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31/12/2008

Opinião: Acordo Sarkozy-Lula

El País
Editorial do El País
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não estará se empachando de êxito? Depois da multicúpula em Sauípe, na Bahia, da qual saiu fortalecida sua liderança latino-americana, veio a reunião anual entre Brasil e a UE, esta última representada com sua bulimia política característica pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, na qual o Brasil se proclamou grande "parceiro estratégico" da Europa.

A nação americana de fala portuguesa já é há alguns anos um gigante, sim, mas cambaleante, de forma que hoje parece lícito se perguntar se o Brasil prefere ser cabeça de rato ou cauda de leão, pois conta com 190 milhões de habitantes, mas uma renda per capita que não passa dos 4 mil euros.

Em Sauípe, Lula, que tem muitíssimo a ver com essa nova imagem de seu país, foi anfitrião de todos os Estados latino-americanos, mais Suriname e Caribe. Muito significativamente, não participaram os EUA nem o Canadá - que estão na OEA -, nem Espanha e Portugal, presentes nas cúpulas ibero-americanas. Em sua última viagem como presidente de turno europeu, Sarkozy deu no Rio, em seu próprio nome e no da UE, uma autêntica aprovação ao Brasil como potência regional.

O inquilino do Eliseu não assina nem anuncia acordos menores. Assim, desta vez se comprometeu a facilitar a Brasília tecnologia para a fabricação de 50 helicópteros para sua força aérea e a montagem de quatro submarinos convencionais e um nuclear, tudo isso em um prazo de dez anos; e assinou um programa de cooperação ambiental e ação conjunta para enfrentar a crise econômica. Ao todo, quase 9 bilhões de euros, que, entre outras coisas, servirão para o Brasil desenvolver sua indústria de armamentos.

Dessa cifra respeitável, 6 bilhões irão para companhias francesas e o restante para brasileiras. Um indício de eixo Paris-Brasília, que não deveria deixar indiferente o governo espanhol, poderia se vislumbrar diante da realização da segunda cúpula sobre a crise global prevista para Londres, da qual participarão os dois países e previsivelmente também a Espanha.

Mas o presidente brasileiro não pode se apresentar para a reeleição em 2010, depois de cumprir dois mandatos consecutivos. Com isso, surge a indagação sobre se sua crescente imagem internacional e vontade de grande potência hemisférica são facilmente transmissíveis para seu sucessor. O presidente brasileiro se transformou no grande interlocutor latino-americano da Europa Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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