UOL Notícias Internacional
 

15/01/2009

Washington faz preparativos para o grande evento de sua história

El País
Antonio Caño
Em Washington
Washington se prepara para um dos maiores acontecimentos de sua história. Algo que supera em expectativa e significado quase tudo o que já se viu aqui - mais de 2 milhões de pessoas serão testemunhas da posse do primeiro presidente negro dos EUA - e que, ao mesmo tempo, constitui o maior desafio enfrentado até hoje pelos serviços de segurança desta cidade. Talvez seja a mais gigantesca operação de segurança já realizada no mundo.

A cerimônia de inauguração da presidência de Barack Obama, que vai jurar seu cargo no topo das escadarias do Capitólio ao meio-dia do próximo dia 20, é muito mais que uma simples substituição na cúpula do poder. A particularidade de sua personalidade, somada à paixão popular que sua vitória provocou, mais as esperanças desproporcionais que nele depositaram milhões de pessoas de muitos países, atribulados pela crise econômica, e a falta de liderança internacional transformam essa posse em um acontecimento de enormes proporções.

Da mesma proporção, portanto, é a preocupação dos responsáveis por sua segurança. Os chefes do FBI e do Pentágono declararam que não existe informação sobre qualquer ameaça concreta contra Obama para esse dia. Mas a simples possibilidade de que algo possa acontecer é tão demolidora que se implementaram medidas inéditas para que tudo transcorra de forma tranquila.

Dirigidos pelo serviço secreto - a polícia responsável pela segurança dos presidentes -, 58 órgãos de segurança dos EUA estão envolvidos nessa operação, da CIA ao Departamento de Polícia de Washington, passando pelo exército e a Guarda Nacional do distrito de Columbia, que conta com mais de 10 mil homens e mulheres uniformizados para ajudar a manter a ordem nas ruas.

As Forças Armadas permanecerão em alerta desde segunda-feira, e no quartel de Fort Belvoir, a 25 quilômetros de Washington, estarão prontas para intervir esquadrilhas de helicópteros Black Hawk e uma unidade especial contra ataques químicos. Aviões de combate protegerão o céu da cidade desde o fim de semana e lanchas de patrulha da polícia e do exército impedirão todo tipo de movimentação nas águas do rio Potomac.

Será uma cidade isolada a partir de segunda-feira. As pontes que ligam Washington à Virgínia serão todas fechadas, assim como as principais estradas que permitem o acesso do estado de Maryland. Em um extenso perímetro de segurança em torno do acontecimento não haverá circulação de veículos privados, nem metrô ou ônibus. Estarão fechados os restaurantes, museus, repartições públicas, estacionamentos e todos os locais que não sejam imprescindíveis.

Mesmo que não fizessem isso, seria impossível dar serviço, porque nesses dias não haverá como os empregados chegarem a seus locais de trabalho. O público que reservou todos os hotéis há meses só poderá entrar no Mall, o espaço ajardinado que separa o Capitólio do Lincoln Memorial, a pé e nas primeiras horas da manhã. A polícia advertiu que quando o espaço disponível ficar lotado - tem uma capacidade aproximada para 300 mil pessoas -, os acessos serão fechados. Os que ficarem para fora terão de se conformar com se aproximar, se puderem, de alguma das 22 telas gigantescas que foram instaladas nos arredores.

Depois do juramento, Barack Obama percorrerá os 3,5 quilômetros que separam o Capitólio da Casa Branca a bordo de um veículo especialmente blindado para a ocasião pela General Motors. Não terminam aí os problemas de segurança, já que, como manda a tradição, o novo presidente terá de percorrer, junto com sua mulher, alguns dos bailes de gala que se realizam na cidade. Espera-se que passem por oito dos 70 que foram organizados em diferentes lugares.

O trabalho dos policiais e militares começará na realidade neste sábado, quando Barack Obama deverá se deslocar de trem, junto com o vice-presidente Joe Biden, da Filadélfia até Washington com o objetivo de unir o simbolismo da cidade onde nasceu esta nação com a atual sede do poder. Essa viagem foi insistentemente desaconselhada pelo serviço secreto, que até hoje pretende suspendê-la.

No domingo Obama passará por algumas das comemorações prévias, entre elas um show que tenta trazer um sabor latino para o acontecimento e do qual participará o cantor espanhol Alejandro Sanz.

A lista de artistas, atores, desenhistas, esportistas e famosos que estarão presentes nessa ocasião histórica, pessoalmente ou com sua obra, é interminável. Como é interminável a fila de jornalistas e representantes internacionais que procuram obter credenciais.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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