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09/01/2009

Novas pistas para evitar danos na esclerose múltipla

El País
Carmen Girona
Do El País
Em Madri
A esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central altamente nociva, cujos primeiros sintomas passam muitas vezes despercebidos. Novos estudos confirmaram que a detecção precoce dos primeiros sintomas é essencial, pois quanto mais cedo forem aplicados os tratamentos disponíveis melhor sua evolução. A questão é como identificar os primeiros sinais.

A esclerose múltipla é uma doença imunológica multifactorial, de clara predisposição genética e com um componente ambiental ainda não identificado. Afeta a mielina que envolve as fibras nervosas e se manifesta de diversas maneiras, como visão borrada ou dupla, alteração da fala, perda de sensibilidade nas extremidades ou perda de equilíbrio, sintomas comuns a outras doenças, o que às vezes retarda o diagnóstico

A ressonância magnética e a análise do líquido cefalorraquidiano revelaram-se as melhores armas para detectá-la. O diagnóstico e tratamento precoce são essenciais para evitar a perda do tecido nervoso. O debate científico se concentra agora em estabelecer os critérios que confirmem a doença a partir do primeiro surto, o que se conhece como síndrome clínica isolada.

"A esclerose múltipla é a principal causa de incapacidade por doença entre jovens. Trabalhos recentes demonstraram que só 10% a 15% dos pacientes desenvolverão uma esclerose múltipla benigna, e o resto quanto maior for o tempo de evolução maior será a incapacidade. Como dispomos de medicamentos indiscutivelmente eficazes e temos a expectativa certa de que surgirão novas terapias em pouco tempo, é muito importante poder agir precocemente", salienta Alfredo Rodríguez Antigüedad, chefe de neurologia do hospital de Basurto (Bilbao) e coordenador do grupo de estudos de doenças desmielinizantes da Sociedade Espanhola de Neurologia.

A ressonância magnética é a técnica de imagem mais sensível para diagnosticá-la. Se antes eram precisos pelo menos duas ressonâncias, hoje há cada vez mais elementos para poder confirmar a doença com uma única. "A esclerose múltipla se define pelo aparecimento de lesões inflamatórias no cérebro ou na medula e ao longo do tempo. Se pudermos identificar lesões ativas em ressonância, quer dizer, lesões recentes, e ao mesmo tempo lesões inativas, aquelas em que já passou a fase de informação, pode-se estabelecer o critério de disseminação temporal", indica Rodríguez Antigüedad.

A análise do líquido cefalorraquidiano se transformou em outra ferramenta básica para confirmar o diagnóstico e conhecer o prognóstico da doença: 95% dos pacientes em que se realiza esse teste em condições precisas e com um laboratório adequado têm bandas oligoclonais de IgG (um tipo de imunoglobulina), o que demonstra as características autoimunes da doença.

Graças ao trabalho de pesquisa de um grupo multidisciplinar do hospital Ramón y Cajal de Madri, coordenado por Luisa María Villar Guimerans e José Carlos Álvarez Cermeño, se constatou pela primeira vez que um terço dos pacientes com esclerose múltipla têm bandas IgM (outra imunoglobulina) e que a presença dessas moléculas é associada a uma evolução pior da enfermidade. Em 2008, o grupo de pesquisa de esclerose múltipla do Instituto Karolinska de Estocolmo confirmou esses dados em um estudo independente.

A equipe do hospital Ramón y Cajal também demonstrou que os linfócitos BCD5+ são as células produtoras das IgM e que esses anticorpos se fixam nos lipídios da mielina, favorecendo sua deterioração. Por essa razão, os pacientes que têm bandas de IgM sofrem escleroses mais agressivas, segundo publicou o "Journal of Clinical Investigation" em 2005. "A descoberta dos linfócitos BCD5+ é de grande interesse porque assim é possível criar terapias contra essa variedade. Também foi a primeira vez que se correlacionou uma resposta imune alterada contra um componente da mielina com a evolução dos pacientes com esclerose múltipla", afirma Villar Guimerans.

Álvarez Cermeño acrescenta que "um estudo do líquido cefalorraquidiano é muito útil, tanto para os pacientes com síndrome clínica isolada como para os que já foram diagnosticados com a doença. As bandas IgG confirmam que o paciente vai ter mais risco de recaídas no futuro e portanto mais risco de desenvolver esclerose múltipla. Mas se, além disso, tiver bandas IgM, muito provavelmente terá o segundo surto nos 12 meses seguintes. Assim, temos duas ferramentas para determinar a doença e iniciar o tratamento precocemente."

Essas descobertas podem ajudar a resolver a atual controvérsia científica sobre os critérios que permitam comprovar o diagnóstico de esclerose múltipla nos pacientes com um primeiro surto, já que estudos diferentes sugerem que os danos produzidos antes da medicação não são recuperados.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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