O Barcelona está jogando francamente bem, mas eu pensava que o Madrid fosse capaz de ganhar, porque o time não se rende nunca. Pensei que Drenthe fosse marcar um golzinho... mas falhou.

EP - E como viu seus antigos companheiros?

Robinho -
Tenho pena que estejam sofrendo, porque atravessam uma situação complicada. Me surpreendeu ver marcações individuais e que pensassem tanto em se defender, porque o Madrid sempre olha para a frente. Mas estavam em uma situação muito difícil.
EP - O que você destacaria no Barça?

Robinho -
Gostei muito de Yayá Touré, que jogou uma grande partida. E Messi... Minha mãe! Que fenômeno! E isso que lhe deram muitos pontapés. Mas faz parte do futebol. Ele driblou bem e marcou um golaço.

EP - Há quase quatro meses o Madrid o transferiu para o Manchester City. Nessa perspectiva, como lembra de tudo o que aconteceu no último verão?

Robinho -
Não me arrependo de nada do que fiz e continuo com as mesmas idéias na cabeça. O Madrid é um grande, um timaço, e com uma torcida muito bacana, da qual sempre terei grandes recordações, mas não me arrependo de ter saído.

EP - O presidente Ramón Calderón chegou a justificar sua transferência por "razões de índole humana".

Robinho -
Não me importa nada do que diga um diretor como ele. Além de ele não entender nada de futebol, eu só me preocupo com os torcedores que vão ao estádio e compreendem o jogo. E Calderón não sabe nem o que é futebol.

EP - A diretoria esportiva do Madrid indicou você como um individualista que só pensava em dinheiro.

Robinho -
Se eu pensasse exclusivamente no dinheiro estaria há anos jogando na Arábia ou no Japão. Eu estava concentrado no Madrid, mas me consideraram moeda de troca. E como a diretoria não foi correta comigo, também não fui com eles.

EP - Acredita que o clube esteja pagando agora por seus erros de planejamento?

Robinho -
Claro que está pagando! Um grande clube como o Real Madrid, que neste verão não contratou quase ninguém para equilibrar o time enquanto saem jogadores, como foi o meu caso, dificilmente pode manter um alto nível. Agora pode contratar em janeiro, mas no futebol atual, se não planejarem bem as coisas é complicado se manter na primeira linha por muito tempo.

EP - Como vai sua adaptação a um futebol tão diferente?

Robinho -
É um futebol vertiginoso. Joga-se com uma velocidade tremenda. Ao frio já me acostumei. É mais complicado jogar com chuva. Pensava que seria mais difícil me adaptar, mais pelos pontapés. No início me surpreendeu que os árbitros não apitam nem falta diante de pontapés animais, realmente incríveis. Mas apesar de me chutarem muito estou jogando bem e já marquei nove gols. E o ambiente nos estádios é maravilhoso. Na Espanha a torcida vai ao futebol como quem vai ao teatro. Aqui um escanteio é comemorado como se fosse meio gol.

EP - E o idioma? Como vai seu inglês? Entende os cantos que vêm da arquibancada? Gritam com orgulho "We've got Robinho!" [Nós temos Robinho].

Robinho -
"My English... eeeh... more or less" (risos). Mais ou menos. Estou melhorando. Os torcedores eu entendo bem, porque escuto hip-hop. Falar bem inglês é um pouco mais difícil.

EP - Sua equipe, o Manchester City, está à beira do rebaixamento na Liga, mas é o líder destacado de seu grupo na Copa da Uefa.

Robinho -
Estamos bem na Uefa, uma competição muito difícil. Espero me recuperar plenamente de minha lesão no tornozelo e jogar com o Racing em Santander. Quero voltar a estar igualmente bem como nos primeiros meses em Manchester. Na Liga temos muito para melhorar.

EP - Há algumas semanas, depois de uma derrota, você pediu mais mentalidade vencedora por parte de seu time e que abandonasse os complexos de inferioridade. Como analisa o plantel do City?

Robinho -
O time é bom, tem qualidade, mas ainda falta muita coesão. Apesar dos últimos resultados, minha equipe tem grandes jogadores. Mas temos de querer ganhar sempre, contra qualquer adversário. Nunca devemos nos contentar com um empate. E eu não gosto nada de perder.

EP - Seu treinador, Mark Hughes, tem fé cega em sua capacidade de desequilibrar e em seu caráter inspirador, mas pede tempo para formar uma equipe melhor.

Robinho -
No Brasil, se uma equipe não vai bem demitem logo o treinador. Aqui é diferente, há um projeto em médio prazo e isso é bom. Mark Hughes está lutando para montar um bom time. E tomara que consiga nesta mesma temporada, com a ajuda das contratações que teremos em janeiro. E sem menosprezar nunca os jogadores que já estão no time, que estão trabalhando muito.

EP - Esta semana se completam seis anos daquela final do Campeonato Brasileiro, Santos e Corinthians, a partida em que você se proclamou campeão depois das famosas pedaladas que forçaram um pênalti que você transformou. Depois deu duas assistências. Uma atuação inesquecível.

Robinho -
Foi um dos melhores dias da minha vida. Tinha só 18 anos e desde então me aconteceram muitas coisas. Mudei de clube duas vezes, ganhei títulos com o Madrid e com a Seleção... Agora preciso continuar crescendo. O jogador mais "desequilibrante" do Real Madrid deixou a equipe neste verão depois de se sentir maltratado. O brasileiro conta nove gols em 16 partidas com o time inglês, propriedade da família real de Abu Dabi, que pagou por ele 42 milhões de euros Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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