UOL Notícias Internacional
 

26/12/2008

Dois anos de mistério sobre a morte de Litvinenko

El País
Patricia Tubella
O segundo aniversário da morte de Alexander Litvinenko, em 23 de novembro, passou completamente despercebido numa Londres cujos habitantes encaram com apreensão as compras natalinas em plena recessão econômica. Dois anos atrás, um princípio de alerta difundiu-se na capital britânica quando foi divulgada a morte do ex-espião russo por envenenamento com polônio-210 em pleno centro da cidade. A polícia britânica encontrou vestígios de radioatividade no hotel Millenium, num restaurante japonês onde o antigo membro do FSB degustou um de seus últimos almoços - ambos os lugares, localizados no coração da cidade - e também em vários aviões do aeroporto de Heathrow nos quais haviam viajado cidadãos russos.

A promotoria pública exigiu à Rússia, em maio de 2007, a extradição do empresário Andrei Lugovoi como principal suspeito do assassinato de Litvinenko. A negativa de Vladimir Putin, então presidente - e hoje primeiro-ministro - provocou atritos que se projetaram inclusive no âmbito da cooperação cultural: os russos ameaçaram vetar uma ambiciosa exposição na Royal Academy consagrada às jóias pictóricas de seus grandes museus sob o pretexto de reclamar sua propriedade. A leitura política do acontecimento foi mais além do fato de privar o público da contemplação das obras de Kandinsky, Matisse ou Picasso. A Rússia controlava a chave de energia que alimenta a União Européia e quis lembrar com esse gesto - aparentemente inócuo - seu poder.

Desde então, as notícias sobre a progressão do caso Litvinenko, Sasha para os íntimos, foram nulas, como enfatiza Marina, esposa do espião assassinado. Ela criou uma fundação com o nome de seu marido e escreveu um livro ("Morte de um Dissidente - O Envenenamento de Alexander Litvinenko e a volta da KGB") em colaboração com Alex Goldfarb, mas até hoje não obteve respostas. Todas as provas reunidas pela Scotland Yard, incluindo os dados científicos relativos à origem do polônio, permanecem seladas em documentos confidenciais.

Alexander Litvinenko morreu aos 43 anos num hospital londrino dias depois de declarar em seu leito de morte à BBC que havia sido envenenado e que conhecia os autores, ainda que nunca tenha revelado nenhum nome. Sua trágica trajetória começou em 1º de novembro de 2006, quando aceitou tomar chá em companhia dos homens de negócios Andrei Lugovoi e Dmitri Kovtun no bar de um hotel no centro de Mayfair. As investigações revelam que essa xícara foi fatal. Os dois interlocutores alegaram a intenção de sondar os serviços do ex-espião exilado, que não suspeitou de nada, apesar de encontrar-se em Londres sob a proteção do magnata Boris Berezovsky, grande inimigo de Putin.
Berezovsky - que fez sua fortuna com a privatização do petróleo na antiga União Soviética - fugiu para Londres quando Boris Yeltsin transferiu os poderes a seu sucessor na Rússia.

O encontro seguinte de Litvinenko estava marcado em um restaurante japonês de Piccadilly com o obscuro professor napolitano Mario Scaramella, especialista em espionagem russa, que desejava falar com ele sobre o assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, um mês antes em Moscou, e sobre uma suposta lista negra de opositores elaborada pelos serviços de inteligência russos. Nessa mesma noite ele começou a passar mal e vomitou, embora tivesse atribuído o fato a uma gripe. Dez dias depois foi internado no hospital universitário de Marylebone, onde seu estado foi se deteriorando até a morte. As análises médicas confirmaram que ele havia sido exposto a isótopos radioativos.

As provas que foram divulgadas ou vazaram até agora apontam para Lugovoi como suposto executor. Mas a pergunta-chave que permanece no ar é quem ordenou o assassinato. Essa questão continua sem resposta. As provas sobre o envenenamento de Litvinenko permanecem em segredo e a investigação britânica continua sem novidades Eloise De Vylder

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host