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08/01/2009

Desenho clássico volta ao espaço

El País
Alicia Rivera
Do El País
Em Madri
A Nasa prepara a nova cápsula Orion, que retoma a idéia das antigas naves

As viagens ao espaço em naves parecidas com aviões - os vistosos e complexos ônibus espaciais - estão terminando. Se esse tipo de transporte for novamente adotado, será em um futuro distante, tanto que hoje não há sequer planos para isso. A perspectiva é que os astronautas americanos voltem às cápsulas colocadas na ponta de um foguete que os ponha em órbita. Sim, as novas se parecerão um pouco mais que na forma com as históricas do programa Apollo, nas quais uma dúzia de homens viajou à Lua há 40 anos.

O modelo da nova cápsula Orion já existe e estão sendo testados seus sistemas enquanto se prepara o primeiro voo de teste - no segundo semestre deste ano - do foguete Ares I, que a colocará em órbita. Mas não faltam problemas, desafios e críticas a esse programa chamado Constellation, o novo sistema de transporte da Nasa.

A volta ao desenho clássico de cápsulas parece ser um caminho sem retorno. O que não está tão claro é quando as naves atuais voarão pela última vez. O diretor da Nasa, Michael Griffin, tem o plano muito claro: o último ônibus espacial decolará em 2010 e em 2015 partirá o primeiro Ares I. Mas esse calendário, e a própria permanência de Griffin na Nasa, dependem das decisões do novo presidente, Barack Obama, e quanto antes ele as tomar melhor, segundo os especialistas.

A Orion volta à forma cônica tão experimentada e eficaz para a abrasiva reentrada na atmosfera terrestre. Assim eram as cápsulas do programa Apollo e assim continuam sendo as Soyuz russas. Mas a nova espaçonave americana é bem maior que essas duas. Com um diâmetro de 5 metros e 3,3 de altura, pesa 15 toneladas vazia e terá 11 metros cúbicos habitáveis; dará lugar a seis astronautas em trânsito para a Estação Espacial Internacional (EEI) a partir de 2015 e depois, em 2020 o mais cedo, levaria quatro tripulantes em viagem à Lua. As Soyuz são de três lugares, como eram as Apollo. Estas últimas mediam 3,9 metros de diâmetro e 3,5 de altura, pesavam 5,8 toneladas e sua cabine tinha 6 metros cúbicos.

As diferenças não estão só no tamanho. As Orion vão incorporar tecnologias do século 21 em eletrônica, sistemas de suporte vital, propulsão, proteção térmica e, é claro, nos computadores, anunciou a Nasa. Para o abastecimento de energia, as novas cápsulas levarão baterias e pilhas de combustível, como as antigas, mas também incluirão painéis solares para estar em órbita lunar durante períodos prolongados.

Há 40 anos os astronautas da Apollo partiam em um foguete Saturno V com todo o aparato necessário para a viagem lunar (o módulo de comando, o de serviço e o de descida). Ao chegar à Lua, dois deles passavam para o módulo de descida e o terceiro ficava em órbita esperando seus afortunados colegas.

A estratégia de voo no Constellation é diferente. Primeiro partirá a Orion com os astronautas em um Ares I. Depois, com um foguete pesado Ares V, será lançada a etapa de propulsão para separar-se da Terra e o módulo de descida lunar Altair. Tudo isso será acoplado à Orion em órbita e o conjunto empreenderá a viagem lunar de quatro dias. Uma vez lá, os quatro astronautas descerão ao solo no Altair e deixarão a Orion vazia em órbita, esperando-os para voltar à Terra.

Os dois Ares, I e V, herdam componentes estruturais dos ônibus espaciais para aproveitar as tecnologias e reduzir custos. Mas ao mesmo tempo herdam problemas. O excesso de peso da Orion no Ares I deu muita dor de cabeça aos engenheiros. Outro problema são as vibrações excessivas do Ares I, mas os especialistas consideram normais as dificuldades em um programa como este.

O primeiro teste do Ares I, denominado Ares I-X, cumprirá os dois minutos iniciais de voo do foguete, elevando-se a 45 quilômetros de altura. Estava previsto para abril próximo, mas foi adiado para o segundo semestre porque é preciso modificar uma das duas plataformas de lançamento usadas hoje pelos ônibus espaciais na base Kennedy na Flórida. O Ares V, concebido para levar cargas pesadas, está mais atrasado: na própria terça-feira a Nasa convocou propostas para o projeto detalhado desse foguete.

Milhares de pessoas já estão trabalhando no Constellation, defendido com unhas e dentes por Griffin contra algumas propostas alternativas. Por um lado, um grupo de engenheiros projetou outro sistema de lançamento, também derivado dos ônibus, o Direct 2; teria um só foguete, o Jupiter, com duas versões, para levar a cápsula dos astronautas e toda a parafernália lunar. A Nasa avaliou essa opção e considera que seria mais cara do que o Constellation, demoraria mais para ser desenvolvida e não cumpriria todas as especificações.

Outra proposta é adaptar os atuais foguetes americanos Atlas e Delta de lançamento de satélites. Griffin argumenta contra que seria muito custoso e trabalhoso conseguir que cumprissem os requisitos de segurança obrigatórios quando está em jogo a vida de astronautas. De qualquer forma, as cápsulas sempre iriam na ponta de um foguete, a salvo dos restos de isolante que sistematicamente se desprendem nos lançamentos dos ônibus espaciais e que se transformaram em um pesadelo associado a essas naves.

Paralelamente, e sem defender um foguete ou outro, ouvem-se nos EUA vozes que pedem para manter em serviço os três ônibus espaciais até que esteja pronto o novo sistema de transporte espacial. O fato de os astronautas da Nasa não terem uma nave própria durante cinco anos e terem de ir à EEI nas Soyuz é um trago amargo para o orgulho americano.

Griffin acrescenta que com o dinheiro que se poupará ao aposentar os três ônibus espaciais em 2010 se poderá antecipar para 2014 o lançamento do Constellation. Além disso, há a questão nada desprezível da segurança dos astronautas, sempre muito comprometida nessas naves veteranas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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