UOL Notícias Internacional
 

29/01/2009

"Fatah tinha 3.500 homens no Egito prontos para entrar em Gaza", diz dirigente do Hamas

El País
Juan Miguel Muñoz Em Gaza
Jalil Nofal, um dos dirigentes mais prestigiosos do Hamas em Gaza, e com mais poder, está furioso como nunca. Já passam três anos desde a histórica vitória eleitoral dos islâmicos palestinos, e seus líderes continuam convencidos de que enfrentam uma conspiração desde aquele 25 de janeiro de 2006. Embora entre seus inimigos - além de Israel, EUA e UE - incluam o Egito, prometem resistir.

El País - Ficaram surpresos com o ataque e sua contundência?
Jalil Nofal -
Os mediadores egípcios nos disseram na véspera que não haveria ofensiva e que continuaria o diálogo. Surpreendeu-nos que Israel lançasse 120 ataques de aviões e navios de guerra. Não esperávamos isso.

EP - Os egípcios não os haviam advertido de que Israel atacaria?
Nofal -
Israel não teria lançado esse ataque sem coordenar com o Egito e a Autoridade Palestina. O objetivo era criar o caos. O Fatah tinha 3.500 homens armados preparados no Egito para entrar em Gaza. Se não entraram foi porque absorvemos o primeiro golpe e sabíamos que o Fatah tinha preparado o plano de invadir aproveitando o bombardeio israelense.

EP - Sabendo agora como o ataque foi demolidor, teriam renovado a trégua em dezembro?
Nofal -
Não, não tínhamos alternativa. Quarenta dias antes Israel fechou as fronteiras, mataram mais de 20 pessoas, não havia cimento nem para os túmulos. A trégua durou quatro meses e meio. Durante esse tempo, 40 pessoas morreram porque não as deixaram sair de Gaza para hospitais no estrangeiro. Estávamos pagando o preço e além disso sem disparar. Israel rompeu a trégua. Nos impôs a guerra. Não tínhamos outro remédio.

EP - Confiam no Egito como mediador?
Nofal -
Não, nem um pouco. Por isso outros países devem assumir esse papel. A Turquia tem relações com Israel, mas pelo menos são neutros. O Egito nos vê como inimigos. Nós temos a legitimidade por estar a favor da resistência, e depois por termos vencido as eleições. Mas desde a noite da vitória eleitoral todos começaram a planejar o golpe de Estado para arruinar nosso trabalho. O Egito e o Fatah queriam que o Hamas exercesse o papel de resistência para morrer, não para administrar a vida política. Já advertimos os egípcios que estavam organizando uma guerra civil. Depois impuseram o bloqueio e também não teve êxito. Sabem que não podem eliminar o Hamas, mas queriam derrubar seu governo antes de 9 de janeiro, quando terminou o mandato do presidente Mahmud Abbas. Quiseram dar tempo a Israel para conseguir isso. Agora sabem que não há como.

EP - Confiam na França e suas propostas para reconhecer um governo de união do qual participe o Hamas?
Nofal -
A França é mais aberta que outros países. Já tivemos contatos com eles. Queremos um governo de união, mas que defenda nossos direitos.

EP - O que exigem agora da Autoridade Palestina para realizar a reconstrução de Gaza?
Nofal -
Um governo que não seja o guardião da segurança israelense. O programa de Abbas deve ir para o lixo da história. Está demonstrado: negociar e negociar com Israel não serve para nada. Devem-se abrir os cruzamentos de fronteiras. Do contrário, não haverá trégua. Israel se cansará antes. Estamos dispostos a lutar durante anos porque já estamos há 60. Não queremos esmolas nem ajudas para a reconstrução, e esperamos o apoio do mundo islâmico. Não aceitaremos dinheiro com condições, e o Fatah não vai governar Gaza através da reconstrução.

EP - Preocupam-se com o acordo entre Israel e EUA para atacar o tráfico de armas através dos túneis na fronteira egípcia?
Nofal -
Não aceitaremos a presença de tropas internacionais em nosso território porque não temos espaço nem para cultivar. Mas desde quando os traficantes pedem autorização? É que antes o Egito permitia o contrabando? Se quando Israel estava em Gaza havia israelenses que nos vendiam armas! Não nos preocupamos muito. Mas o que deveria ser vigiado são as armas proibidas: as bombas de fósforo, as de metal denso. Isso sim é uma ofensa a todo o mundo. É Israel que se deve controlar. De onde vêm suas armas? Mataram a mãe e o irmão na frente de um menino que havia sido amarrado. Quem são os terroristas? Se atacam até a ONU! Se isso não convence o mundo ocidental de que são assassinos, o que os convencerá? Mas os governos europeus são hipócritas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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