UOL Notícias Internacional
 

06/01/2009

Putin manda reduzir remessa de gás para a UE

El País
R. M. de Rituerto / R. Fernández
Do El País
Em Bruxelas e Moscou
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ordenou na segunda-feira que a companhia Gazprom reduza a remessa de gás para a Ucrânia na mesma medida em que esse país desvia o combustível do fluxo destinado à União Européia. A decisão ameaça criar graves problemas de abastecimento na UE, dada a complexidade técnica do sistema de transporte de gás. O mandatário russo pediu que se informasse a decisão a Bruxelas, mas ontem à noite um porta-voz comunitário disse não ter notícia disso nem de problemas de abastecimento. A Comissão e a própria União continuam afirmando que a crise é um mero conflito comercial entre Rússia e Ucrânia, do qual os 27 não querem sair prejudicados e por isso pedem a Moscou e Kiev o máximo esforço na negociação.

Há poucas possibilidades imediatas de que russos e ucranianos cheguem a um acordo, diante do envenenamento da crise conforme passam as horas, as ameaças mútuas de recorrer aos tribunais internacionais e a pouca vontade de negociar. Enquanto o vice-presidente da Gazprom dizia em Paris estar disposto a sentar-se para discutir com a Ucrânia e lamentar que ninguém fosse a sua mesa, seu chefe, Alexei Miller, declarava em Moscou que "a Ucrânia rouba gás russo em volume cada vez maior".

Putin convocou o executivo máximo do gás para se informar em primeira mão sobre a evolução dos acontecimentos e Miller lhe indicou que a Ucrânia havia se apoderado de 63,5 milhões de metros cúbicos de gás. "O que pensa fazer?", indagou Putin. "Cortar o abastecimento no mesmo volume que foi subtraído e depois cortar diariamente o volume de gás roubado", respondeu Miller, segundo a agência de notícias russa Interfax. "De acordo", respondeu o presidente. "Reduza a partir de hoje e informe os sócios europeus e a Comissão Européia sobre a situação."

Bruxelas não tinha na última hora de ontem notícia oficial sobre a medida, que a Rússia se propõe a compensar com o aumento do fluxo de gás através da Belorus e da Turquia. Moscou não quer que a sanção à Ucrânia, que se nega a pagar o preço pedido pelo fornecedor, a Gazprom, afete os clientes europeus, pagadores pontuais. À espera dos potenciais efeitos sobre o fornecimento da anunciada redução do bombeamento, as informações que circulavam ontem pela Europa sobre o ocorrido eram díspares e até contraditórias.

Bruxelas mantinha que, superadas as irregularidades registradas no fim de semana, os diversos países haviam voltado à normalidade no abastecimento. Esse ânimo tranqüilizador foi reforçado por Ferran Tarradellas, porta-voz do comissário de Energia, Andris Piebalgs, ao declarar que "não há perigo sobre o abastecimento aos consumidores". E foi para o futuro imediato: "Os níveis das reservas são bastante altos, entre 70% e 90%, e por isso pensamos que não haverá problemas nas próximas semanas".

Em campo, as informações eram menos tranqüilizadoras. Alguns países, como a Romênia, já tiveram de recorrer a suas reservas, embora o abastecimento tenha se normalizado; outros, como a Eslováquia, detectaram certa redução, já regularizada; outro grupo sofreu perdas de pressão e outros, como Polônia e Grécia, tiveram quedas substanciais no volume contratado compensadas com entradas via Belorus ou Turquia.

A alemã RWE recorreu à Noruega para enfrentar os 5% de redução. Na Croácia algumas fontes falaram em perdas notáveis enquanto outras, em plena normalidade.

A presidência checa da UE - que ontem chefiou uma missão de informação em Kiev e que prevê para hoje reunir-se em algum lugar da Europa com a Gazprom - convocou os embaixadores a Bruxelas para analisar a situação. "A UE não quer mediar essa disputa", fontes checas resumiram a discussão. Ao que a Comissão acrescenta: "É uma disputa comercial e deve ser resolvida pelas partes. Somos o principal mercado do gás russo e temos interesse em pressionar as partes para que cheguem o quanto antes a um acordo definitivo".

Se a Rússia e a Ucrânia não chegarem urgentemente a uma solução de compromisso, a nova medida da Gazprom trará sérios problemas para a UE, que já está sendo afetada pela queda do abastecimento. Miller disse que para compensar a redução do gás que vai para a Europa por território ucraniano sua empresa aumentará o que bombeia através da Belorus, Polônia e Turquia. Mas é verdade que os russos exportam 80% do gás destinado à Europa através da Ucrânia e que os outros gasodutos, devido a sua capacidade limitada, não podem tecnicamente compensar toda essa quantidade de combustível.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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