UOL Notícias Internacional
 

20/01/2009

O ex-piloto Carlos Reutemann se lança à corrida presidencial argentina de 2011

El País
Soledad Gallego-Díaz
Em Buenos Aires
A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, retomou sua agenda política normal, suspensa na semana anterior depois de sofrer "uma lipotimia [síncope] e um quadro de descompensação e desidratação leve", segundo afirmaram fontes da Casa Rosada, a sede do governo. A presidente, que teve de adiar sua esperada visita oficial a Cuba, viajará finalmente nesta terça-feira a Havana para se reunir com Raúl Castro e no dia 21 irá a Caracas, onde encontrará Hugo Chávez.

A indisposição da presidente foi atribuída ao calor que castigou Buenos Aires durante alguns dias, mas deu origem a todo tipo de rumores quando foi ampliado o prazo de 48 horas de repouso que teoricamente seus médicos haviam recomendado. Fontes oficiais afirmaram que a exigência de repouso havia sido ampliada para que ela fizesse outros testes clínicos.

A viagem da presidente argentina a Cuba representará, como sempre que ela se desloca para fora do país, um problema protocolar. Na teoria, quando Cristina Fernández sai do país deveria assumir a representação presidencial o vice-presidente, Julio Cobos. Mas na prática isso não acontece, porque a relação entre os dois políticos está completamente rompida desde que o voto negativo de Cobos inclinou a balança do Congresso e fez a presidente perder sua crucial lei "do campo". A partir desse momento o vice-presidente está totalmente isolado do governo, e os ministros o evitam cuidadosamente.

Até o canal oficial de televisão parece ignorar sua existência: no último fim de semana transmitiu um festival de rodeio e folclore ao qual Cobos assistiu, sem captar uma só imagem do político. Anedotas à parte, o que chama atenção é que na ausência da presidente é seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, quem fica em Buenos Aires, se encarrega da atividade política cotidiana e, se necessário, contata os membros do gabinete.

O verão argentino, que em outros anos permitiu diminuir muito o ritmo político do país, está sendo nesta ocasião rico em movimentos e declarações, provavelmente porque já estão próximas as importantes eleições legislativas de outubro. Os políticos peronistas, concretamente, já se dedicam ao que mais apreciam fazer e mais tempo lhes consome: os movimentos internos para ver quem se situa como alternativa de poder. A batalha mais difícil para o governo até outubro é provavelmente encontrar um bom candidato a senador por Buenos Aires -capital federal, um distrito em que os Kirchner sofreram uma enorme queda de popularidade e no qual o ex-presidente e atual líder do Partido Justicialista precisa recuperar a predominância.

No entanto, a principal novidade do verão não é a candidatura peronista em Buenos Aires, mas a súbita e inexplicável erupção na distante corrida presidencial de 2011 de Carlos Reutemann, ex-piloto de Fórmula 1 e poderoso fazendeiro na província de Santa Fe, da qual é atualmente senador.

Reutemann, homem de poucas palavras, a ponto de os jornalistas as contarem (alguns dizem que o recorde foram 20 seguidas), se colocou no grid de largada para a nomeação do Partido Justicialista, junto com Felipe Solá e outros candidatos. O espantoso é que Néstor Kirchner não parece estar incomodado, o que causa desconfiança na oposição. Para alguns, Reutemann, que se caracterizou por não levantar os tapetes dos escritórios a que chega, é um bom candidato para os Kirchner em 2011, caso nem a presidente nem seu marido possam repetir. Para outros, trata-se simplesmente de pôr uma pedra no caminho de outro possível candidato presidencial: o socialista Hermes Binner, governador de Santa Fe, que sairia muito reforçado das legislativas de outubro se seu candidato, Rubén Giustiniani, presidente do PS, conseguir arrebatar o lugar do peronista Reutemann.

Desse ponto de vista, Kirchner poderia tentar dar um empurrão em Reutemann com a idéia de que não é só um candidato a senador, mas um senador que pode se transformar no próximo presidente da República.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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