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30/12/2008

Espanha registra o maior aumento de população graças a imigrantes

El País
Pablo Linde e Anabel Díez
Em Madri
A pujança da imigração fez de 2007 o ano de maior crescimento populacional na Espanha desde que se coletam dados anuais. A revisão do censo, publicada na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), mostra um aumento de 957.085 pessoas (2,12%). O aumento é superior ao do recorde anterior, em 2004, quando o censo cresceu em 910.846 inscritos.

Os dados consolidados do INE revisam para cima o crescimento que havia apresentado em junho passado. Soma quase 100 mil habitantes a mais que então, o que situa a população espanhola em 46.157.822 pessoas. Nada acrescenta de novo à computação de imigrantes, que foram os que promoveram o crescimento populacional. Cerca de oito em cada dez novos cidadãos nasceram fora da Espanha, e o número de imigrantes se eleva a 5,2 milhões, em torno de 11% da população total.

Esta revisão do censo, de 1º de janeiro de 2008, traz dados que não eram conhecidos, como as variações de população nas províncias espanholas. Todas crescem em número de habitantes recenseados, exceto Ourense, que perdeu 827 habitantes (0,25%) e Zamora, com 16 inscritos a menos (0,01%). A que mais aumenta em termos relativos é Guadalajara, com crescimento de 13.711 recenseados, 6,12% em relação ao ano anterior.

Os dados do INE consolidam o crescimento populacional em todas as comunidades autônomas. O aumento é encabeçado em termos relativos pelas ilhas Baleares, que crescem 4,09%. As ilhas mantêm um aumento constante na última década, período em que sua população aumentou cerca de 30% em conseqüência da imigração em busca de trabalho e dos estrangeiros que vivem sua aposentadoria na comunidade. Em último lugar em crescimento nas autonomias está a Galícia, com apenas 0,4%.

Quanto aos municípios, todos os com mais de 500 mil habitantes crescem - embora Sevilha em apenas 0,09% -, e a ordem por número de habitantes continua sendo a mesma de um ano atrás: Madri (3.213.271 habitantes), Barcelona (1.615.908), Valência (807.200), Sevilha (699.759), Zaragoza (666.129) e Málaga (566.447). Só três capitais de província perdem população: Cádiz (1.354 pessoas, 1,05%), Salamanca (181, 12%) e Ourense (129, 0,12%). A localidade com menor população é Illan de Vacas, uma aldeia de Toledo com 6 habitantes: 4 homens e 2 mulheres.

A crise econômica na Espanha provocou uma mudança de percepção dos cidadãos sobre o tratamento dado aos imigrantes. Uma ampla maioria de espanhóis considera que "as novas circunstâncias econômicas tornam necessárias mudanças na política imigratória". É o que se depreende do Barômetro 2008 da Fundação Carolina, realizado pelo Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS na sigla em espanhol), no qual 52% dos pesquisados afirmam que a crise econômica deve levar a uma "mudança importante" na política para os imigrantes e 30% indicam que há necessidade de "algumas mudanças". Embora a pesquisa tenha sido revelada agora, foi realizada no final de outubro, com uma amostragem de 2.500 entrevistados.

Há apenas duas semanas o governo apresentou as mudanças na Lei de Estrangeiros para garantir alguns direitos, mas sobretudo para impedir a entrada de familiares de imigrantes em idade de trabalhar. Também foram limitadas de forma contundente as possibilidades de contratação nos países de origem.

No estudo encomendado por essa fundação, dirigida pela socióloga Rosa Conde, ex-ministra dos governos de Felipe González, e que depende politicamente da secretária de Estado de Cooperação, Soraya Rodríguez, 46% estimam que a crise econômica "afeta igualmente" espanhóis e estrangeiros; 35% destes consideram que são mais afetados. Aumenta a opinião de que o trabalho realizado pelos imigrantes beneficia mais seus países, pelas remessas que enviam, do que a Espanha. Assim, 45% consideram que saem beneficiados seus países de origem, contra 42% com essa opinião nas pesquisas de 2006 e 2007; 28% afirmam que "ambos se beneficiam igualmente".
Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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