UOL Notícias Internacional
 

10/01/2009

UE pressiona pela volta do abastecimento de gás

El País
Rodrigo Fernández Em Moscou
A UE trabalhava contra o relógio na sexta-feira (dia 9) para que a Rússia e a Ucrânia ponham fim à guerra energética travada entre os dois países desde 1º de janeiro, que causou problemas de abastecimento de gás em meia Europa. Tratava-se de fechar os detalhes de um acordo que permita a uma equipe de observadores controlar o trânsito de gás pelo território ucraniano. Moscou se comprometeu a retomar o bombeamento para os clientes europeus assim que for implantada a operação de vigilância.

O primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, cujo país detém a presidência rotativa da UE, viajou na sexta-feira à tarde para Kiev e neste sábado estava prevista sua ida a Moscou para acertar os últimos detalhes do acordo. Se para a Europa há indícios animadores de que proximamente o abastecimento será restabelecido, o conflito não parece ter solução por enquanto. O presidente russo, Dimitri Medvedev, disse na sexta-feira que Kiev terá de pagar o preço comercial do gás, mais alto que o "subvencionado" que Moscou havia lhe oferecido e que os ucranianos recusaram por considerar excessivo. O desacordo no preço do gás para 2009, junto com o não-pagamento de dívidas por parte da Ucrânia, foi um dos motivos que provocaram essa guerra. Primeiro Moscou cortou o gás da Ucrânia, e poucos dias depois decidiu cortar o combustível que passa pelo país vizinho com destino à UE, alegando que Kiev o estava roubando. Pela Ucrânia passam 80% das exportações de gás da Rússia para a Europa.

O presidente da Gazprom, Alexei Miller, reiterou na sexta-feira que o fluxo de gás para a Europa será restabelecido quando os especialistas que devem controlar o trânsito do combustível estiverem nas estações de bombeamento. Mas antes disso o Kremlin exige que seja assinado um memorando que defina um mecanismo de controle. Ao mesmo tempo, o porta-voz da Comissão Européia Fernán Tarradelas manifestou em Bruxelas que a Rússia concordou com as condições em que trabalharia a missão de controle na Ucrânia e salientou que considera que a ausência de um documento assinado "não deve servir de fundamento para não retomar o abastecimento de gás". Para Tarradelas, um documento como o que a Rússia propunha poderá ser assinado futuramente, mas agora o importante é que o grupo de especialistas "comece seu trabalho e o abastecimento seja retomado".

Enquanto isso, Ucrânia e Rússia trocaram ao longo do dia acusações que emperram o acordo para o início do trabalho da missão internacional de controle. A companhia ucraniana Naftogaz declarou que não houve progresso nas negociações porque provavelmente a delegação da Gazprom não tinha dificuldades para fechar um acordo e seu porta-voz Valentin Zemlianski denunciou que os russos "estão dando trelas ao assunto; tentam prolongar ao máximo possível esse processo". Miller, por sua vez, opinou que a Naftogaz colocava obstáculos artificiais porque a Ucrânia "tem medo" de aceitar um mecanismo de controle.

"Se este for criado, nossos colegas ucranianos deverão trabalhar de forma aberta e transparente, algo que não apreciam muito", disse Miller durante seu encontro com Medvedev no balneário de Sochi, nas margens do mar Negro. Além disso, os russos acusaram os ucranianos de se negar a permitir que representantes da Gazprom façam parte da missão.

Topolanek, como primeiro-ministro do país que detém a presidência rotativa da UE, decidiu viajar a Kiev e depois a Moscou para tentar agilizar o acordo. "Minha missão é delicada. As duas partes tentam salvar a cara, mas apesar de eu ser otimista não esperem que lhes garanta que o problema será resolvido hoje", declarou ontem antes de partir de Praga com destino à Ucrânia.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, manteve na sexta-feira várias conversas telefônicas com Topolanek e com a chanceler alemã, Angela Merkel. Em um comunicado divulgado pelo governo russo, se diz que Merkel e Putin "confirmaram seu acordo de criar o mais rápido possível um mecanismo de controle internacional do trânsito de gás russo pelo território da Ucrânia com a participação de representantes da Gazprom, Naftogaz, os ministérios da Energia dos dois países, especialistas independentes e representantes das companhias européias consumidoras do gás russo".

Em Kiev, um tribunal local anulou um acordo adicional assinado pela Naftogaz com a Gazprom e que estava em vigor sobre as tarifas de trânsito do gás russo, argumentando que esse contrato não tinha sido ratificado, como é necessário, por protocolos intergovernamentais. A Rússia, por sua vez, afirma que os conflitos surgidos pelos contratos assinados devem ser vistos no tribunal de arbitragem de Estocolmo e não reconhece a jurisdição para eles dos tribunais ucranianos. Em todo caso, essa decisão judicial poderá trazer novos problemas para o gás em trânsito para a Europa.

Mas se as perspectivas de retomada nos próximos dias do fluxo de gás para a UE são boas, as possibilidades de a Ucrânia voltar a receber proximamente o combustível russo são escassas. Medvedev afirmou na sexta-feira que Moscou cobrará o preço comercial do gás, isto é, mais de US$ 400 por 1 mil metros cúbicos. Dificilmente a Ucrânia poderá aceitar esse preço, levando em conta que se negou a assinar o contrato para o abastecimento deste ano porque já considerava excessivos os US$ 250 que a Rússia pedia em princípio. Entretanto, a própria Ucrânia já está começando a ser afetada pelo conflito com seu vizinho, como demonstram a decisão de prolongar as férias escolares em Zaporozhie, porque não tem combustível suficiente para aquecer os estabelecimentos de ensino, e cortar a água quente em duas localidades da Criméia e limitar o consumo de gás em diversas outras cidades do país.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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