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20/12/2008

Editorial - As cúpulas de Lula

El País
Editorial de El País
No balneário brasileiro de Costa do Sauípe, perto de Salvador (Bahia), o presidente Lula da Silva foi o anfitrião nada menos que de quatro cúpula simultâneas: CALC, com os 33 países da América Latina e do Caribe; o Grupo do Rio; o Unasul, que é a América do Sul geográfica; e o Mercosul, o lânguido bloco econômico liderado por Brasil e Argentina. Mas foi no primeiro encontro que o brasileiro pôs toda a carne na churrasqueira.

O fruto principal de apenas um dia e meio de conversas foi um compromisso de que esse grande bloco, América Latina e Caribe, exista até 2010, com estrutura e funções permanentes. Lula destacou que foi a primeira vez em dois séculos, desde as independências - cujo bicentenário começará a ser festejado nesse mesmo ano - "em que a região uniu forças", enquanto animava os presentes a "não ser servis aos EUA".

Tudo isso se traduzia na mensagem de que já não somos o quintal dos fundos de ninguém e que, em consonância, a Calc se reuniria sem a presença de estranhos: EUA - na OEA - e Espanha e Portugal - nas cúpulas ibero-americanas; e inclusive não faltou um segundo toque, também à superpotência americana: o convite a Cuba, representada em sua estréia internacional por Raúl Castro, irmão e sucessor de Fidel, o doente.

Há quem tenha dito maldosamente que as presidências latino-americanas se dão melhor ao lançar produtos no mercado do que em fazer que perdurem. Mas o que esse novo agrupamento impõe é, no mínimo, uma reflexão sobre o que é a América Latina e qual é seu projeto. E a Espanha deve se interessar especialmente por esse debate, lançado em 2005 com a presidência do boliviano Evo Morales, mas ao qual Lula sabe que não pode ser alheio.

Ninguém diz que os problemas não serão grandes para um bloco em que o presidente equatoriano, Rafael Correa, mostra hoje pouca disposição ao honrar uma dívida - que qualifica de ilegítima - exatamente com o Brasil, de centenas de milhões de dólares, atitude que poderia facilmente encontrar imitadores na região. Mas não é preciso julgar negativamente que a América Latina e o Caribe trabalhem unidos. E menos ainda crer que a Espanha deva se sentir ameaçada pela concorrência de cúpulas. O que se deve procurar, ao contrário, é que valha a pena que exista um conclave ibero-americano. O presidente do Brasil quer formar um grande bloco político com a América Latina e o Caribe Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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