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31/12/2008

Opinião/Análise: Obama e 2009

El País
M. Á. Bastenier
Ano de transição, 2009, sim, mas para quê? Ano em que os especialistas afirmam que a crise vai piorar antes de melhorar. E algo assim pode acontecer no panorama político mundial, embora com a salvaguarda de que ninguém pode garantir a melhora.

Parte-se, no entanto, de uma mudança positiva: em 20 de janeiro toma posse um novo presidente norte-americano, que é impossível que mantenha o nível de despropósito do que sai. George W. Bush consentiu que alguns delinqüentes da geoestratégia seqüestrassem a presidência, e por isso vai entregar a Barack Obama um planeta com todos os indicadores em números vermelhos.

Mas a opinião pública internacional, e especialmente a européia, que aceita cada vez pior as decepções, já descontou esse alívio e coloca o padrão tão desconsideradamente alto que o primeiro problema do novo presidente será que nenhuma melhora chegará tão depressa nem tão drasticamente para que o mundo se sinta compensado pelo que deixa para trás. Desfazer o emaranhado Bush-Cheney-Wolfowitz-Perle levará tempo. Esta é, por isso, uma lista de convivências em transição para 2009.

Guantánamo. É o primeiro que Obama vai liquidar, mas não se fecha uma prisão que violou todas as leis internacionais como se fosse uma mercearia. Há um plano para fazer isso em dois anos. Entretanto, o que acontece com todas as masmorras que a CIA tem espalhadas pelo mundo, sobretudo entre os serviçais ex-satélites de Moscou?

Iraque. O presidente eleito gostaria de retirar todas as tropas de combate até 2010, e o plano aprovado pelo Parlamento iraquiano fala em fim de 2011. O presidente pode aceitar esse atraso, mas os generais dizem que mesmo a segunda data é prematura. Se todos os veículos que os EUA têm na guerra fossem colocados em fila, formariam uma linha de 20 mil quilômetros, meia circunferência do planeta. E, mais importante, a nova presidência americana está disposta a deixar no Iraque um contingente preventivo de 40 mil soldados ou mais.

Afeganistão. Obama quer recrutar, como no país árabe, uma milícia civil para remediar uma guerra da qual não se vê o fim. Mas se no Iraque foi relativamente fácil pagar um contingente de sunitas, primeiro para que não combatesse o invasor americano, e segundo para que o fizessem contra outros sunitas rebeldes e os terroristas da Al Qaeda, em terra afegã é muito mais difícil distinguir taleban de quem não é.

É um país basicamente rural, diferente do Iraque urbanizado que Saddam Hussein deixou, no qual sem passar pelos chamados senhores da guerra é impossível enquadrar qualquer força e ao mesmo tempo impedir que suas armas acabem no bazar de Peshawar ou se voltem contra quem as forneceu.

Paquistão. O líder democrata disse que levaria a guerra contra o terrorismo à zona de fronteira do Paquistão com o Afeganistão, não se sabe se com o consentimento de Islamabad ou sem ele. Mas o Estado criado especialmente para receber os muçulmanos do subcontinente está para poucos experimentos, enquanto se debate entre seus próprios espasmos terroristas contra um governo que considera fantoche de Washington e contra a Índia, e um extenso apoio intelectual e popular ao fundamentalismo islâmico.

Irã. É possível que o próximo presidente americano faça algum gesto em direção a Teerã - assim como a Havana -, mas de seu colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad, dificilmente cabe esperar concessões, porque o Irã, que é o grande beneficiário da guerra do Golfo, só está interessado em que o deixem manipular o átomo à vontade, o que Obama não pode admitir.

Oriente Médio. Todo autêntico avanço de negociação deveria passar por um giro radical dos EUA, que lhe permita se apresentar como mediador entre israelenses e palestinos, o que levaria à provável aprovação, conjuntamente com a UE, de sanções econômicas contra o ocupante.

Isso é verossímil, quaisquer que sejam as melhores intenções do futuro presidente? Seu ensurdecedor silêncio diante do massacre de Gaza é cautela, imparcialidade ou pânico? Israel poupou ao presidente democrata a invasão antecipando-a, mas também o avisa de que sua vitória militar não é negociável.

Barack Obama não foi nomeado presidente de Lesoto, mas dos EUA, que continuam sendo o único ator universal, com todo o seu investimento estratégico e compromissos internacionais, e por isso essa transição bem pode acabar sendo a do desencanto, devido às altíssimas expectativas que o afro-americano não pôde ou não quis moderar. Esta transição pode acabar em decepção, devido às altas expectativas diante do novo presidente americano Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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