UOL Notícias Internacional
 

08/01/2009

Obama é envolvido em problemas que obscurecem seu plano de ajuda econômica

El País
Francisco Peregil
Do El País
Em Washington
O Congresso dos EUA começou na terça-feira seu novo curso político, mas quase ninguém fala do novo curso em Washington. Na teoria, esta semana era o momento de lembrar que desde 1993 os democratas não tinham uma maioria tão ampla (256 dos 435 deputados) e que entre os 100 escanos do Senado 59 pertencerão aos democratas se finalmente se acertar o caso de Minnesota, onde depois de dois meses de recontagem dos 2,9 milhões de votos o senador democrata Al Franken ganhou por apenas 225 cédulas e seu adversário republicano recorreu nos tribunais.

Era inclusive o momento de falar sobre o plano de resgate econômico avaliado em cerca de 570 bilhões de euros, o programa sobre o qual a equipe de transição do presidente eleito Barack Obama trabalhou durante as férias de Natal tentando convencer, sem sucesso, os congressistas republicanos para que estivesse aprovado quando ele assumir a presidência. Obama apresentou na quarta-feira Nancy Killefer como chefe de Cumprimento de Metas, cargo criado expressamente para supervisionar que cada dólar seja alocado de forma eficiente. Mas nem essa nomeação nem o anúncio de que as previsões do déficit são maiores que as anteriores vão liberar o US$ 1,2 bilhão para o próximo ano, nem seu almoço com o presidente George W. Bush na Casa Branca conseguiram dissipar as nuvens pesadas que se acumularam sobre Obama nos últimos dias.

O governador de Illinois, Rod Blagojevich, que enfrenta um julgamento por corrupção e um processo político de impeachment no Congresso de Illinois, pela suposta tentativa de leiloar a vaga no Senado, aguou a festa de Obama. Em vez de se demitir, como lhe pediu o presidente eleito, o governador nomeou para ocupar o lugar vago Roland Burris, ex-promotor em Illinois. Burris, 71 anos, disputou seis eleições primárias e perdeu todas para os cargos de senador (1984), prefeito de Chicago (1995) e governador de Illinois (1994, 1998 e 2002). Não tem carisma nem capacidade de oratória em um estado onde, além de Obama, surgiram pessoas como o reverendo Jesse Jackson. Mas Burris é negro. Foi o primeiro promotor negro de seu estado e no ano passado declarou que se não tivesse havido um Roland Burris também não haveria um Barack Obama. O presidente eleito era o único senador negro em um edifício que foi levantado graças aos escravos negros, e na terça-feira Burris foi acompanhado de seu advogado negro prestar juramento como senador.

Seus companheiros de partido o impediram, alegando que não tinham nada contra ele, mas que jamais poderia ocupar esse posto uma pessoa designada por Blagojevich. No entanto, na quarta-feira, o líder dos senadores democratas, Harry Reid, depois de uma conversa de 45 minutos com Burris e com o senador democrata por Illinois Richard Durbin, compareceu diante da imprensa para deixar uma porta aberta para Burris. Reid disse que se Burris conseguir a assinatura necessária do secretário de Estado de Illinois, Jesse White, que também é negro e havia se oposto a que Burris ocupasse o cargo, e convencer a comissão parlamentar do estado que conduz o processo de expulsão de Blagojevich de que ele não teve nada a ver com as corruptelas do governador, o Senado aceitaria sua nomeação.

Obama, apesar de ter-se oposto no início a sua designação, declarou na quarta-feira que se adaptaria ao que o Senado decidisse. Burris é conhecido em Illinois pelo elevadíssimo conceito que tem de si mesmo. "Sou um mago", declarou na semana passada em relação a sua capacidade de resolver problemas. Em Chicago, tem preparada sua tumba de mármore preto e gravados sobre ela constam os sucessos que reuniu em seus 71 anos de vida, com espaço suficiente para acrescentar alguns. Um de seus maiores êxitos foi ter ostentado cargos públicos durante 16 anos em uma cidade tão afetada pela corrupção quanto Chicago e não ter sido processado nem uma vez.

Outro grande problema que Obama teve de enfrentar é o da nomeação do antigo chefe de gabinete, Leo Panetta, como diretor da CIA. Senadores democratas criticaram que Panetta não tem qualquer experiência no mundo da espionagem. E até o vice-presidente eleito, Joe Biden, disse que foi "um erro" nomeá-lo sem consultar a comissão de inteligência do Senado, presidida pela democrata Dianne Feinstein, que não só não apoiou Panetta como se pronunciou desde o início contra a vontade de Obama de impedir a nomeação de Roland Burris como senador.

Mas Obama se reafirmou em sua decisão e elogiou a trajetória política de Panetta, que em julho passado declarou: "Os que apóiam a tortura acreditam que se pode abusar dos prisioneiros em determinadas circunstâncias e continuar sendo fiéis a nossos valores. Mas ou acreditamos na dignidade do indivíduo, no regime de direito e na proibição do castigo cruel e incomum, ou não. Não há meio-termo."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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