UOL Notícias Internacional
 

20/01/2009

"O México não é um estado falido", diz secretária das Relações Exteriores mexicana

El País
Pablo Ordaz
Na Cidade do México
Durante uma hora e três minutos, Patricia Espinosa, secretária das Relações Exteriores do governo Felipe Calderón, tenta demonstrar com dados na mão que apesar de seu dia-a-dia sangrento "o México não é um estado falido". Essa possibilidade - a de que o estado pudesse estar perdendo o controle do país para o narcotráfico - foi incluída em um estudo recente do exército americano e aqui caiu como um tiro.

Essa mulher de 50 anos e longa experiência diplomática - ingressou há 27 no serviço exterior mexicano e foi embaixadora na Alemanha e na Áustria - reuniu em seu gabinete os correspondentes de quatro jornais internacionais para explicar que a situação, embora grave, não afeta todo o país, mas fundamentalmente seis dos 32 estados da República: Baja California, Chihuahua, Sinaloa, Durango, Michoacán e Guerrero.

"A violência não é generalizada. Não quero minimizar o problema. Somos os maiores interessados. Mas falar de um estado falido é falar de uma violência generalizada e de uma falta de controle do território. E esse não é o caso do México. É verdade que há certas praças onde a violência se exacerbou. Detivemos os chefes, debilitamos suas organizações e os capangas que estavam sob suas ordens estão tentando adquirir o controle. Não se deve esquecer um dado muito importante: de cada dez assassinatos nove são de pessoas ligadas aos bandos do narcotráfico. Não é a população civil que está morrendo no México."

Patricia Espinosa esteve presente na última segunda-feira na reunião em Washington entre o futuro presidente dos EUA, Barack Obama, e o atual do México, Felipe Calderón. Dois dias antes a secretária de Relações Exteriores também teve um papel de destaque no encontro que o presidente mexicano teve com seus embaixadores para lhes pedir que divulguem pelo mundo a mensagem de que o México ganhará a batalha.

Espinosa explica que muitos dos males atuais não passam de consequência de décadas de descaso. "Quando o presidente Calderón chegou ao governo encontrou uma situação de grande deterioração. Nenhum governo havia feito o que estamos fazendo agora. Havia-se optado por compactuar, tolerar, e as organizações criminosas foram obtendo um maior nível de poder econômico, maior capacidade de corrupção. Foram adquirindo maior controle dos espaços no país. O presidente Calderón decidiu então que a política de tolerância não era uma opção para o México. Em um país onde há pobreza, onde há marginalidade, onde há tantas carências, pensar em compactuar para evitar a violência significaria condenar muitos jovens mexicanos a cair nas drogas e a se transformar em criminosos. Tudo isto está muito claro no número dos assassinados. A maior parte deles é menor de 30 anos, jovens que foram captados na saída da escola, lhes ofereceram dinheiro, lhes disseram que seriam ricos, os reis entre seus amigos..."

Sobre a mesa da secretária há uma série de gráficos para apoiar sua tese de que - salvo em alguns estados cujas ruas continuam sendo campos de batalha - o governo está ganhando o embate. Espinosa dá ênfase às apreensões de droga - mais de 4 mil toneladas -, de armas - mais de 30 mil -, de cartuchos suficientes para abastecer um exército durante meses, de mais de 13 mil veículos e 338 avionetas. De dinheiro, muitos dólares em notas grandes... "E as armas que apreendemos não são só revólveres. São armas calibre 50, armas que perfuram carros blindados, incluindo lança-mísseis, capazes de derrubar helicópteros..."

De onde vêm essas armas? "Falamos disso com Obama. O presidente Calderón foi muito claro ao lhe dizer: interessa aos EUA ter uma fronteira segura; a nós também. Temos então um desafio importante em fortalecer nossa capacidade conjunta de supervisionar a fronteira. Não só para deter o ilegal que vai e vem, mas para facilitar o trânsito do legal. Mas não se deve esquecer que ao longo de 3 mil quilômetros de fronteira há mais de mil lojas de armas no lado americano, além das feiras de armas organizadas com muita frequência. E nesse sentido insistimos que se cumpra a lei americana que proíbe a exportação de armas para países nos quais essas armas são proibidas."

E dá um exemplo: "Há alguns dias fizemos uma das maiores apreensões. Foi em Reynosa: 500 mil munições, além de Barret 50, AK-47, lança-mísseis. Está comprovado que mais de 90% dessas armas vêm dos EUA. A ATF - um departamento do Tesouro americano que controla a venda de álcool, drogas e armas - veio ao México e comprovou. As armas vêm de lá. Dissemos isso a Obama. Há muito a fazer e temos de fazer juntos."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host