UOL Notícias Internacional
 

17/01/2009

Secretário-geral da ONU deve pôr ponto final no ataque contra Gaza

El País
Editorial do El País
Enquanto não havia expectativas de cessar-fogo, Israel lançava seus devastadores ataques contra Gaza porque não havia. Agora que essas expectativas existem, torna a fazê-lo porque existem. Com essa insistência no recurso desproporcional à força, Israel não está garantindo uma vitória militar contra o Hamas, assegurada antes de ocorrer o primeiro disparo, mas está aumentando em troca de nada o custo político que pagará por essas três semanas de morte e destruição. Além disso, pesará sobre sua consciência o inútil sacrifício de várias dezenas a mais de vidas inocentes. Porque o balanço total de vítimas já supera o milhar, mais da metade civis.

Desde a madrugada de quinta-feira, apenas algumas horas antes de receber o secretário-geral da ONU, o exército israelense atacou a sede da Agência para Refugiados Palestinos do organismo (UNRWA), um edifício que abriga os meios de comunicação e um hospital da Meia-Lua Vermelha, além de outros 70 alvos qualificados como parte da infraestrutura do Hamas. O ministro da Defesa Ehud Barak qualificou de "grave erro" a primeira dessas ações, embora o primeiro-ministro Olmert tenha recorrido pouco depois ao pretexto reiterado de um ataque prévio por parte dos milicianos palestinos.

Depois da matança em uma escola da UNRWA e das contradições do Executivo israelense, essas explicações não avalizadas com provas de qualquer espécie carecem de credibilidade, além de que não constituiriam uma desculpa para disparar contra civis. E essa falta de credibilidade se projeta agora sobre o ataque contra as instalações dos meios de comunicação e o hospital da Meia-Lua Vermelha, cujos responsáveis negaram qualquer presença de homens armados. Como também se projeta sobre os ataques contra grande número de edifícios oficiais que não são infraestruturas do Hamas, mas do governo de Gaza, seja o que for.

Na medida em que se aproxima o previsível final do ataque, fica mais patente a desproporção com que Israel se conduziu em Gaza. O governo de Olmert não realizou um ato de legítima defesa, mas uma ação de represália e um castigo coletivo que nada pode justificar. A presença do secretário-geral da ONU na região não deve ser só a ocasião para que o governo Olmert apresente desculpas pelos ataques contra as instalações e o pessoal da UNRWA, como o ponto final definitivo em uma ofensiva que provocou consternação entre os amigos de Israel e espanto em todo o mundo.

Assediado por escândalos de corrupção, Olmert deixará o poder depois das eleições de 10 de fevereiro próximo. Sairá com o triste recorde de ter sido o único primeiro-ministro que lançou duas guerras em seu mandato. Com a primeira, levou Israel ao fracasso. Com a segunda, ao descrédito internacional. E se há algo que põe Israel em risco são colheitas políticas como esta.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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